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ENTRETENIMENTO

Um jeito diferente de viajar

Sistema de compartilhamento garante praticidade e hospedagem exclusiva em todo o mundo.

 

Consolidados nos mercados europeu e americano, os modelos de tempo e propriedade compartilhados vêm ganhando cada vez mais adeptos no Brasil. Divididos entre a compra antecipada de semanas de hospedagem – o timeshare – e a compra de frações de empreendimentos – o fractional –, esses sistemas permitem aos clientes adquirir o serviço em um país e desfrutar dos benefícios em várias partes do mundo. Em 2012, mais de 25 mil brasileiros fecharam contratos nesses moldes. Há 10 anos, esse número não passava de 1,5 mil.

A indústria de propriedade compartilhada fatura, em média, US$ 12 bilhões por ano em todo o mundo. Na liderança isolada estão os Estados Unidos, que representam quase 70% desse total. No Brasil, as vendas do setor devem chegar a US$ 500 milhões neste ano – 9% de todo o volume movimentado na América Latina.

Apesar de os conceitos de timeshare e fractional terem chegado ao País há 20 anos, apenas em 2010 o mercado deslanchou na região. Para se ter uma ideia, nos últimos cinco anos, o setor deu um salto de 205% e chegou a um volume de vendas de R$ 1 bilhão em 2012. Para quem atua no mercado, há duas explicações para o avanço: a mudança de cultura do brasileiro, que começou a entender melhor o sistema e a ver vantagens nesse tipo de serviço, e a própria evolução dos meios de hospedagem, com produtos que se adaptam a diferentes perfis.

 

Natureza Acima (à esq.), o Marriott Shadow Ridge, com as montanhas de Palm Desert, na Califórnia, ao fundo; e o Enotel Porto de Galinhas, resort da RCI em uma das regiões mais preservadas do Nordeste

Natureza | Acima (à esq.),o Marriott Shadow Ridge, com as montanhas de Palm Desert, na Califórnia, ao fundo; e o Enotel Porto de Galinhas, resort da RCI em uma das regiões mais preservadas do Nordeste.

 

Presente em 30 países e com três décadas de existência, a RCI (Resort Condominiums International) reúne grande parte dos hotéis e empreendimentos que oferecem esse tipo de serviço no mundo. A empresa atua sob duas marcas, a RCI Weeks (voltada ao timeshare) e a The Registry Collection (para o fractional), e tem parceria com 4,6 mil empreendimentos globalmente, sendo 130 deles no Brasil. No ano passado, os mais de 60 mil clientes da empresa – e suas famílias – fizeram quase 30 mil viagens de férias mundo afora. “Uma das vantagens do timeshare é que o cliente paga um preço de diária preestabelecido, em contratos que podem se estender por um prazo médio de 10 anos. Já no fractional, é possível ser proprietário de parte de um imóvel no Brasil, por exemplo, mas desfrutar de hospedagem em várias partes do mundo”, explica Alejandro Moreno, diretor da RCI no Brasil.

O diretor conta que a maior parte dos clientes que opta pelos sistemas de compartilhamento são pessoas com filhos, que gostam de viajar e procuram empreendimentos que combinam lazer, conforto e praticidade. É o caso do assessor jurídico Thomas Herbert, que pagou R$ 190 mil pela fração de uma casa no litoral da Bahia em maio deste ano. Habituado a viajar pelo menos duas vezes por ano para o exterior com a família, ele viu nas propriedades compartilhadas uma forma de adquirir um imóvel de alto padrão sem precisar se preocupar com a manutenção e com os custos do empreendimento.

“Conheci o fractional no final do ano passado, quando estava viajando para a China com a minha família. Tenho outro imóvel de veraneio e um dos grandes problemas é que, a cada vez que vou utilizá-lo, preciso checar se está tudo funcionando, pagar alguém para fazer a limpeza; isso para ficar apenas dois ou três dias por ano. No sistema de compartilhamento, não me preocupo com nada disso.” Ele cita como outra vantagem a possibilidade de trocar as semanas a que tem direito por pontos, que podem ser utilizados em empreendimentos afiliados à rede em outras partes do mundo. “Em agosto, por exemplo, passei uma semana em Dubai. Como viajo bastante, o sistema me atendeu muito bem.”

Em 2010, a Odebrecht Realizações Imobiliárias (OR) lançou seu primeiro – e até agora único – empreendimento voltado exclusivamente à venda de propriedade compartilhada, o Quintas Private. Localizado em Sauípe, litoral norte da Bahia o condomínio reúne casas de alto padrão, com acesso a serviços como central de locação e pay-per-use (supermercado delivery, garçom e copeira, entre outras facilidades).

Desde o início da operação, a empresa já vendeu cerca de 150 frações. “Os proprietários têm a possibilidade de usar as semanas adquiridas em várias propriedades no País e no mundo com qualidade equivalente à propriedade que compraram. Caso não venham a utilizar alguma das semanas no Quintas, obtêm um bônus para usar em outros destinos”, afirma Franklin Mira, diretor da OR responsável pelo empreendimento.

O bônus ao qual o executivo se refere é o sistema de “milhagem” do fractional, por meio do qual o cliente pode vender as semanas que não utilizar em sua propriedade e adquirir pontos, que poderão ser trocados por hospedagens em outros empreendimentos ligados à rede.

 

 

 

Hotéis de luxo da RCI no Brasil: o parque aquático Tayayá

Hotéis de luxo da RCI no Brasil: o parque aquático Tayayá.

Cruzeiros s e vinhos

Além da hospedagem em propriedades em várias partes do mundo, alguns tipos de contratos de compartilhamento permitem que o cliente troque seus pontos por outros tipos de benefícios. A rede de hotéis Marriott, que atua na área por meio da Marriott Vacations Worldwide, possibilita que essas milhagens sejam usadas em viagens de cruzeiros, roteiros de vinhos e até safáris.

A bandeira da rede francesa ligada ao timeshare e ao fractional está presente em mais de 40 destinos, em lugares como Estados Unidos, Aruba, França, Espanha, Tailândia, Reino Unido e Ilhas Virgens. O Brasil, por enquanto, não está na lista. “Até agora, não temos resorts na América Latina, mas estamos sempre avaliando novas oportunidades, baseados na demanda”, afirma Edward Kinney, vice-presidente global de Comunicação da Marriott Vacations Worldwide Corporation. Segundo Kinney, o interessado em adquirir um empreendimento por meio desse programa na Marriott desembolsa, no mínimo, US$ 17,8 mil e pode se hospedar em cerca de 1,5 mil clubes de férias. “Há planos para diversos tipos de contratos, que variam de acordo com as necessidades e os desejos de nossos clientes”, diz o executivo.

