INVESTIMENTOS

Venture Capital e a transformação de ideias em oportunidades

Inovação, ousadia, risco e rentabilidade. Essas quatro palavras resumem a essência do Venture Capital, investimento direto em empresas nas quais se espera um crescimento rápido e expressivo. Um mercado que há dez anos não tinha representação significativa no cenário financeiro do Brasil e que agora desponta como um segmento importante para quem mira em diversificar os seus investimentos e garantir maior retorno. Em cinco anos, esse mercado saltou de R$ 500 milhões anuais para R$ 20 bilhões em 2020, colocando o Venture Capital como uma classe de ativos importante no cenário nacional por seu caráter dinâmico e potencial de crescimento. Para o Banco Daycoval, que atende 30 Fundos de Venture Capital, acompanhar esse movimento inovador na área de investimento é fundamental e satisfatório, visando dar suporte para o segmento de inovações e participar deste intenso movimento.

Este movimento de crescimento do Venture Capital coincide com a valorização do empreendedorismo, com o surgimento de muitas startups e dos primeiros unicórnios (jovens empresas com valorização superior a US$ 1 bilhão) do país e a mudança estrutural no cenário de juros, com taxas em patamares historicamente baixos para os padrões brasileiros, incentivando a oferta de produtos financeiros diferenciados. Isso mostra, segundo Renato Ramalho, CEO da KPTL e cliente Daycoval, que o mercado precisou deixar a preguiça de lado e buscar alternativas para investir dentro de um cenário que exige rapidez e diversificação para garantir bons resultados. Para ele, a migração dos recursos da renda fixa para a economia real é uma oportunidade.

Em todo o mundo o Venture Capital cresce com ideias disruptivas. Mas, no Brasil, há uma outra brecha: há um forte avanço na busca de empresas que apresentam soluções para as diversas ineficiências do país, seja atuando em vácuos do governo ou em áreas típicas do setor privado. Ramalho lembra que essas frentes se apresentam como excelentes apostas para quem quer empreender e, na avaliação dele, boas soluções tendem a conseguir acessar os recursos disponíveis no país. Muitos dos casos de sucesso do país, que inspiram novos empreendedores, surgiram para cobrir lacunas importantes, como solucionar a burocracia no mercado imobiliário, auxiliar na bancarização de significativa parcela da população ou atender a desafios logísticos que se tornaram primordiais com a pandemia.

Esse cenário faz com que jovens talentos das universidades brasileiras, que antes almejavam posições em grandes empresas ou a estabilidade do concurso público, estejam cada vez mais abertos ao empreendedorismo, completando o ciclo do Venture Capital. “O custo de capital mais baixo cria um maior dinamismo, ele é o principal catalisador de mudanças. Assistimos ao momento em que a queda no custo de capital leva as corporações a aumentar seus investimentos em busca de eficiência. Nessa hora entram os Venture Capital, responsáveis pelo desenvolvimento de boas companhias baseadas em tecnologia e inovação, empresas que as grandes corporações irão buscar no mercado para atender suas demandas por eficiência” explica Ramalho.

Mas há os desafios deste novo mundo. E eles não são poucos. Se antes para decidir onde investir era necessário apenas pensar na solidez da instituição e na visão aguçada do gestor, hoje há mais elementos que entram nesse cálculo. No caso do Venture Capital, o maior desafio é saber identificar, entre tantas ideias inovadoras, quais terão potencial para, de fato, se tornarem um caso de sucesso. Muitas iniciativas ficarão pelo caminho, em um processo de “seleção natural” do mercado, levando consigo alguns valores que nunca serão recuperados. No Venture Capital é nítida uma das principais leis do mercado: grandes retornos sempre estão associados a maiores riscos.

Para atenuar parte dos riscos, gestores de Venture Capital apontam para a necessidade de ter critérios claros de avaliação. Ramalho conta que na KPTL há três macrotendências que orientam as escolhas dos investimentos: envelhecimento populacional (aumenta a demanda por infraestrutura de saúde, previdência e financeira, além da perda de força de trabalho jovem); Urbanização (saneamento, educação, transporte público e segurança) e Mudanças Climáticas (ganho de eficiência na produção de alimentos com menor impacto ambiental). Portanto, empresas nesses segmentos são estratégicas.

