INVESTIMENTOS

Por que a nova regulamentação do Banco Central para compra de ativos de crédito privado ajuda a estabilizar o mercado

Por Patrick Cruz

Na última terça-feira (23/6), o Banco Central revelou as condições em que atuará na compra de ativos no mercado secundário, através da circular 4.028. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento de Guerra, aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 6 de maio de 2020, já previa a possibilidade de o BC adquirir títulos de crédito privado, mas agora, com a regulamentação, esse instrumento pode ser adotado na prática – e isso contribui diretamente para o reequilíbrio do preços dos ativos. 

A crise que surgiu com o novo coronavírus desestabilizou os mercados financeiros em todo o mundo. Um dos inúmeros desdobramentos dessa crise foram os resgates de aplicações financeiras. Esse movimento, repentino e de grande escala, criou distorções que agora podem ser reduzidas pela atuação do BC, explica Jaques Iglicky, diretor de Administração da Daycoval Asset Management.

“Mesmo empresas com ótimo histórico de crédito, que nunca passaram por um default e têm altíssima classificação de risco foram penalizadas”, diz. Com os resgates feitos por muitos investidores, exigiu que os fundos liquidassem parte de suas carteiras em volume muito maior que o habitual, o mercado de uma hora para outra foi “inundado” por papéis de empresas de todos os tipos. Nessas ocasiões, a demanda maior é por papéis de empresas com boa reputação de crédito (High Grade)”.

 O Banco Central agora pode atuar como comprador em momentos de disfunção do mercado para ajudar a reequilibrar essas distorções. As operações de aquisições dos ativos de crédito privado serão feitas de acordo com os preços de referência divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e pela B3. “Ele não vai atuar como formador de preço, mas como tomador de preço”, explica Iglicky.

Outros pontos da regulamentação preveem ainda limites à carteira do BC por emissor, série de ativo e classe de risco. Além disso, os papéis a serem comprados pelo Banco Central precisarão ter, no mínimo, a classificação “BB-” em uma das três principais agências internacionais de rating, prazo de vencimento superior ou igual a 12 meses. Esses ativos não poderão carregar ônus ou gravame, nem cláusula de subordinação, conversão em ações, repactuação ou permutação.

 O pico de desequilíbrio nos preços dos ativos foi registrado entre a segunda semana de março e a primeira quinzena de abril, segundo o diretor da Daycoval Asset Management. Depois disso, com a entrada mais firme de compradores que não costumam ser tão ativos no mercado secundário de crédito privado, já se fez notar um princípio de acomodação dos preços. Agora, a circular 4.028 normatiza a atuação do BC no mercado secundário de crédito privado que reforçará a estabilização desse mercado em momentos de estresse.

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