Para as empresas, o modelo é vantajoso porque permite aos hotéis aumentar a taxa de ocupação. Além disso, a venda antecipada de semanas e o compartilhamento de propriedades atraem público em épocas de menor movimento, minimizando um problema bastante comum no setor – a sazonalidade.

 

 

 

 

Texto Graziele Gonçalves

 

"Propriedades
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Paraíso Particular

Inspirado pelas aventuras de Robinson Crusoé, o alemão Farhad Vladi cresceu desejando ter sua própria ilha. Transformou o sonho em negócio e hoje ajuda sonhadores (e celebridades) do mundo todo a comprar um pedaço de terra em pleno oceano.

 

Apaixonado pelas aventuras dos personagens de Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, e A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson, o menino Farhad Vladi imaginou pela primeira vez como seria ter a própria ilha. O encantamento nascido na infância atravessou décadas e transformou o então garoto de 10 anos em um dos maiores corretores de ilhas particulares do mundo. “A sensação de olhar para o horizonte e ter a impressão de que você está no comando de tudo é inebriante. Talvez isso explique meu fascínio por ilhas”, diz Vladi.

O empresário alemão herdou o nome do pai russo. Nascido em Hamburgo, estudou economia, mas nunca deixou de sonhar com os paraísos idílicos dos tempos de garoto. Vivia cercado por mapas e livros. Aos vinte e poucos anos, leu uma reportagem sobre a venda de uma ilha em Seychelles, país insular no Oceano Índico formado por arquipélagos no norte e nordeste de Madagascar. Ele juntou o pouco dinheiro que tinha e decidiu publicar um anúncio em um jornal da região. “Esperava um anúncio pequeno pelo valor que paguei, mas me deparei com uma página inteira, dizendo: ‘Vladi procura ilha’”, relembra.

Na época, Vladi sabia que o pouco dinheiro que tinha não seria suficiente para fazer a aquisição. O que ele não poderia imaginar, entretanto, é que do episódio nasceria um negócio. Graças ao anúncio, conseguiu o primeiro cliente e vendeu a primeira ilha. “Foram quase dois anos de negociação. Não foi nada fácil, mas certamente valeu a pena ”, revela Vladi.

Luxo centenário A ilha de Maia, em Angra dos Reis, no Rio, está à venda por US$ 8 milhões e inclui construções em estilo colonial

Luxo centenário | A ilha de Maia, em Angra dos Reis, no Rio, está à venda por
US$ 8 milhões e inclui
construções em estilo colonial.

Quase 40 anos depois, a Vladi Private Islands já intermediou a compra e venda de mais de 2 mil ilhas. Ajudou celebridades como Diana Ross, Nicolas Cage, Johnny Depp e David Copperfield a encontrar o pedaço de terra perfeito no meio do mar. Bill Gates e o casal Brad Pitt e Angelina Jolie também usaram o serviço da corretora alemã para buscar uma ilha para passar as férias. Foi ainda graças ao trabalho da empresa que Kate Middleton e o príncipe William conseguiram realiza o sonho de passar a lua de mel em Seychelles. Este é, inclusive, o segmento de mercado em que a empresa atua mais fortemente hoje: o de aluguel de ilhas. “Temos tido uma taxa de ocupação muito alta em resorts de luxo e ilhas, o que fez com que nosso foco mudasse um pouco de corretagem para o setor turístico.”

Se existe um mercado que pode ser considerado exclusivo, o de compra e venda de ilhas é, definitivamente, um deles. Como há pouquíssimas à venda, não é difícil entender por que os valores das transações podem chegar às alturas. Interessados em comprar uma ilha na Grécia, por exemplo, terão de desembolsar cerca de US$ 60 milhões. Cave Cay, nas Bahamas, está à venda por US$ 110 milhões.

Mas qual é o perfil de quem compra uma ilha? “Individualista no coração”, diz o megacorretor. E seriam, na maioria, homens? “Certamente, no papel, temos mais clientes homens, mas, nos bastidores, quem costuma dar a última palavra são as mulheres”, entrega.

Entre os lugares mais procurados pelos clientes que desejam comprar uma propriedade com a Vladi Private Islands estão a Europa Oriental, a Costa Leste dos Estados Unidos e o Canadá. Nova Zelândia e a costa australiana também vêm se tornando destinos cada vez mais desejados. Mas, quando o objetivo é alugar, Seychelles, Maldivas e Bahamas são imbatíveis. Apesar de nunca ter estado no Brasil, o empresário afirma ter clientes aqui. No site da empresa, há hoje dois anúncios de ilhas no país, uma em Angra dos Reis (RJ), à venda pela bagatela de US$ 8 milhões, e outra, mais modesta, na Bahia, que pode ser arrematada por pouco mais de US$ 620 mil.

Desde a realização do primeiro negócio, Farhad Vladi percorreu um longo caminho. E teve uma ascensão impressionante. Sediada na Alemanha, sua companhia tem escritórios no Canadá, Nova Zelândia e China, além de representantes e corretores em diversos países. Graças ao sucesso profissional, Vladi conseguiu realizar seu sonho de infância: há 35 anos, comprou sua primeira ilha, que, curiosamente, não fica em Seychelles. Sleepy Cove Island está a 30 minutos de Halifax, na Nova Escócia, em território canadense. A propriedade, densamente arborizada, fica no meio do Grande Lago Shubenacadie. “Quando estou lá, gosto de não fazer nada!”, revela. “A coisa mais mágica de uma ilha particular é a simplicidade. É um privilégio poder acordar com o sol e ir para a cama quando ele se põe.”

Privilégio O Te Paruparu Lodge (no alto), na ilha de Forsyth, na Nova Zelândia, oferece passeios de helicóptero. Acima, ilha no lago Mälaren, na Suécia, à venda por 6 milhões de euros

Privilégio O Te Paruparu Lodge (no alto), na ilha de Forsyth, naNova Zelândia, oferece passeios de helicóptero. Acima, ilha no lago Mälaren, na Suécia, à venda por 6 milhões de euros

Com seu astral contagiante, Vladi diz que estar em uma ilha é como visitar uma farmácia da alma – uma combinação de tranquilidade, energia e contato com a natureza. “Não há palavras para descrever essa sensação, é preciso ir, ver e sentir.” A fixação é tamanha que ele não se contentou em ter apenas uma ilha. Questionado se haveria alguma ilha no planeta que adoraria comprar, ele sorri e responde. “Sim, mas eu já comprei!” Ele se refere a uma propriedade de 8 mil m2 em Marlborough Sound, na Nova Zelândia. “Desde que comprei essa ilha, esqueci o que é ter inveja. É o lugar perfeito.”

