PALAVRA DO ECONOMISTA

Produção Industrial de janeiro reforça cenário de baixo dinamismo

PIM Janeiro/2019

Veja o relatório em PDF aqui

Em janeiro, a produção industrial caiu 0,8% frente a dezembro, na série com ajuste sazonal. Tal resultado foi abaixo da nossa expectativa de -0,6% e -0,1% do mercado. Na comparação contra o mesmo período do ano anterior a queda foi mais acentuada, de -2,6%. Terceiro mês consecutivo de variação negativa nesta métrica. O acumulado em 12 meses, por outro lado, permaneceu em território positivo, de 0,5%.

Nesta leitura, assim como nas anteriores, destacamos o desempenho negativo das categorias de Bens de Capital e Bens de Consumo Duráveis. Na margem Bens de Capital caiu 3,0% em relação a dezembro e 7,7% frente a janeiro de 2018. Por outro lado, Bens de Consumo Duráveis avançou 0,5% em comparação ao mês anterior (na série com ajuste sazonal). Apesar do avanço na margem, Bens Duráveis continua com baixo dinamismo como é explicitado pela queda de 4,8% frente ao trimestre anterior. Na comparação trimestral, Bens de Capital apresenta desempenho ainda pior com queda de 7,6%.

É importante destacar que Bens de Capital é um importante vetor dos investimentos produtivos no setor e também da expectativa dos empresários em relação à demanda futura. A despeito da alta da confiança verificada no final do ano passado, não houve mudança no ímpeto de novos investimentos devido, em nossa opinião, a um elevado nível de ociosidade da indústria e também da perspectiva de que talvez a atividade não ganhe tração no curto prazo que justificasse tais investimentos.

De modo geral, os dados da Produção Industrial de janeiro corroboram com a nossa perspectiva de retomada econômica bastante gradual. Com isso, nossa projeção para crescimento da economia brasileira em 2019 permanece em 2,3%, mas com viés baixista. Além do mais, dado o comportamento benigno da inflação, visto na publicação do IPCA de fevereiro (aqui) e a perspectiva de baixa atividade, nossa projeção de juros baixos por um longo período, se reforçou. Esperamos juros nos patamares atuais de 6,50% a.a até pelo menos o primeiro trimestre de 2020.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe
rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro
antonio.castro@bancodaycoval.com.br

 

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