PALAVRA DO ECONOMISTA

Produção industrial cresce ajudada por mais dias úteis em fevereiro

PIM Fevereiro/2019

Veja o relatório em PDF aqui

Em fevereiro, a produção industrial avançou 0,7% frente a janeiro, na série com ajuste sazonal. Tal resultado foi abaixo da nossa expectativa de 1,25% e 1,0% da mediana do mercado segundo estimativas da Bloomberg. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior o avanço foi de 2,0%. Primeira variação positiva desde novembro de 2018. O acumulado em 12 meses, no entanto, permaneceu constante em 0,5%. Todavia, o desempenho positivo só foi possível dado o efeito calendário com mais dias úteis em função do carnaval cair em março. Segundo o IBGE, se retirado esse efeito, a produção teria recuado 1,3% na comparação interanual em fevereiro, equivalente a -1,1% na variação mensal dessazonalizada.

Nesta leitura, há modificações marginais nos destaques que vínhamos trazendo nas ultimas publicações relacionado às categorias de Bens de Capital e Bens de Consumo Duráveis.

Bens de Capital avançou 4,6% em relação a janeiro e 7,0% frente a fevereiro de 2018 apagando a queda do mês anterior de -7,0%, com isso a categoria avança 0,1% no acumulado do ano. Bens de Consumo Duráveis, por sua vez, avançou 3,7% em comparação ao mês anterior (na série com ajuste sazonal) e 12,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No entanto, a despeito do avanço na margem tanto de Bens de Capital quanto Bens Duráveis o baixo dinamismo ainda perdura como é explicitado pela queda de 6,9% e 0,1% de Bens de Capital e Bens Duráveis respectivamente na métrica do trimestre terminado em fevereiro contra período imediatamente anterior.

É importante destacar que Bens de Capital é um importante vetor dos investimentos produtivos no setor e também da expectativa dos empresários em relação à demanda futura. A despeito da alta da confiança verificada no final do ano passado, não houve mudança no ímpeto de novos investimentos devido, em nossa opinião, a um elevado nível de ociosidade da indústria e também da perspectiva de que talvez a atividade não ganhe tração no curto prazo que justificasse tais investimentos.

De modo geral, os dados da Produção Industrial de fevereiro, a despeito da melhora marginal, corroboram com a nossa perspectiva de retomada econômica bastante gradual. Com isso, nossa projeção para crescimento da economia brasileira em 2019 permanece em 2,3%, mas com viés baixista e de 2,5% para 2020.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe
rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro
antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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