O alemão tem outra grande paixão: a fotografia. Desde criança, tirava fotos e as revelava em um quarto escuro de sua casa. Recentemente, tornou-se especialista em fotos aéreas. As imagens estão em várias publicações sobre ilhas e acabam de ser incluídas em dois livros.

Com tantas conquistas, é possível imaginar que o menino sonhador já planeja o dia em que vai se aposentar e viver dias inesquecíveis, cercado pelo mar e pela natureza, certo? Que nada. “Me aposentar? Não tenho a mínima ideia do que você quer dizer”, desconversa, sorrindo.

 

Texto Suzana Camargo

 

"Fernando
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Emoldurando as cidades

Artistas urbanos destacam-se por sua produção democrática e levam imagens das ruas para museus e galerias.

 

A arte urbana virou fenômeno mundial. Até há pouco tempo, era praticada de forma marginal e estava restrita a fachadas de edifícios e muros. Hoje, está presente em galerias, museus, bienais, leilões e até mesmo em projetos de decoração. E os artistas brasileiros figuram entre os mais importantes da cena internacional, graças à singularidade de seu talento.

Neste ano, uma série de eventos mostrou que a linguagem artística que nasceu da tradição do grafite nas periferias das grandes cidades caiu definitivamente nas graças do público e da crítica especializada. Em setembro, uma das grandes atrações da Feira Internacional de Arte do Rio de Janeiro foi a mostra paralela ART RUA, com intervenções artísticas nas ruas da região portuária que reuniram mais de 50 grafiteiros, entre brasileiros e estrangeiros. “Não há mais dúvida de que a arte urbana é uma importante vertente da arte contemporânea. Os mais conceituados museus do mundo já realizaram exposições inteiramente dedicadas a ela ou a artistas que têm um trabalho baseado na arte urbana”, afirma Jordons Francisco, da QAZ Galeria de Arte, em São Paulo, uma das principais do setor.

Como a QAZ, surgiram recentemente espaços especializados em arte urbana. Em São Paulo, a Galeria Logo já é referência no assunto. “Alguns de nossos artistas estão entre os principais nomes da arte urbana brasileira, mas posicionamos o trabalho que desenvolvem em seus ateliês no contexto mais amplo da arte contemporânea”, afirma Lucas Ribeiro, um dos sócios. “É claro que a relação particular que eles têm com a cidade influencia a linguagem, mas o resultado é bem diferente da arte de rua. Não que seja melhor ou pior, é outra coisa.”

Pioneira na capital paulista, a Choque Cultural representa grandes nomes do segmento, como Carlos Dias, o Coletivo BijaRi, Daniel Melim, Jaca, Rafael Silveira, Stephan Doitschinoff, o argentino Tec e Znort. “A galeria está em uma fase madura, por isso optamos por trabalhar comercialmente com artistas já consolidados”, diz Baixo Ribeiro, que fundou a Choque Cultural em 2004, em sociedade com Mariana Martins (filha do pintor Aldemir Martins) e Eduardo Saretta.

 

Criação do artista holandês Karski para a Bienal do Grafite do MuBe, realizada este ano em São Paulo.

Criação do artista holandês Karski para a Bienal do Grafite do MuBe, realizada este ano em São Paulo.

 

 

Em ascensão

São são poucas as galerias dedicadas à arte contemporânea que passaram a contemplar também a estética da arte urbana nos seus acervos. Em São Paulo, a Galeria Paralelo representa o artista Vermelho; a Fortes Villaça, Osgemeos, considerados os embaixadores da street art nacional; e a Galeria Leme, Nina Pandolfo, cuja exposição individual, neste final de ano, alcançou grande sucesso. No Rio de Janeiro, a Inox, além de uma seleta gama de artistas contemporâneos, tem em seu portfólio Alexandre Orion e Smael; e a Gentil Carioca, o artista Carlos Contente.

O sucesso desses nomes já ultrapassa as fronteiras do País. “Acabo de fazer minha segunda exposição individual na galeria que me representa em Paris, a Brugier-Rigail”, conta Smael. O artista carioca já recebeu vários convites para exposições internacionais em 2014, sendo uma individual em Dubai e outra com o americano Crash, um veterano do grafite em Miami. Já o artista Vermelho tem se destacado por cenografias premiadas que lhe renderam contatos promissores na Europa.

Nas grandes feiras de arte, é cada vez maior a representatividade da linguagem urbana. Na primeira edição da PARTE, em 2011, eram apenas três as galerias dedicadas ao estilo. Em 2013, foram 20. “A estética urbana atrai tanto o colecionador mais experiente que busca novidades quanto quem planeja começar uma coleção”, diz Tamara Brandt Perlman, uma das organizadoras.

 

serigrafias “ASA” (à esq.), de Carlos Dias, e “Sem Título”, Daniel Melim, representados pela Choque Cultural, a primeira galeria da capital paulista dedicada à arte urbana

Serigrafias “ASA” (à esq.), de Carlos Dias, e “Sem Título”, Daniel Melim, representados pela Choque Cultural, a primeira galeria da capital paulista dedicada à arte urbana.

 

Segundo ela, é cada vez mais comum as pessoas olharem uma obra na feira e reconhecerem o artista por já terem visto trabalhos de sua autoria nas ruas. O contrário também acontece: as pessoas passam a distinguir na rua imagens de artistas com trabalhos na feira. “É uma dinâmica enriquecedora, que gera uma nova fonte de prazer, de olhar para a rua e para a cidade com um interesse renovado.”

Instituições tradicionais do circuito artístico têm desempenhado papel importante na valorização da arte urbana. O Museu Brasileiro da Escultura (MuBe), em São Paulo, realizou, no início deste ano, a segunda edição da Bienal Internacional Graffiti Fine Art, que reuniu cerca de 50 artistas, do Brasil e do exterior. Neste ano, a Bienal Internacional de Curitiba dedicou espaço à arte pública.

Em 2011, para mostrar o quanto a ideia de arte pública estava se transformando, Teixeira Coelho, curador da Bienal de Curitiba e do Museu de Arte de São Paulo (Masp), realizou a mostra De Dentro para Fora/De Fora, com grandes nomes do segmento em nível mundial. Na época, a prefeitura da capital paulista havia decidido não mais aprovar a instalação de bustos nas praças públicas com a justificativa de que esse tipo de arte pertence ao século 19 e nada acrescenta ao cenário urbano atual.

