PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning Call – Projeto de Lei chinês sobre Hong Kong gera instabilidade nos mercados

No exterior, as bolsas da Ásia fecharam em baixa generalizada nesta sexta-feira, após a China anunciar que vai impor novas leis de segurança nacional a Hong Kong, num gesto que deteriora ainda mais as relações com os EUA, e decidir não estabelecer uma meta de crescimento para este ano, reforçando preocupações sobre o impacto econômico da pandemia de coronavírus.

Ontem, um porta-voz do Legislativo chinês informou que parlamentares vão deliberar sobre um projeto de resolução para reforçar mecanismos de segurança com o objetivo de interromper atividades subversivas e a interferência estrangeira em Hong Kong. O Congresso Nacional do Povo, que iniciou sua reunião anual nesta sexta, deve aprovar a resolução na próxima semana.

O anúncio vem num momento de crescentes tensões entre EUA e China, alimentadas em grande parte por críticas do governo americano à forma como Pequim vem lidando com o surto do novo coronavírus, que teve origem na cidade chinesa de Wuhan, no fim do ano passado.

Ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que haverá uma “reação muito forte” de Washington se a China seguir adiante com seu plano para Hong Kong.

Há menos de um ano, Hong Kong foi palco de violentas manifestações populares, motivadas por um polêmico projeto de lei que permitiria a extradição de suspeitos de crimes para a China continental.

Na reunião legislativa que começou hoje, a China decidiu não fixar uma meta para seu Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, num reconhecimento dos desafios que enfrenta em meio a esforços para amortecer os impactos da covid-19, como é conhecida a doença provocada pelo coronavírus. É a primeira vez que o governo chinês não estabelece uma meta numérica de crescimento desde 1994.

O mau humor prevaleceu apesar de novas medidas de estímulos na região. No Japão, o banco central local (BoJ) anunciou um novo programa de financiamento para bancos, estimado 30 trilhões de ienes (US$ 279 bilhões), para incentivá-los a ampliar empréstimos a companhias afetadas pelo coronavírus. Já o BC da Índia (RBI) cortou juros, também em reação à covid-19.

Na Europa, o clima também é de baixa, influenciadas pelos eventos ocorridos na Ásia.

Os laços entre EUA e China, portanto, estão ainda mais estremecidos e o temor dos investidores é o de que o episódio ameace a “fase 1” do acordo comercial assinado entre as duas maiores potências do mundo no início do ano. A discórdia entre Washington e Pequim foi ampliada na quarta-feira, quando o Senado dos EUA aprovou uma lei que pode impedir as empresas chinesas de fazerem parte das bolsas americanas, a menos que obedeçam aos padrões de regulamentações e auditorias locais.

Na agenda, o Reino Unido divulgou o resultado das vendas no varejo que sofreram uma queda de 18,1% de março para abril, a maior já registrada no país. Na comparação anual, a diminuição foi de 22,6% em abril.

No Brasil, o destaque fica para a decisão do ministro Celso de Melo, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anunciará sua decisão sobre o sigilo do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, citada pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro como prova das acusações de interferência do presidente Jair Bolsonaro na PF.

Também hoje o presidente poderá sancionar o projeto de socorro financeiro para Estados e municípios. O projeto foi aprovado no Senado no dia 6 de maio.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Fonte: Broadcast e Bloomberg

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