Olhar para mercados de Venture Capital mais maduros que o brasileiro ajuda a entender este segmento. Em Israel, por exemplo, há lições importantes para esse modelo de negócio: é preciso clareza nos objetivos e escalabilidade do produto ou solução. Para Michel Abadi, cofundador da Maverick Venture Capital, parceira do Daycoval em possibilitar o acesso a este setor israelense, é necessário compreender que investimentos em startups são de alto risco. Porém, se configuram em excelentes ativos se a escolha partir de gestores especializados, que entendam as especificidades desse modelo de negócios.

Abadi destaca que é preciso ter em mente que as empresas escolhidas precisam trazer algo inédito, que seja bom o bastante para ganhar valor de mercado e depois ser comprado por uma grande corporação. E, para a Maverick, o primeiro fator para escolha são as pessoas que criaram e fazem parte das empresas que buscam investidores. “É como um casamento, você vai passar bons e maus momentos com essas pessoas. Você precisa saber se elas vão ou não aceitar os seus conselhos e se eles vão estar abertos a decidir coisas juntos. Se terá abertura ao diálogo”, explicou.

Ao traçar um paralelo entre Venture Capital no Brasil e em Israel, Abadi disse que o Brasil precisa mirar no desenvolvimento de produtos e soluções voltados também para o mercado internacional e não somente para atender demandas locais. Ele lembra que o sucesso dessa indústria em Israel está justamente no desenvolvimento de empresas que já são desenhadas visando à internacionalização.

Além disso, Abadi lembrou que a demanda por tecnologia militar de alta precisão também fez o Venture Capital do país estar muito ligada à tecnologia. Assim, ele acredita que, no caso brasileiro, o agronegócio, uma das nossas fortalezas econômicas, deve ser um vetor nessa área. Na opinião dele, acompanhar as Agtechs no Brasil é algo primordial, pois a demanda por inovações no campo é incentivada pela necessidade de maior produtividade com menor impacto ambiental.

Por fim, é preciso ter um olhar sobre a regulamentação do segmento. Mesmo sem interferir no setor, a ação governamental pode dar suporte para que essa indústria avance ainda mais, ou funcionar como uma âncora. Abadi lembrou que o governo de Israel teve papel relevante no desenvolvimento de Venture Capital no país ao criar condições para que investidores e empreendedores tivessem um ambiente seguro e simples. A criação de um ambiente amigável no Brasil já começou, com o marco legal das startups, mas ainda está longe do que ocorre em mercados maduros. Por exemplo: nos Estados Unidos e no Canadá, fundos de pensão investem em Venture Capital, algo que ainda não ocorre no país.

Tendência mundial, o Venture Capital chegou forte no Brasil e não dá mostras de que será algo passageiro. Conhecer suas características e contar com um suporte experiente ajudam a navegar neste novo mundo, no qual boas ideias podem gerar bilionários do dia para a noite, mas problemas de implementação e devaneios tendem a destruir montanhas de recursos na mesma velocidade.  Assim, ele precisa ser cada vez mais considerado como opção, lembrando de seu dinamismo, riscos e oportunidades.

Próximos eventos do setor

VC Challenge 2021 – de 31 de julho a 21 de agosto

Com a missão de disseminar conhecimentos sobre Venture Capital e Empreendedorismo, o VC Challenge, organizado pela KPTL, e apoiado pelo Banco Daycoval, entra em sua 4ª edição em 2021. O evento online visa estimular jovens estudantes que têm interesse em se aproximar do ecossistema de inovação e tecnologia. Mais informações: https://kptl.com.br/vc-challenge/

Venture Capital Summit 2021 – dias 11 e 12 de agosto

Não perca a oportunidade de conhecer os principais cases e estratégias de investimentos em startups em early stage. Com realização do Distrito, plataforma de inovação para startups, empresas e investidores; serão dois dias de evento online e gratuito com os maiores especialistas em gestão de capital de risco. Mais informações, clique aqui.

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