Acima, o paulistano Fernando Chamarelli na reta final de seu mural para o Sesc Consolação. Na foto menor, obra de Tomas Spicolli, um dos artistas presentes na edição de 2013 da Feira PARTE

Acima, o paulistano Fernando Chamarelli na reta final de seu mural para o Sesc Consolação. Na foto menor, obra de Tomas Spicolli, um dos artistas presentes na edição de 2013 da Feira PARTE.

 

Mesmo nas ruas, a arte urbana vem ganhando um novo status. É o caso do Museu Aberto de Arte Urbana de São Paulo (Maau-SP), conjunto de mais de 60 painéis de grafite concebidos na Avenida Cruzeiro do Sul, entre as estações de metrô Santana e Portuguesa-Tietê, na zona norte do São Paulo, um dos berços do grafite na cidade. Em Curitiba, foi inaugurada neste ano Galeria Arte Urbana – Memórias de Curitiba, a céu aberto. Iniciativas como essas revelam que a arte urbana tem reflexos nas cidades, que ganham uma nova dimensão simbólica, e no próprio sistema artístico, que se abre para experiências que derrubam as fronteiras entre o culto, o popular e o massivo, fazendo surgir uma arte menos elitista e mais democrática.

 

Dos muros aos museus

A arte urbana tem como berço a tradição do grafite, estilo de pintura mural feita principalmente com spray, a partir dos anos 1970, em Nova York, no contexto da chamada cultura hip-hop, que congregava comunidades latinas e afro-americanas. Na década seguinte, nas grandes metrópoles, surgiram variações dessa linguagem visual. Diferentemente da “pichação”, focada na escrita, os novos pintores passaram a incorporar formas figurativas ou abstratas em seus trabalhos.

Os nomes de maior destaque na atualidade têm um trabalho baseado em um forte projeto estético. É o caso de dezenas de artistas brasileiros reconhecidos internacionalmente, como Carlos Contente, que começou a pintar nas ruas no início dos anos 2000 e tem uma obra focada no encontro do desenho com a palavra, como mostrou recente exposição na galeria paulistana Emma Thomas.

Independentemente da formação, são artistas que inauguraram um novo capítulo na história da arte. Fazem arte, e não grafite. A nova geração lembra nomes marcantes da história, como Jean-Michel Basquiat e Keith Haring, que nos anos 1970 já pintavam muros em Nova York com um estilo que mesclava a influência das imagens do submundo do spray com repertório da pop art, já consagrada no sistema artístico oficial.

Obra do carioca Smael (Inox Galeria): exposição individual em Pari

Obra do carioca Smael (Inox Galeria): exposição individual em Paris

 

No Brasil, Alex Vallauri (1949-1987) é considerado uma espécie de “Basquiat brasileiro”. Recentemente, uma retrospectiva de seu trabalho no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, e o lançamento do livro Alex Vallauri (Editora Bei), escrito pelo pesquisador João Spinelli, lançaram luz sobre o pioneirismo do artista, que tinha uma preocupação declarada em fazer arte acessível e democrática. Tendo começado sua carreira com a gravura, ele passou, no final dos anos 1970, a usar muros e paredes como suporte para suas obras.

 

Acima, um dos espaços da Bienal do Grafite deste ano: mais de 50 artistas, entre brasileiros e estrangeiros

Acima, um dos espaços da Bienal do Grafite deste ano: mais de 50 artistas, entre brasileiros e estrangeiros.

 

Para definir essa nova linguagem, o termo “arte urbana” vem sendo utilizado por teóricos e especialistas para definir obras que “transpõem a linguagem do grafite e da pichação para os suportes possíveis de colecionar, como telas, fotografias, esculturas e objetos”, explica Tamara, da Feira PARTE. “São linguagens que rapidamente se integraram à produção de estúdio, o que às vezes torna difícil delimitar seus contornos.”

Nesse território híbrido, há artistas que nem chegaram a pintar na rua, mas têm influência de uma cultura urbana expressiva. É o caso de Andrey Rossi, representado pela galeria QAZ, que utiliza materiais como lona de caminhão e madeira encontrada em ruínas em suas colagens.

Com uma vertente fortemente pictórica, o paulistano Fernando Chamarelli foi reconhecido mais no exterior que no Brasil no início de sua carreira. “Pintar na tela é um trabalho solitário, planejado. Na rua, tudo pode acontecer”, diz o artista.

A criatividade não tem limites quando se trata de inventar novas técnicas. O duo paulistano 6emeia, formado por Anderson Augusto e Leonardo Delafuente, criou um jeito inovador de fazer gravura. “Pela primeira vez, o asfalto virou a matriz de uma gravura”, conta a dupla, conhecida por pintar bueiros com imagens bem-humoradas e efeitos tridimensionais surpreendentes.

 

No alto, obra de Alex Vallauri (foto menor), considerado o “Basquiat brasileiro”, e Nina Pandolfo com uma das obras de sua mais recente mostra, na Galeria Leme (SP). Acima, mural do baiano Bgod para a Bienal do MuBe e trabalho de Daniel Melim

No alto, obra de Alex Vallauri (foto menor), considerado o “Basquiat brasileiro”, e Nina Pandolfo com uma das obras de sua mais recente mostra, na Galeria Leme (SP). Acima, mural do baiano Bgod para a Bienal do MuBe e trabalho de Daniel Melim.

 

A cidade de São Paulo se destaca como uma das mais produtivas do mundo, tanto pela qualidade quanto pela quantidade de seus artistas. Basta um passeio pelas ruas para comprovar a tese. Para isso, alguns roteiros podem ajudar. Um exemplo é o projeto Arte Fora do Museu, que oferece aplicativo para iPhone (arteforadomuseu.com.br). Além disso, a São Paulo Turismo tem um roteiro temático em PDF (www.cidadedesaopaulo.com).

 

Texto Alessandra Simões

 

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Qual é a sua praia?

Para fazer uma seleção de destinos perfeitos para jornadas submarinas, consultamos especialistas, viajantes profissionais e proprietários de operadoras de mergulho. O resultado são dez lugares onde vale muito a pena ir mais fundo.

