PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Petróleo no destaque e efeitos políticos na economia doméstica

No exterior, as bolsas da Ásia fecharam de sem direção única. De um lado, Japão e Coréia do Sul foram impulsionadas por fatores locais, mas por outro, pesou no mercado chinês o fato do PBoC – como é conhecido o BC do país – ter mantido os juros inalterados.

O índice japonês Nikkei subiu 0,79% em Tóquio hoje, a 20.595,15 pontos, favorecido por ações dos segmentos de saúde e de eletrônicos em meio a iniciativas de vários países de reverter quarentenas motivadas pela covid-19, enquanto o sul-coreano Kospi avançou 0,46% em Seul, a 1.989,64 pontos, após notícia de que a Coreia do Sul vai criar um instrumento com recursos equivalentes a mais de US$ 8 bilhões para comprar dívida corporativa de alto risco.

Já na China continental, os mercados acionários ficaram no vermelho após o PBoC decidir deixar seus juros de referência para empréstimos nos níveis atuais e em clima de cautela antes da reunião anual do legislativo chinês, que começa na sexta-feira (22). O Xangai Composto caiu 0,51%, a 2.883,74 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,97%, a 1.805,86 pontos.

Na Europa, a volatilidade nas bolsas continuam. Os dados de inflação na zona do euro pesaram para o lado negativo enquanto uma declaração histórica da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em conjunto com a China, contribuiu para aliviar o mau humor.

Nos primeiros minutos de transações, as Bolsas europeias já sentiam insegurança em relação à proposta da Alemanha e da França de criar um fundo de 500 bilhões de euros do continente para combater a covid-19 e seus impactos econômicos. A ideia vem recebendo oposição de alguns países da União Europeia, como Áustria, Holanda, Dinamarca e Suécia.

Na sequência, as perdas se aprofundaram quando se soube que a taxa anual de inflação ao consumidor de abril da zona do euro foi revisada de alta de 0,4% para avanço de 0,3% na comparação anual, se distanciando ainda mais do aumento de 0,7% de março e da meta do Banco Central Europeu (BCE), de uma taxa ligeiramente inferior a 2%. Na madrugada, o Reino Unido já havia informado também que a sua inflação anual apresentou uma forte desaceleração de 1,5% de março para 0,8% no mês passado, ficando um pouco abaixo das previsões do mercado, de 0,9%. Da mesma forma, o indicador se afasta da meta do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), de uma taxa de 2%.

No entanto, o compromisso anunciado da Opep e China de trabalharem juntas para ajudar a estabilizar o mercado da commodity fez com que as cotações do insumo avançassem. Segundo o gigante asiático, o país já está em recuperação após ser abalado pela pandemia e deve recuperar “em breve” seus padrões de consumo de energia, o que deve apoiar a indústria de petróleo.

No Brasil, segue no radar os desdobramentos para o vídeo da reunião ministerial, indicado por Sergio Moro, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, como indicativo de interferência política do Presidente da República, na Polícia Federal. Espera-se a decisão do ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a divulgação ou não do vídeo.

Outro fator de relevância é a escalada do coronavírus no Brasil, que registrou 17.408 novos casos de contaminação e 1.179 mortes nas últimas 24 horas. Nesta manhã, o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, assinará o novo protocolo da pasta a respeito do uso da cloroquina, recomendando o uso do medicamento a partir dos primeiros sintomas.

No foco hoje também está o empresário e suplente do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Paulo Marinho, que prestará depoimento na sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Marinho afirma que um delegado teria passado informações para Flávio Bolsonaro sobre uma operação que atingiria o filho do presidente e assessores, investigados no esquema de “rachadinha”, que é quando os assessores têm que devolver parte dos salários recebidos.

Por fim, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu que a lei de socorro a Estados e municípios seja sancionada nesta semana, possivelmente amanhã na reunião com governadores, sob o risco de gerar a necessidade de uma segunda onda de ajuda aos entes federativos. Resta saber se Bolsonaro vetará a possibilidade de reajuste aos servidores, como prometeu ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Fonte: Broadcast e Bloomberg

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