PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Mercados avançam com acordo entre congressistas nos EUA

No exterior, as bolsas asiáticas fecharam em alta generalizada pelo segundo pregão consecutivo nesta quarta-feira, após congressistas nos EUA chegarem a um acordo sobre um pacote trilionário para combater os danos econômicos relacionados ao novo coronavírus.

Após dias de divergências que deixaram os mercados financeiros em suspense, republicanos e democratas no Senado americano conseguiram chegar a um entendimento nesta madrugada sobre um pacote de estímulos fiscais de cerca de US$ 2 trilhões proposto pelo governo dos EUA para amenizar os efeitos da pandemia.

A expectativa de um acordo iminente impulsionou ontem as bolsas de Nova York, com o índice Dow Jones saltando mais de 11%, seu maior ganho porcentual diário desde 1933.

Em Tóquio, o japonês Nikkei teve alta de 8,04% hoje, a maior desde outubro de 2008, encerrando os negócios a 19.546,63 pontos. Na China, o Xangai Composto subiu 2,17%, a 2.781,59 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 2,92%,a 1.714,86 pontos.

Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi se valorizou 5,89% em Seul, a 1.704,76 pontos, reagindo também ainda a uma decisão da Coreia do Sul de dobrar um pacote de resgate para empresas afetadas pelo coronavírus, enquanto o Hang Seng avançou 3,81% em Hong Kong, a 23.527,19 pontos, e o Taiex subiu 3,87% em Taiwan, a 9.644,75 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana foi igualmente favorecida pelo acordo nos EUA e o índice S&P/ASX 200 fechou com ganho de 5,54% em Sydney, a 4.998,10 pontos.

Na Europa, pelo segundo dia consecutivo, os pregões operam com alta forte. O Stoxx-600, principal índice da região, voltou a ultrapassar os 300 pontos, subindo aproximadamente 3%.

No bloco comum, diferente dos Estados Unidos, está mais difícil encontrar um consenso. Ontem, o Eurogrupo de ministros das Finanças não chegou a um acordo sobre o uso do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) para ajudar a combater as consequências do coronavírus para a atividade. Hoje, os ministros de Relações Exteriores das sete maiores economias do globo (G-7) farão teleconferência e, amanhã, é a vez de discussões sobre o surto pelos líderes do G-20.

Em termos de indicadores econômicos, há dois destaques nesta manhã. Na Alemanha, o Instituto Ifo revelou que o índice final de sentimento das empresas caiu a 86,1 pontos em março, segundo pesquisa final. A previsão era de queda para 87,4 pontos. No Reino Unido, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 1,7% em fevereiro ante o mesmo mês do ano passado, desacelerando de 1,8% de igual medida vista em janeiro, mas em linha com as expectativas do mercado.

No Brasil, o destaque da agenda econômica nesta manhã fica para o IPCA-15 de março. O índice apresentou avanço de 0,02% no mês de referência e tal resultado foi abaixo do esperado por nós, cuja expectativa era de 0,07%. Com este resultado o índice desacelera no acumulado em 12 meses, em fevereiro o índice acumulava alta de 4,21% e em março passou para 3,67%.

Na seara política, ontem, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, em discurso à Nação, voltou a falar em “histeria” sobre a pandemia e criticou o fechamento de escolas, entre outras medidas adotadas por governos e municípios. Disse que autoridades “devem abandonar o conceito de terra arrasada” e rever a proibição de transporte, o fechamento dos comércios e o “confinamento em massa”. Governadores, secretários de Saúde, os presidentes do Senado e da Câmara, ministro do STF, comandante do exército criticaram o discurso do presidente, que voltou a ser acompanhado também de panelaços nas capitais e cidades por todo o País durante a fala.

Na pauta econômica, o apetite por risco lá fora, podem adicionar alívio ao dólar, que caiu ontem a R$ 5,08, além da curva de juros futuros com uma nova operação compromissada em dólares, leilões de linha de até US$ 3,3 bilhões e uma oferta extraordinária de títulos públicos.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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