 

Se você espera algo mais do verão do que simplesmente sombra, água fresca e dolce far-niente, conheça alguns destinos onde a vida submarina pode fazer de suas férias uma experiência muito mais intensa. Tem mergulho para todos os tipos de viajante. Para ver naufrágio, para clicar a fauna marinha, para dar os primeiros “tibuns” como mergulhador autônomo… Dá ainda para escolher entre companhia de grandes predadores e de simpáticos golfinhos, render-se aos práticos mergulhos de praia, encarar aventuras a 30 metros de profundidade, e até desbravar cavernas e contemplar recifes de corais gigantes. Além de avaliar a temperatura, os tons de azul, a visibilidade e a variedade da vida marinha de cada destino, não deixe de dar a devida atenção aos momentos pós-mergulho. Estrutura, autenticidade, opções gastronômicas e hospitalidade fazem toda a diferença. E, claro, avalie se as dificuldades técnicas dos roteiros escolhidos são compatíveis com o seu preparo. Depois disso, é só colocar o snorkel e ser feliz.

 

VIAGEM NO TEMPO

Sharm el Sheikh

Apesar do nome, o Mar Vermelho é, na verdade, um golfo no Oceano Índico que banha de águas azuis-turquesa alguns privilegiados países do Oriente Médio, como Egito, Israel e Jordânia.

 

Proprietário da operadora Oxigenação, Sandro César indica um roteiro pelo Egito para quem quer se esbaldar com as belezas subaquáticas do lendário mar e ainda embarcar em um fabuloso túnel no tempo. “É uma viagem às antigas dinastias de faraós, aos caminhos de Moisés em busca da terra prometida e à batalha das Pirâmides de Napoleão”, ressalta.

 

Depois de zanzar pela cidade do Cairo, clicar o platô de Gizé, no subúrbio da capital egípcia, fitar a enigmática esfinge e sentir o clima das mesquitas mulçumanas, é hora de trocar o clima árido da cidade pelo aconchegante balneário de Sharm el Sheikh. Ali, não há tempo a perder. “São mais de 250 espécies de corais, que formam recifes que mais parecem jardins multicoloridos, e uma variedade e quantidade de peixes que deixam os mergulhadores sem saber para onde olhar”, diz César. O mais interessante é que 17% das espécies da fauna marinha são endêmicas, ou seja, só podem ser encontradas na região. Entre os animais mais cultuados pelos mergulhadores, estão os peixes-palhaço , parentes do simpático Nemo, da ficção da Disney, e o famoso lionfish.

 

PARAÍSO À BRASILEIRA

Fernando de Noronha

O arquipélago é, disparado, o melhor destino de mergulho no Brasil. Os motivos são óbvios: visual inspirador dentro e fora d’água, visibilidade perfeita e água quente o ano todo. Também, pudera – Fernando de Noronha é um dos lugares com a menor variação de temperatura no mundo. A fauna marinha do paraíso pernambucano inclui uma impressionante diversidade de tartarugas, os famosos golfinhos-rotadores – que cativam os turistas com saltos entusiasmados – e os mal-encarados tubarões-martelo, que podem ser avistados com facilidade.

 

Apesar do frenesi em torno do destino, Noronha continua mantendo os ar de paraíso. Muita coisa mudou nos últimos anos, mas não houve ocupação próxima às praias, o que garante o mais completo sossego em costões cujo acesso se dá apenas por trilhas ou de barco.

 

O arquipélago de Noronha é, disparado, o melhor destino para mergulhar no Brasil.

 

DESBRAVANDO O MEDITERRÂNEO

Córsega

Quarta maior ilha do Mar Mediterrâneo em extensão, a Córsega está em território Italiano, mas pertence à França. Segundo o instrutor de mergulho e agente de viagens da Set Sail, Guilherme Kodja, é uma das opções mais interessantes para explorar o Mediterrâneo.

Ele explica que a vida marinha nesse mar não costuma ser muito rica; por isso, é preciso saber escolher os pontos mais recomendados para cair na água. É o caso da ilha francesa, cuja biodiversidade está protegida em duas reservas naturais. As águas claras e cristalinas permitem mergulhos para ver de perto declives, formações rochosas, desfiladeiros e até destroços da Segunda Guerra Mundial. É possível fazer a operação com charter (viagens personalizadas em embarcações próprias). “Ele permite ao visitante passear, relaxar, ir ao continente para visitar os principais atrativos e montar a própria programação de mergulhos”, explica Kodja.

Segundo ele, a Córsega também convida a outras aventuras, como trilhas de bicicleta, escalada e à prática de esqui (no inverno, claro). A ilha reserva ainda muita história, como a do comandante Napoleão Bonaparte, nascido nessas terras, e oferece a boa gastronomia típica do Mediterrâneo.

 

IMERSÃO TOTAL

Tailândia

Banhada pelo Golfo da Tailândia e pelo surreal Mar Andaman, a Tailândia se revela aos viajantes em pequenas porções de terra cercada de águas límpidas e mornas por todos os lados. É o caso das ilhas Similan, do Píer de Raja (em Koh Samui) e do Shark Point, onde basta afundar 20 metros para se misturar a grandes cardumes de peixes tropicais, às arraias-manta e ao imponente tubarão-baleia. As ilhas Phi Phi, que serviram de cenário para o filme A Praia (2000), estrelado por Leonardo Di Caprio, são o grande cartão-postal do país asiático.

Apesar de ser um ponto de parada obrigatória (daqueles de deixar o turista boquiaberto), não é o melhor lugar para fazer mergulhos autônomos, por causa do excesso de badalação. Um destino desconcertante e menos disputado é a ilha Phuket, a maior da Tailândia, formada por uma infinita cadeia de baías e ilhotas que servem de base para mergulhos entre formações de corais exóticos e coloridos.

SOB O SOL DO CARIBE

Bonaire

Envolvendo dezenas de ilhas e ilhotas, cada uma com suas peculiaridades, seu idioma e sua cultura, o Mar do Caribe concentra praias de areias brancas intermináveis, boa comida, resorts de alto padrão, coquetéis à base do melhor rum e o principal: a possibilidade de fazer mergulhos riquíssimos em vida marinha. Tudo logo ali, pertinho do Brasil. Entre as várias opções de balneários nesse mar, José Augusto D’Orsi, responsável pela unidade carica da operadora Narwhal, indica a ilha de Bonaire (a 47 milhas da costa da Venezuela). “A visibilidade é espetacular, entre 40 e 50 metros, a água é quente, com temperatura média de 25 °C, e a vida marinha é riquíssima, sem falar nos mergulhos de praia.”

