INSTITUCIONAL

Na outra ponta, um escudo de solidariedade no combate à covid-19

Em comunidades vulneráveis, com elevado adensamento e escassez de recursos, máscaras reutilizáveis se convertem em equipamento proteção crucial para contenção do contágio

Nem sempre é fácil ter uma máscara lavável para se proteger contra o novo coronavírus. Embora seu valor monetário não seja tão alto, há populações para quem essa quantia faz falta. E atender a essa demanda foi um dos propósitos da campanha “Conexão do Bem Daycoval – Sua doação vale por 3”.

A maior doação para uma única entidade foi feita para o Voluntariado Einstein: 140 mil unidades. Sua presidente, Telma Sobolh, conta que os itens foram distribuídos entre bairros da zona sul de São Paulo como Campo Limpo e Vila Andrade, na favela de Paraisópolis, nos Hospitais Municipais do M’Boi Mirim e da Vila Santa Catarina, ambos também na zona sul de São Paulo e administrados pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a Prefeitura de São Paulo. Uma parte foi direcionada ao Hospital Municipal de Campanha do Pacaembu (leia mais informações sobre essa ação no texto seguinte).

“Por meio do Programa de Saúde da Família da prefeitura, as agentes comunitárias detectaram 50 mil pessoas em risco total, e começamos a distribuição com elas”, afirmou.

Além da entrega porta a porta para famílias de Paraisópolis, os pacientes que frequentam as AMAs e UBSs das regiões de Vila Andrade e Campo Limpo e chegavam sem a proteção facial, obrigatória para o atendimento, recebiam o item, que depois podiam levar para casa.

Nos hospitais do M´Boi Mirim e da Vila Santa Catarina, as máscaras foram entregues aos funcionários na linha de frente e aos pacientes internados, especialmente na hora da alta médica. “Para os funcionários, nós entregamos para que eles usassem quando fossem embora para casa”, esclareceu Sobolh.

Outra região atendida foi a Brasilândia (zona norte de São Paulo), distrito que despontou como um dos que registrava mais casos de covid-19 e óbitos devido à doença. Integrante da Rede Brasilândia Solidária, Carlos Cordeiro conta que ela foi formada para ajudar os moradores do bairro, onde 29% das moradias estão em favelas, a enfrentar a crise. “Concluímos que a primeira coisa de que precisávamos era entregar máscaras a essa população e dialogar sobre a importância de lavar as mãos.”

Ações com agentes de saúde em carros de som foram realizadas pelas ruas do distrito, em que as máscaras doadas pela Conexão do Bem Daycoval eram distribuídas. Um total de 100 mil peças foram entregues ao pessoal da Rede Brasilândia Solidária, a maior doação recebida por eles, de acordo com Cordeiro. “As máscaras foram importantíssimas e foram distribuídas em todas as UBSs da região.”

Em Diadema, município da Grande São Paulo, outras 100 mil máscaras foram entregues no escopo da campanha. Os itens foram distribuídos em todos os estabelecimentos municipais de saúde, para serem entregues aos usuários ali atendidos e também aos profissionais que não estão na linha de frente de atendimento.

O secretário municipal da Saúde, Luís Cláudio Sartori, disse que as 100 mil máscaras foram a maior doação, em volume, que a pasta recebeu neste tempo de crise sanitária e que foram extremamente úteis na luta para superar a pandemia. “Com esse apoio, aliado à compreensão e atitude consciente da população, vamos superar essa crise.”

A gerente da UBS do bairro Reid, Marcia Gonçalves de Almeida Silva, disse que a equipe conseguiu identificar, ao usar geoprocessamento dos casos confirmados de covid-19 no território atendido pela unidade, que uma feira livre na região era um tipo de “epicentro” dos casos na área. “Montamos uma estratégia de conscientização para os feirantes e frequentadores. Quando chegamos lá, mais ou menos 80% dos feirantes não estavam de máscara. Nós as entregamos a eles e orientamos sobre a melhor maneira de usar. Algumas semanas depois voltamos àquela feira e verificamos que a maioria dos feirantes estava protegida, muitos com as máscaras que tínhamos distribuído.”.

 Além dessa ação, Marcia contou que gestantes, idosos e pacientes com doenças crônicas logo começaram a receber as máscaras doadas pela Conexão do Bem Daycoval, antes mesmo de seu uso ser obrigatório, e orientados a usar sempre que saíssem de casa.

Em outro bairro do município, na Vila Nogueira, a UBS organizou ação semelhante em uma feira livre. A gerente do local, Vanessa Bizerra de Souza, ressaltou que foi importante ter máscaras para entregar durante a estratégia. “Numa ação dessas, ter algo para entregar aproxima as pessoas de você. É uma maneira de conseguir o vínculo, fazer a abordagem orientar sobre o uso correto”, afirmou. Segundo ela, ter os itens para entregar ajudou a fazer as pessoas sentirem que os agentes de saúde não estavam “só falando e julgando”. “Você tem algo para oferecer, está orientando.” 

Além da feira, Souza contou que foi feita ação semelhante no comércio do bairro, orientando sobre a importância do uso do item, com entrega de unidades. E usuários da UBS também receberam o produto. “Nós temos mapeados os frequentadores e sabemos quais os mais vulneráveis. Para esses, mesmo que viessem com máscara nós entregávamos mais uma, para levar para casa, porque sabemos que para eles é difícil comprar as máscaras.”

(F.S)

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