PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Exterior positivo, agenda e avanços políticos no destaque local

No exterior, as bolsas asiáticas fecharam em alta nesta segunda-feira, impulsionadas por um rali na China, que ganhou força com sinais recentes de que a segunda maior economia do mundo está se recuperando do choque do coronavírus em ritmo mais rápido do que se previa.

Os últimos indicadores chineses, que mostraram retomada da atividade econômica e aumento dos lucros no setor industrial depois do violento impacto da covid-19.

O índice Xangai Composto saltou 5,71% hoje, a 3.332,88 pontos, assegurando seu maior ganho diário desde 2015 e atingindo o maior nível desde o começo de 2018, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 3,90%, a 2.121,59 pontos. Juntos, os dois mercados chineses movimentaram mais de 1,5 trilhão de yuans (cerca de US$ 212 bilhões) nesta segunda, o maior valor em cinco anos, segundo a provedora de dados Wind.

O bom humor prevaleceu apesar de o mundo ter registrado novo recorde de casos de coronavírus em 24 horas, de mais de 212 mil, e da força que a covid-19 ganhou nos EUA nas últimas semanas em meio ao processo de reabertura econômica.

Na Oceania, a bolsa australiana contrariou o tom positivo da Ásia e ficou no vermelho, com preocupações sobre o coronavírus se sobrepondo à perspectiva de recuperação econômica.

Na Europa, as bolsas também operam em tom positivo e a economia da região também vem dando indícios de que está, aos poucos, superando o violento choque inicial do coronavírus. As vendas do setor varejista do bloco deram um salto recorde de 17,8% na comparação mensal de maio, maior do que o acréscimo de 14% esperado pelo mercado. O resultado, porém, ainda não foi suficiente para reverter totalmente as fortes perdas registradas em março e abril.

Apenas na Alemanha, a maior economia europeia, as encomendas à indústria subiram 10,4% em maio ante abril, mas a projeção do mercado era ainda mais otimista, de alta de 15%.

No Brasil, os destaques da agenda desta semana serão os dados do varejo de maio que saem na quarta-feira e o IPCA de junho, na sexta.

Para as vendas no comércio varejista, esperamos alta de 4,3% em relação a abril, na série ajustada sazonalmente e queda de 15,4% na comparação contra igual período do ano anterior.

Já o varejo ampliado, que incluem vendas de veículos e material de construção, esperamos alta de 6,7% em maio frente ao mês anterior e queda de 23,5% em relação a maio de 2019.

Para a inflação de junho, nossos modelos, apontam para um valor de 0,28% frente ao mês anterior. Com este resultado o índice acumula alta de 2,15% em 12 meses, a leitura anterior havia apontado alta de 1,88%. Esperamos que a pressão altista nesta leitura fiquei concentrada principalmente em combustíveis devido ao reajuste derivado dos efeitos da variação do câmbio e petróleo dada a política de preços da Petrobras.

Mas, hoje, o investidor pode começar reagindo às declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes. Uma delas, a de que a tributação de dividendos deve entrar na reforma tributária e isso pode pressionar os negócios.

Guedes disse que essa reforma deve ser aprovada ainda em 2020 e há o debate sobre criação de tributos sobre transações digitais, que não é a CPMF. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também ressaltou que a reforma tributária é prioridade na agenda legislativa do segundo semestre. A defesa de celeridade com essa reforma, por sua vez, deve ser bem vista.

O mercado também deve gostar da afirmação de Guedes, em entrevista à CNN, de que o governo fará quatro grandes privatizações em até 90 dias. “Vocês vão saber já, já. Estamos há um ano mapeando isso”, disse.

No radar hoje está o depoimento Fernanda Bolsonaro, esposa do senador Flávio Bolsonaro, ao Ministério Público do Rio de Janeiro, no inquérito que apura um esquema de rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio. Flávio deve escolher se vai depor hoje ou amanhã.

Também esta semana deve entrar em discussão na Câmara projeto de lei das fake news, segundo Maia. O projeto foi aprovado pelo Senado no último dia 30 e propõe um marco inédito na regulamentação do uso das redes sociais. Bolsonaro, que faz uso frequente das redes sociais para fazer política e falar a seus apoiadores, prometeu vetar a medida.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Fonte: Broadcast e Bloomberg

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