Estima-se que 470 espécies de peixes vivam nos corais de Bonaire. Dos 86 pontos de mergulho, 60 são acessíveis pela costa, o que torna a ilha conhecida por oferecer o melhor e mais fácil mergulho de praia no mundo. A opção de se equipar na superfície e iniciar a atividade em águas pouco profundas pode ser ótima para quem está iniciando no mergulho autônomo. Já a coloridíssima vida marinha faz de Bonaire, que pertence politicamente aos Países Baixos, um lugar cobiçado pelos amantes da fotografia subaquática.

 

DESAFIANDO DARWIN

Galápagos

Paraíso perdido no Oceano Pacífico, o exótico arquipélago de Galápagos, a quase mil quilômetros do Equador, é formado por 13 ilhas de origem vulcânica. O destino, que serviu de laboratório vivo para o naturalista Charles Darwin (1809-1882), é um consenso no mundo do mergulho, indicado por operadores, viajantes e instrutores. “O maior atrativo é a possibilidade de mergulhar com os ‘grandes’, como o tubarão-baleia, a arraia-manta e o tubarão-martelo”, explica Augusto D’Orsi, da Narwhal.

O economista Rodrigo Junqueira e sua mulher, a publicitária Ana Biselli, desbravaram o continente em uma expedição de carro batizada “1.000 Dias por Toda a América”. Segundo a dupla, Galápagos propiciou os mais fascinantes mergulhos da jornada. “Darwin só conheceu a parte emersa, mas a quantidade e a variedade de organismos debaixo d’água são ainda mais impressionantes”, diz Ana. Ela explica que o encontro de correntes de água quente e fria propicia a riqueza de nutrientes que garante a biodiversidade única do arquipélago. “Mergulhamos com tubarões-baleia, tubarões-martelo, pinguins, lobos-marinhos e peixe-lua”, relembra Ana.

A ilha mais usada como base para explorar a região é a de São Cristóvão. Mas, como os pontos de mergulho estão espalhados, a dica é optar por um liveaboard (viagem em embarcação própria), que garante autonomia para desbravar o território.

 

NA ILHA DE FIDEL

Cuba

Além de propiciar uma viagem aos anos 1950, com o desfile de Cadillacs bem-conservados (às vezes, nem tanto) pelas ruas das cidades e trilha sonora da melhor qualidade, o arquipélago cubano, composto de 4.200 ilhas, está entre os destinos mais interessantes do globo para desbravar as surpresas do fundo do mar. Essa região do Caribe já foi palco de histórias de piratas e tentativas de invasão e fuga de refugiados, mas, hoje, faz sucesso mesmo entre pacíficos mergulhadores.

 

Quem chega a Varadero, estância balneária a 140 quilômetros da capital Havana, descobre logo que a ilha socialista sabe muito bem como paparicar os capitalistas. São 20 quilômetros de praia de areia branquinha, palmeiras e pelicanos, que dividem a beira-mar com os hóspedes de resorts internacionais de alto padrão. Ao todo, a orla exibe 23 pontos de mergulho, com destaque para o naufrágio da Fragata Russa 383, a 33 metros de profundidade, atração para mergulhador nenhum botar defeito.

 

Mergulhador de primeira viagem

Para quem nunca fez um mergulho autônomo (com cilindro), vale a pena investir em um curso Open Water Diver, que garante uma carteira de mergulhador certificado, antes de embarcar para algum (ou alguns) dos paraísos citados nesta reportagem. Para isso, são necessárias cinco aulas em ambientes fechados (piscina ou um lugar semelhante) e quatro aulas em ambientes abertos (oceano, lago, rio etc.). O curso é oferecido por diversas escolas de mergulho brasileiras, como a Narwhal e a Oxigenação. Ambas têm filiais em várias capitais do país.

Caso você vá viajar para um destino de mergulho sem ter certificado, a recomendação é optar pelos programas de “Batismo”, que podem ser realizados no próprio destino. Em apenas meio dia, é possível aprender técnicas básicas de flutuação em águas pouco profundas e a usar o equipamento de mergulho pela primeira vez. Depois disso, já é permitido se arriscar em mergulhos em águas mais profundas (no máximo, 12 metros), acompanhado de um instrutor. E, à medida que o mergulhador se torna mais experiente, passa a participar de níveis de treinamento mais elevados. Portanto, aproveite nossas sugestões para começar a treinar e chegar cada vez mais fundo.

 

 

EM BOA COMPANHIA

Cozumel

Outro destino imperdível no Caribe, Cozumel fica ao sul de Cancún, mas em nada lembra o agitado ritmo das praias vizinhas. A ilha mexicana tem menos resorts e badalação que outros paraísos caribenhos e reúne atributos que costumam entusiasmar os mergulhadores: água quente, praias vazias e mares ricamente povoados.

 

O sul da ilha abriga a segunda maior barreira de corais do mundo, que pode ser admirada com facilidade, graças à visibilidade média de 30 metros. Na verdade, por mais raso que seja o mergulho, a visão por ali é sempre espetacular. E mais: no Parque Chankanaab, é possível nadar com golfinhos bem amigáveis.

 

 

CLIQUES INCOMPARÁVEIS

Indonésia

Insólita e cobiçada por fotógrafos, cientistas e mergulhadores de toda a parte do globo, a Indonésia é um dos lugares mais diversos do mundo para mergulhar – e, paradoxalmente, um dos menos conhecidos pela maior parte das pessoas. Entre as várias opções, estão as ilhas de Raja Ampat, que compreendem 753 quilômetros de praias de areia fina e um mar tão vasto em vida que novas espécies de peixes e corais estão sendo registradas e descobertas a cada instante. Quem dá a dica é o casal de mergulhadores Cláudio e Joyce Guimarães, que percorreu dezenas de países com o projeto “Terra sem Fronteiras”, submergindo sempre que possível.

 

“As águas cristalinas de Raja Ampat propiciam encontros com peixes que parecem extraterrenos, ora bizarros, ora deslumbrantes, como a raia-jamanta”, conta Joyce. Fora d’água, os cenários também são de deixar boquiaberto até o mais experiente dos viajantes. São aproximadamente 18 mil ilhas, das quais 6 mil são inabitadas, o que torna as possibilidades de aventura infindáveis. “A vida selvagem é vibrante. Inclui tigres, elefantes e orangotangos que habitam florestas tropicais próximas a praias idílicas, de areias brancas, nobres arrozais e templos exóticos”, diz a viajante, que documenta as várias expedições que empreende mundo afora ao lado do marido, fotógrafo.

