PALAVRA DO ECONOMISTA

Vendas no varejo foram impulsionadas pela “Black Friday”

PMC de novembro/18

Veja o relatório em PDF aqui

As vendas do comércio varejista subiram 2,9% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal, bem acima do 1% esperado na mesma métrica. Na comparação com novembro de 2017, sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram alta de 4,4% em novembro de 2018, também bem acima da expectativa de 2,2%. Nesse confronto, o piso do intervalo era redução de 0,20% e a mediana, positiva de 2,05%. As vendas do varejo restrito acumularam crescimento de 2,5% no ano. No acumulado em 12 meses, houve avanço de 2,6%.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas subiram 1,5% em novembro ante outubro, na série com ajuste sazonal, acima do esperado de 0,6%. Na comparação com novembro de 2017, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 5,8% em novembro de 2018, também acima dos 4,3% esperados. As vendas do comércio varejista ampliado acumularam alta de 5,4% no ano. Em 12 meses, o resultado foi de avanço de 5,5%.

Assim como em anos recentes anteriores, os dados de varejo referentes a novembro tem sido surpreendentemente positivos. Apesar de parcialmente já incorporada ao ajuste sazonal, acreditamos que tal fenômeno esteja ligado ao amadurecimento da “Black Friday”, que impulsiona as vendas com descontos e promoções, e tem se expandido ano a ano. Neste sentido, um dos indícios é a maior intensidade de crescimento dos setores com destacado canal de vendas online.

Outro fenômeno que nos chama a atenção é a perda de dinamismo de setores relacionados a crédito¹, especialmente pós-maio. Este setores tem relação mais próxima com decisões de longo prazo dada a necessidade de renda futura, acesso a crédito e confiança para realiza-las. Tal fato tem semelhança com a pior performance de bens de capital e de bens duráveis na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE após o mesmo período. De volta ao varejo, os setores mais relacionados a renda² tiveram performance mais positiva na margem impulsionados possivelmente pela “Black Friday”, como pontuado anteriormente.

De modo geral, as vendas varejistas, assim como outros indicadores de atividade, tem apresentado crescimento mais moroso do que o esperado em meados do primeiro trimestre quando chegaram a crescer 3,8% no acumulado em 12 meses (2,6% em novembro na mesma métrica). Neste sentido, colocamos nossa projeção de crescimento do PIB do quarto trimestre de 2018 de 0,5% em viés de baixa assim como o crescimento de 1,3% esperado para 2018. Já para 2019 mantemos nossa expectativa de crescimento de 2,5% do PIB.

¹ Móveis e eletrodomésticos; Veículos, motocicletas, partes e peças; e Material de construção.

² Combustíveis e lubrificantes; Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; Tecidos, vestuário e calçados; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; Livros, jornais, revistas e papelaria; Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação; Outros artigos de uso pessoal e doméstico.

 

Rafael G. Cardoso, economista-chefe
rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro
antonio.castro@bancodaycoval.com.br

Privacy Settings
We use cookies to enhance your experience while using our website. If you are using our Services via a browser you can restrict, block or remove cookies through your web browser settings. We also use content and scripts from third parties that may use tracking technologies. You can selectively provide your consent below to allow such third party embeds. For complete information about the cookies we use, data we collect and how we process them, please check our Privacy Policy
Youtube
Consent to display content from Youtube
Vimeo
Consent to display content from Vimeo
Google Maps
Consent to display content from Google
Spotify
Consent to display content from Spotify
Sound Cloud
Consent to display content from Sound