PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Produção industrial e desdobramentos políticos no destaque local e exterior positivo

No exterior, tanto as bolsas da Ásia quanto da Europa avançam com as atenções voltadas para as iniciativas em várias partes do mundo, incluindo nos EUA e em países europeus, para gradualmente aliviar medidas de isolamento adotadas para conter a disseminação do coronavírus e reabrir o comércio. A recente tensão entre EUA e China, que dominou os mercados ontem, perdeu força hoje.

Na Ásia, as bolsas permanecem parcialmente fechadas devido a feriado na China continental, no Japão e na Coreia do Sul. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,08% e em Taiwan, o Taiex avançou 0,50% a 10.774,61 pontos.

Nos Estados Unidos aproximadamente 24 estados já anunciaram alguma medida de relaxamento das medidas de contenções, mas como indicado pela chanceler alemã Angela Merkel, a contenção da doença atualmente é como um gelo fino e que é preciso ter cuida, pois cresce a atenção para possíveis efeitos sobre a atividade de uma segunda onda de casos.

Para além da reabertura de algumas regiões, fica no radar o avanço da pandemia na Rússia que apenas nas últimas 72 horas, o total de novos casos relatados foi de 30 mil pessoas infectadas. Em todo o mundo, de acordo com a Universidade Johns Hopkins, o número de contagiados por covid-19 passou de 3,5 milhões, com 251 mil mortes.

O mercado de petróleo também segue embalado pelas perspectivas de retomada das atividades e os negócios apontam para uma ampliação dos ganhos da sessão anterior. Os preços da commodity vinham sendo muito abalados pela drástica redução da demanda global pelo produto. Os contratos futuros tanto do barril do tipo Brent quanto o do WTI seguem em alta, mas ainda na casa dos US$ 20,00 – um valor baixo em termos históricos.

A agenda internacional é fraca nesta manhã e o destaque recai sobre o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços do Reino Unido, que caiu de 34,5 em março para a mínima recorde de 13,4 no mês passado. O resultado veio acima da leitura preliminar de abril, de 12,3. Outro destaque foi o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro, que recuou 1,5% de fevereiro para março. Expectativas apontavam para uma queda menor, de 1,3%.

No Brasil, seguem os ruídos políticos, com o Presidente da República no centro delas e também os avanços da agenda legislativa, com a aprovação em primeiro turno da proposta de emenda à Constituição (PEC) do Orçamento de Guerra, na Câmara dos Deputados na noite de ontem. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou a dispensa do interstício – a transcorrência de cinco sessões da Câmara entre cada turno da votação de uma PEC – e convocou uma nova sessão deliberativa extraordinária para hoje às 11 horas para a votação em segundo turno. Após a aprovação, a medida deve ser promulgada em sessão do Congresso, não sendo necessária a sanção por Bolsonaro. O orçamento paralelo vai vigorar durante o estado de calamidade pública, aprovado pelo Congresso, que tem validade até 31 de dezembro.

Na agenda econômica doméstica, destaque para a Produção Industrial de março que registrou queda de 9,1% na comparação contra o mês de fevereiro, na série ajustada sazonalmente. Em relação ao mesmo período do ano anterior a queda foi de 3,8%. O principal grupo atingido foi Bens de consumo duráveis que cedeu 23,5% na comparação contra o mês anterior, também ajustado sazonalmente.

Por outro lado, o IPC-Fipe, que mede a taxa de inflação da cidade de São Paulo, recuou 0,30% em abril, bastante abaixo da expectativa de mercado e da nossa de -0,17%. Esta leitura corrobora com os efeitos deflacionários da pandemia de Covid-19 na economia brasileira e coloca viés de baixa na nossa projeção para o IPCA de abril (-0,10%) a ser divulgado na sexta-feira.

Retornando à política, outro ponto de foco desta semana será o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). O decano deve decidir se vai liberar a divulgação da íntegra do depoimento de mais de oito horas que o ex-juiz Sergio Moro prestou na Superintendência da Polícia Federal, no último sábado. O pedido foi assinado pelo advogado Rodrigo Sanchez Rios, defensor de Moro no inquérito que apura as acusações do ex-juiz da Lava Jato de ‘interferências políticas’ do presidente Jair Bolsonaro no comando da Polícia Federal. Celso de Mello também precisa decidir sobre a solicitação do procurador-geral da República, Augusto Aras, para ouvir os ministros militares Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e Braga Netto (Casa Civil), citados por Moro no depoimento, além da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) e seis delegados da PF.

Hoje também inicia o primeiro dia de reunião do Copom, que anunciará amanhã a sua decisão de política monetária no final da tarde. Nossa expectativa é que a Autoridade Monetária reduza a taxa Selic em 0,50 p.p. levando-a ao patamar de 3,25 a.a.

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