 

 

AVENTURA SOB MEDIDA

Austrália

Para o instrutor de mergulho José Augus – to D’Orsi, a Barreira de Corais da Austrá – lia é um dos lugares mais entusiasman – tes em termos de fauna marinha. São mais de 2 mil quilômetros de extensão de pura diversida – de, no maior sistema de recife de corais do pla – neta.

 

Para conferir as vibrantes cores desse mar, a dica é seguir para o Estado de Queensland, no nordeste do país. Lá, a partir de balneários como Cairns, Port Douglas e Townsville, é possível fa – zer passeios em barcos com casco de vidro, que permitem apreciar o visual mesmo antes de sub – mergir, e se aventurar em mergulhos livres ou com cilindro.

 

O visitante pode optar ainda por fazer a prática em pontos tranquilos ou mais de – safiantes, a exemplo das cavernas submersas. Além dos incontáveis moluscos, peixes e tarta – rugas, as praias costumam ser frequentadas por tubarões de diferentes espécies.

 

Os fãs de adrenalina podem seguir até o sul da Barreira. “Um dos maiores predadores dos mares, o grande tubarão branco, pode ser con – templado em mergulhos com gaiolas”, conta o instrutor Augusto D’Orsi. Esse tipo de operação é realizada na Ilha Netuno, a 70 quilômetros da cidade de Port Lincoln, onde foram filmadas ce – nas do filme Tubarão (1975).

 

 

 

SERVIÇO

Câmbio Turismo n Daycoval Câmbio: 0300 111 2009 / daycovalcambio.com.br

Escola de mergulho n Narwhal: 21 3268-3364 / narwhal.com.br

Operadoras n Kangaroo: 11 3509-3800/kangaroo.com.br

Oxigenação: 11 4337-1393 / oxigenacao.com.br

Charter n Set Sail: setsail.com.br

 

Texto Camila Fróis

 

 

 

 

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ENTRETENIMENTO

Momento Relax: os melhores e mais inovadores spas do mundo

Cerimônias indígenas, banhos árabes, rituais de beleza à francesa. Dos lagos suíços às longínquas terras do oriente, conheça os melhores e mais inovadores spas do mundo.

Em um mundo onde as cidades impõem um ritmo de vida frenético à população, com trânsito caótico e jornadas de trabalho cada vez mais estressantes e desafiadoras, é indispensável impor-se um momento de pausa, de reflexão, de conexão. Nesse contexto, os spas surgem como aliados estratégicos para quem busca cuidar não só do corpo, mas também da mente. Para tornar a experiência totalmente revigorante e exclusiva, vários desses centros de relaxamento estão instalados em cenários idílicos e vêm adotando filosofias e tratamentos realmente transformadores – não importa se olhando para o futuro ou resgatando tradições do passado. Hoje, o viajante que procura momentos de paz e cuidados especiais tem à disposição desde centros high tech, especializados em tratamentos holísticos, até espaços inspirados na medicina indígena ou oriental, onde matérias-primas tão distintas quanto seiva de videira e partículas de ouro transformam-se em protagonistas de terapias voltadas ao rejuvenescimento, ao relaxamento profundo e até à cura. A seguir, selecionamos alguns dos mais conceituados e inovadores spas do planeta.

 

TRADIÇÃO MAIA

Kinan Spa, Riviera Maya, México

Localizado estrategicamente na Península de Yucatán, a terra dos maias, a poucos quilômetros de algumas das mais espetaculares ruínas arqueológicas do México (como Tulum, Cobá e Chichén Itzá), o Kinan Spa é inspirado na cultura de um dos mais antigos povos da Mesoamérica. Tudo aqui remete aos maias, começando pela arquitetura, que reflete a geometria sagrada, com orientação astrológica. As camas de massagem foram dispostas de tal forma que a cabeça dos clientes esteja sempre apontando para o oeste, uma referência a novos começos. Os tratamentos também refletem as crenças e filosofias do povo indígena – há rituais com ervas cultivadas localmente para eliminar toxinas e tratamentos à base de chocolate, o mais mexicano dos ingredientes. Além de um “labirinto de paz”, há um temazcal, tenda espiritual em forma de pirâmide de frente para o mar, onde são realizadas cerimônias de purificação conduzidas por um xamã, que envolvem cantos, meditação e um banho de vapor com pedras vulcânicas e ervas que, segundo os locais, têm alto poder curativo e transformador. O Kinan oferece ainda um amplo menu de massagens e banhos, além de aulas de ioga, que podem ser realizadas no alto de uma torre.

 

Ar puro | Situado em uma das regiões mais preservadas da Suíça, o La Prairie é especialista em tratamentos rejuvenescedores

 

belmond.com/maroma-resort-andspa-riviera-maya

 

RESPALDO MÉDICO

Clinique La Prairie, Montreux, Suíça

Tudo começou na década de 1930, em uma bela propriedade às margens do Lago Genebra, com vistas arrebatadoras para os Alpes e a fama de ter um ar de ótima qualidade. Pioneira no conceito de spa médico e, desde então, referência mundial em tratamentos antienvelhecimento e de bem-estar, a Clinique La Prairie conta com um corpo médico formado por profissionais de mais de 60 especialidades e tecnologia de ponta em todos os tratamentos. Depois de quase um ano fechada para reforma, a clínica acaba de ser reinaugurada. A grande estrela do complexo remodelado é o novo spa: um espaço de 1,6 mil metros quadrados, com design futurista e conceito inovador. Especializado em tratamentos holísticos voltados ao embelezamento, à energização e ao equilíbrio de corpo e mente, o spa tem projeto arquitetônico inspirado nas formas e na fluidez da natureza, pensado para intensificar a experiência sensorial dos hóspedes. As paredes das salas de massagem, por exemplo, imitam o movimento das ondas, e a cor da luz de cada ambiente varia segundo o tipo de tratamento: azul para os procedimentos faciais e verde para os corporais.

