Petróleo sobre quase 30%. Confira as notícias da semana para o mercado financeiro

Tempo de leitura: 3 minutos

Aqui no Blog do Daycoval, toda segunda-feira, você acompanha as principais notícias da semana do mercado financeiro, com comentários do assessor de investimentos do Daycoval Investe, Arthur Maia. Confira:

Mercados

A semana começa intensa com uma forte escalada no preço do futuro do petróleo, que rompeu os 100 dólares/barril e quase alcançou os 120 dólares, em uma alta de quase 30% na noite de domingo. A escolha pelo Irã do filho do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo morto no conflito, para sucessão sinaliza uma manutenção do regime e aumenta a pressão de um confronto mais duradouro e intenso. Assim, não há uma sinalização de que o Estreito de Ormuz, canal onde circulam cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente, possa ser reaberto. Sem ter por onde escoar o petróleo, os países podem ser forçados a diminuir a produção do óleo se não tiverem uma ampla capacidade de armazenamento. 

O choque do petróleo tem um risco de ser estagflacionário, ou seja, causar aumento de preços e diminuição da atividade econômica. Sendo assim, a perpetuidade do conflito e da escalada dos preços pode desafiar os Bancos Centrais, principalmente o FED, que tem um mandato dual – controlar a inflação e promover o pleno emprego.  

Nas bolsas, o clima de aversão ao risco contaminou o mercado. Lá fora, o S&P 500 acumulou perdas de 2,02%. 

No Brasil, o Ibovespa acumulou perdas de -4,99%, mesmo com a alta da Petrobras, empresa com composição grande no índice. Os juros futuros dispararam novamente e a poucos dias da reunião do Copom, que acontece na semana que vem, o mercado tem revisado a projeção de corte. Antes as expectativas rondavam entre 0,25 p.p e 0,50 p.p. Agora, a projeção está mais próxima de um corte de 0,25 p.p. 

Notícias da semana do mercado financeiro – cenário doméstico

No Brasil, o principal evento da semana será a divulgação do IPCA de fevereiro, com expectativa de alta de 0,65%, refletindo principalmente os reajustes anuais nos serviços de educação.

Na atividade econômica, a agenda traz os dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) referentes a janeiro. Para o comércio, a expectativa é de leve queda de 0,1% no varejo restrito, enquanto o varejo ampliado deve registrar alta de 0,4%. Já para o setor de serviços, a projeção é de recuo de 0,2% na passagem de dezembro para janeiro.

Resumo semanal – cenário internacional

Na agenda da semana no cenário internacional, o principal destaque será a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, o CPI de fevereiro e o PCE de janeiro, que se diferem em função da cesta de consumo e metodologia. Ambos são importantes indicadores para política monetária, com especial atenção ao PCE. 

A expectativa é de que o CPI apresente alta de 0,20%, enquanto o núcleo da inflação deve avançar 0,30%. Já a inflação medida pelo PCE também deve registrar alta de 0,30%. O avanço dos preços do petróleo deve pesar mais nas próximas leituras da inflação. 

A divulgação da inflação vem na esteira de uma surpresa negativa no payroll, divulgado na sexta-feira passada que, diferente da expectativa de criação mais modesta de vagas, veio em direção contrária, de destruição de 92 mil vagas formais. 

Boletim Focus

A mediana das expectativas de inflação de 2026 permaneceu inalterada em 3,91% a.a. para 2026 e um ajuste marginal em 2027, para 3,80%. 

Por outro lado, a mediana das expectativas da Selic voltou a subir, saindo de 12% para 12,13% em 2026. Em 2027 se manteve igual, em 1050%.

Agenda da semana

Segunda-feira: Divulgação do Boletim Focus no Brasil. 

Terça-feira: Agenda mais vazia, olho no conflito. 

Quarta-feira: CPI de fevereiro nos Estados Unidos

Quinta-feira: IPCA no Brasil

Sexta-feira: PCE de janeiro nos Estados Unidos

Conclusão

A semana concentra indicadores relevantes de inflação e atividade econômica no Brasil e nos Estados Unidos, além de incertezas no cenário geopolítico internacional. Esses fatores devem seguir influenciando as expectativas dos mercados em relação ao crescimento global e à condução da política monetária nos próximos meses.

 

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