PALAVRA DO ECONOMISTA

Morning call – Sinais positivos da contenção do COVID-19 animam os mercados

No exterior, as bolsas asiáticas fecharam em alta pelo segundo pregão consecutivo nesta terça-feira, em meio a sinais recentes de desaceleração do coronavírus na região e em outras partes do mundo.

Nesta terça, a China relatou que não registrou mortes por coronavírus nas últimas 24 horas e identificou apenas 32 novos casos, todos de pessoas que haviam retornado do exterior.

Antes disso, dados recentes mostraram que houve desaceleração de casos ou mortes por covid-19 – como é conhecida a doença causada pelo vírus – em vários países europeus, incluindo Itália, Espanha, Alemanha e Reino Unido, assim como no Estado de Nova York, que responde por cerca de metade dos casos nos EUA, e no Irã.

O bom humor na região asiática também veio na esteira de um rali das bolsas de Nova York, que ontem saltaram mais de 7%, não apenas pelos indícios de desaceleração da doença, mas também após novos estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e em meio a rumores sobre um novo pacote fiscal do governo americano.

Nesta madrugada, o Banco Central da Austrália (RBA, pela sigla em inglês) decidiu manter sua taxa básica de juros inalterada, na mínima histórica de 0,25%, após concluir reunião de política monetária regular, mas alertou que a economia do país sofrerá forte impacto da pandemia de coronavírus no segundo trimestre. A bolsa australiana, o S&P/ASX 200 recuou 0,69%, a 5.252,30 pontos.

Na Europa, o clima também é de alta e as bolsas seguem embaladas pela melhora do humor generalizada dos mercados. O petróleo também avança no mercado futuro, com a expectativa de corte na oferta, e o único dado macroeconômico local relevante desta terça-feira surpreendeu positivamente as expectativas.

No mercado de petróleo, há muita especulação sobre a perspectiva de novos cortes de abastecimento pelos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus dez aliados (Opep+) por causa da forte queda da demanda causada pelo coronavírus. Uma reunião virtual será realizada quinta-feira e poderá contar com outros participantes extras, incluindo o Brasil.

Na macroeconomia, a produção industrial da Alemanha teve um aumento inesperado em fevereiro – antes de a pandemia começar a ter impactos mais claros sobre a atividade europeia. A maior economia do continente registrou elevação de 0,3% do seu setor fabril de janeiro para fevereiro, enquanto a previsão era de queda de 0,9%.

No Brasil, os mercados podem seguir embalados pelo otimismo internacional, como ocorreu ontem, quando o Ibovespa disparou 6,52%, mas o cenário doméstico merece atenção uma vez que os conflitos políticos têm aumentado rapidamente, assim como os casos de coronavírus no País.

Na agenda econômica, destaque para as vendas no varejo de fevereiro que avançou 1,2% na comparação contra janeiro, ajustado sazonalmente. Em relação ao mesmo período do ano anterior o avanço foi de 4,7%. Tal resultado foi superior ao esperado por nós (2,0%). Em relação ao varejo ampliado, que incluí as vendas de veículos e material de construção, o avanço foi de 0,7% em relação ao mês anterior, livre de sazonalidade. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o avanço foi de 3,3%.

Nos conflitos políticos, rumores sobre a saída do ministro da Saúde, Henrique Mandetta, circularam ontem ao longo do dia. O ministro acabou não sendo exonerado pelo presidente, mas situação de descontentamento segue. Mandetta disse que pediu “paz” para continuar o trabalho de combate ao novo coronavírus.

Os militares do governo teriam convencido Bolsonaro pela permanência de Mandetta. Mas outros ministros do governo e os presidentes do Senado, da Câmara e do STF também agiram nos bastidores para impedir sua demissão.

O Ministério da Saúde também reforçou a importância do isolamento social. O Brasil superou ontem a marca dos 500 mortos, com 12.056 casos.

Também no foco está o risco de deterioração da relação entre Brasil e China, após o ministro da Educação, Abraham Weintraub, publicar declarações irônicas no Twitter em que insinua que a China sairia fortalecida da crise mundial, semanas após o deputado Eduardo Bolsonaro ter provocado uma crise diplomática ao culpar a China pela epidemia de coronavírus. A China é o principal destino das exportações brasileiras e, no ano passado, comprou 28% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior.

Ainda na seara política, o Senado adiou a votação da PEC do Orçamento de guerra para dia 13.

Do lado positivo, os primeiros pagamentos do voucher, destinados a profissionais autônomos, vão começar a acontecer nesta terça-feira, 7, para quem está no Cadastro Único do governo e tem conta na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. Para quem recebe Bolsa Família, os depósitos devem cair no próximo dia 16.

Por fim, a S&P reafirmou ontem o rating BB- do Brasil, mas alterou perspectiva de positiva para estável.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro, analista econômico

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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