INVESTIMENTOS

O que há entre o tombo de 9,1% no PIB previsto pelo FMI e a queda de 6,1% apontada na pesquisa semanal do BC

Por Patrick Cruz

Nos últimos dias do primeiro semestre, o Fundo Monetário Internacional revelou suas novas previsões para o desempenho da economia global em 2020. Para o Brasil, o FMI projeta um tombo de 9,1% – que, se de fato ocorrer, será o mais severo recuo registrado no país em 120 anos. No entanto, economistas consultados semanalmente pelo Banco Central têm falado em queda de 6,1%. Ainda é uma retração bastante forte, é verdade, mas bem distante do que prevê o Fundo.

Um desencontro tão grande das projeções para o produto interno bruto (PIB) de 2020, e com apenas meio ano pela frente, dá mostras do grau de incerteza trazido pela pandemia. Como investidores e gestores podem tomar decisões sobre seus portfólios em um quadro tão incerto quanto esse?

Para tentar entender um pouco melhor o cenário da economia brasileira no curto prazo e quais elementos podem mudar a trajetória, o blog falou com Rafael Cardoso, economista-chefe da Daycoval Asset Management. A seguir, alguns dos temas tratados na conversa:

Entrelinhas dos dados

É importante dissecar os dados sobre a atividade econômica para não fazer uma análise superficial. Os dados mais recentes sobre o desempenho do varejo, divulgados na última segunda semana de julho, servem como um bom exemplo.

Em maio, as vendas do varejo cresceram 13,9% na comparação com o mês anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por um lado, foi o maior aumento em toda a série histórica da pesquisa. Por outro, além de a alta ter ocorrido sobre uma base muito baixa, ele não foi uniforme.

“Boa parte do crescimento foi concentrada em super e hipermercados, setores que têm um peso muito grande no índice”, diz Cardoso. Tecidos, vestuário e calçados, também atividades que têm grande peso no indicador, são uma evidência sobre como o varejo não tem tido desempenho uniforme. Esses três segmentos podem até ter crescido 100,6% em maio, mas caíram 62,5% em relação a maio de 2019 e acumulam queda de 37,5% em 2020 e de 13% nos últimos 12 meses.

O que os índices de confiança apontam

Em todo o mundo, os índices de confiança são um termômetro importante para tentar antever quais caminhos a economia pode tomar nos meses que estão por vir. Quando sobem, esses indicadores podem ser um sinal de que logo adiante ocorrerá um aumento efetivo da atividade econômica – e, portanto, do PIB.

Mas, em um ano de incertezas como 2020, essa lógica não pode ser levada tão ao pé da letra. “Na Alemanha, por exemplo, os soft data vinham indicando um nível de atividade que não apareceu nos dados de atividade”, afirma Cardoso. Dito de outra forma, confiança em alta sempre é positivo, mas, no ano da pandemia, a leitura desse dado exige um pouco mais de cautela.

Isolamento social como parte do cenário

Nas previsões sobre o desempenho da economia em 2020, não há cenário que considere o fim das medidas de isolamento social, mesmo que se anuncie a criação de uma vacina. Hoje, segundo o economista-chefe da Daycoval Asset Management, entre as premissas adotadas para as projeções sobre o PIB, a instituição considera níveis de isolamento entre 40% e 50% no terceiro trimestre e de 25% no quarto.

Reformas e eleições

O Brasil terá eleições municipais em 2020. No entanto, qualquer que seja o resultado, ele deve ter impacto secundário sobre o PIB deste ano. Em parte porque, com a pandemia, a data de votação foi adiada para novembro.

Rafael Cardoso fala em queda do PIB em torno de 6% neste ano e alta de 3,8% em 2021, “em um cenário sem grandes reformas”, diz.

Privacy Settings
We use cookies to enhance your experience while using our website. If you are using our Services via a browser you can restrict, block or remove cookies through your web browser settings. We also use content and scripts from third parties that may use tracking technologies. You can selectively provide your consent below to allow such third party embeds. For complete information about the cookies we use, data we collect and how we process them, please check our Privacy Policy
Youtube
Consent to display content from Youtube
Vimeo
Consent to display content from Vimeo
Google Maps
Consent to display content from Google
Spotify
Consent to display content from Spotify
Sound Cloud
Consent to display content from Sound