O novo menu de tratamentos combina sofisticadas técnicas de dermatologia, equipamentos com tecnologia de ponta e cosméticos verdadeiramente milagrosos – a única marca usada é a Swiss Perfection, reconhecida pela eficácia de seus produtos antienvelhecimento. O La Praire oferece desde programas completos de beleza, com duração de uma semana, até o day spa, tratamentos de um único dia. Uma das novas opções de terapia embelezadora é o pacote purificador, voltado ao emagrecimento e à melhora da qualidade da pele. Com duração de três horas, começa com uma esfoliação corporal, seguida de hidratação com algas marinhas. O próximo passo é a estimulação com um equipamento que acelera o sistema microcirculatório e drena o tecido. Para finalizar, uma sessão de fotoestimulação celular.

laprairie.ch

 

BELEZA DE GRIFE

Dior Institute, Paris, França

Um dos grandes acontecimentos de 2014, em Paris, foi a reabertura do lendário Plaza Athénée, em agosto, depois de uma ampla reforma. Junto com um dos mais tradicionais hotéis do mundo, renasceram outros ícones da exclusividade francesa, instalados no mesmo ambiente aristocrático: o restaurante Alain Ducasse au Plaza Athénée, dono das cobiçadas três estrelas Michelin, e o spa Dior Institute. Ali, em um espaço de 450 metros quadrados e design ultramoderno, todos os tratamentos começam com uma massagem exclusiva, combinando técnicas orientais e ocidentais, e seguem com a aplicação dos poderosos cosméticos by Dior. O toque final fica por conta da maquiagem – com produtos Dior, claro. Um dos tratamentos de assinatura do spa é o Milagre de l’Or de Vie, baseado em um dos ingredientes mais preciosos da grife: a seiva de Yquem, retirada artesanalmente das videiras de uma das mais renomadas vinícolas francesas, o Château d’Yquem, e submetida a um rigoroso processo de purificação, que envolve 17 etapas. Considerada um poderoso antioxidante natural, a seiva de Yquem é capaz de estimular uma grande variedade de genes responsáveis pela longevidade da pele.

 

 

A relação da marca com o hotel é antiga: remonta à criação da Maison Dior, em 1946. O próprio estilista Christian Dior (1905-1957) tinha o Plaza Athénée como sua segunda residência. Portanto, nada mais natural que o icônico edifício de toldos vermelhos e flores nas janelas da Avenue Montaigne tenha sido o endereço escolhido para hospedar um dos mais luxuosos spas de beleza do mundo.

dorchestercollection.com/paris/hotel-plaza-athenee

 

O ORIENTE É AQUI!

Aigai Spa, São Paulo

Por trás de uma bela fachada, coberta de verde e um incrível painel de formas geométricas, um casarão de esquina no bairro Alto de Pinheiros guarda um dos maiores e mais novos segredos da capital: um pedacinho do Marrocos no coração de São Paulo. Do lado de dentro, espelhos d’água, pátios banhados de luz natural e pergolados de muxarabi (a tradicional treliça de madeira típica dos palacetes árabes) compõem o cenário perfeito para tratamentos inspirados no Oriente. O Aigai abriga, por exemplo, o primeiro hammam (foto) da América Latina, uma espécie de sauna a vapor onde o cliente se deita em um bloco de pedra aquecido para receber uma esfoliação corporal, seguida de um banho especial. As terapias baseadas no poder revigorante da água são as principais estrelas do espaço, todas realizadas com equipamentos da marca alemã Dornbracht, conhecida pelos banhos tecnológicos com suas duchas verticais e horizontais e pelo Rain Sky – uma megaducha com borrifadores diferentes para a cabeça e o corpo, que criam uma “cortina de chuva”, ou seja, uma parede sólida de água. Há também terapias como shiatsu, abhyanga e massagens personalizadas.

Tel. 11 3034-3939 / welcome@aigaispa.com.br

 

DEBAIXO D’ÁGUA

Lime Spa, Huvafen Fushi, Maldivas

Cercado pelas águas tranquilas e transparentes do Oceano Índico, o arquipélago das Maldivas se espalha por mais de 800 quilômetros de norte a sul e soma exatas 1.190 ilhas e ilhotas que são a própria materialização do paraíso na Terra. Uma delas, no atol de North Male, atende pelo nome de Huvafen Fushi e abriga um dos mais luxuosos hotéis locais, onde se destacam as icônicas palafitas sobre as águas, as piscinas com borda infinita e uma série de mimos para os sortudos hóspedes, sendo que um deles merece atenção especial: o Lime Spa. Nesse centro de relaxamento, o visual estarrecedor dos arredores é só o começo. Para que os hóspedes tenham uma experiência inigualável, os proprietários decidiram usar as mais modernas técnicas arquitetônicas para construir suítes de tratamentos debaixo d’água. Trata-se do primeiro spa subaquático do mundo, onde as massagens são acompanhadas pelo vaivém de cardumes de peixes coloridos, com vista para belas barreiras de corais. A sensação é de estar mergulhando durante os tratamentos. Um deles, batizado Fluidez, é feito sobre um colchão de água aquecido.

 

O hotel trabalha ainda com técnicas tipicamente orientais, como a reflexologia, o reiki e o shirodhara, uma das modalidades mais famosas da medicina ayurvédica, que propõe um profundo relaxamento, com a aplicação de um fluxo contínuo de óleo aquecido sobre o terceiro olho.

 

huvafenfushi.peraquum.com

 

SABEDORIA MILENAR

Aman at Summer Palace, Pequim, China

No século 18, a Cidade Proibida era o epicentro da agitação e da vida na capital chinesa. Foi então que o imperador Qianlong mandou erguer um oásis de paz a 15 quilômetros de Pequim, onde pudesse passar os meses mais quentes do ano com toda a tranquilidade. Nascia assim um dos maiores cartões-postais da China: o Palácio de Verão – na verdade, um complexo de palacetes às margens do Lago Kunming. No século 19, as luxuosas instalações abrigaram a famosa e temida imperatriz Cixi, a última monarca impe – rial da China. Recentemente, os aposentos que recebiam seus hóspedes deram lugar a um dos mais exclusivos hotéis do país, o Aman at Summer Palace. Cercado de exuberantes jardins e lagos, onde repousam flores-de-lótus, o spa é um oásis moderno, que soube preservar os ensinamentos milenares da medicina tradicional chinesa. Um dos principais tratamentos se baseia nos princípios da Ton Ren Tang, prática utilizada por membros da dinastia Qing desde 1669, que envolve a combinação de um poderoso emplastro de ervas e massagem. O objetivo é gerar calor, aquecendo o corpo e os órgãos, estimulando assim a circulação e aliviando a tensão muscular. Acupuntura, terapia de ventosas e a tradicional massagem chinesa são outras opções à disposição dos hóspedes. O espaço conta ainda com quadra de squash, piscina coberta e aquecida, estúdio de pilates e grande variedade de banhos e tratamentos de beleza.

amanresorts.com/amanatsummerpalace/home.aspx

 

 

SERVIÇO

Câmbio Turismo – Daycoval Câmbio: 0300 111 2009 / daycovalcambio.com.br

 

Texto: Rachel Verano

 

 

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