Cenário macroeconômico para julho: perspectiva Brasil e mundo

Tempo de leitura: 4 minutos

Este artigo, com análise de Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, reúne as principais tendências econômicas para julho no Brasil e no exterior, com foco nos últimos dados de mercado, nas projeções e nas expectativas que devem orientar as decisões de investimento nos próximos meses.

Depois de um período marcado por tensões geopolíticas, o mês trouxe alívio em algumas frentes, mas manteve o alerta ligado em outras. Para acompanhar a leitura completa com nosso economista-chefe, assista ao vídeo abaixo.

Cenário internacional

Os destaques de junho ficaram por conta do arrefecimento das tensões geopolíticas. Com o possível fim do conflito no Oriente Médio, os preços do petróleo retornaram a níveis próximos aos observados no período pré-guerra. Esse alívio nas commodities energéticas reduziu a pressão imediata sobre os índices de preços globais e ajudou a melhorar as expectativas de inflação no curto e no médio prazo.

Ainda assim, o ambiente nos Estados Unidos segue complexo. Há divergências entre os dados agregados de atividade e a fragilidade de sua composição interna, além de mudanças relevantes na comunicação do Federal Reserve sob a nova liderança de Kevin Warsh. No mercado de trabalho, os dados recentes mostram alguma reaceleração em relação ao segundo semestre de 2025, período em que o Fed reduzia a taxa de juros. Já a inflação medida pelo CPI manteve trajetória de alta, refletindo de forma defasada os picos anteriores nos preços de energia. Mesmo com a reversão desse efeito, a inflação americana já estava acima da meta de 2% e deve permanecer nesse patamar.

No campo da política monetária, o FOMC manteve a taxa de juros inalterada, mas adotou uma postura surpreendentemente mais dura, sinalizando o risco de nova elevação ainda este ano. Nossa leitura diverge dessa mensagem: diante da desaceleração gradual da atividade, de um mercado de trabalho estável e do fim do conflito geopolítico, avaliamos que o cenário mais provável para o segundo semestre é a manutenção da taxa de juros no patamar atual.

Cenário doméstico

No Brasil, os primeiros indicadores do segundo trimestre apontam desaceleração da atividade em relação ao ritmo do primeiro trimestre, embora ainda em terreno positivo. Estimamos crescimento de 0,1% do PIB em maio, puxado tanto por itens mais cíclicos — como a indústria de transformação e os serviços de transporte e informação — quanto por segmentos menos cíclicos, com destaque para a indústria extrativa, em especial a extração de petróleo. Esse comportamento é consistente com a nossa expectativa de arrefecimento do crescimento ao longo do ano, ainda que medidas de estímulo de curto prazo, como o Move Brasil e o Desenrola 2.0, possam atenuar esse processo.

O mercado de trabalho, por sua vez, deu sinais de enfraquecimento. Embora a taxa de desemprego dessazonalizada tenha permanecido em 5,5% em maio, uma série de indicadores adjacentes já aponta perda de força. Os rendimentos reais recuaram 0,8% no mês, com queda disseminada entre os setores.

No campo dos preços, o IPCA seguiu surpreendendo o consenso para cima, impulsionado sobretudo pela forte pressão nos alimentos e pelo encarecimento da energia elétrica. Em contrapartida, as medidas de núcleo continuam a desacelerar gradualmente na margem, ainda que permaneçam em patamar elevado e exijam cautela. Mesmo com o fim do conflito no Oriente Médio — que tende a remover parte das pressões globais de custos —, as expectativas de inflação do Boletim Focus registraram nova rodada de alta, no curto e no médio prazo, aprofundando o processo de desancoragem.

Selic: projeções

Do lado da política monetária, o Copom reduziu a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano em sua última reunião, em linha com o esperado. Avaliamos que o cenário mais provável, especialmente após a resolução do conflito no Oriente Médio e o alívio nos preços do petróleo, é uma nova redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, levando a Selic a 14,00% ao ano.

A partir daí, o quadro pede cautela. Diante do período eleitoral que se aproxima, do ambiente externo ainda volátil, da desancoragem das expectativas de inflação, de um balanço de riscos altista e do fato de o ciclo já acumular uma redução de 75 pontos-base desde o início, a expectativa é que o Banco Central pause o atual ciclo de calibração após esse movimento. Projetamos que a retomada dos cortes ocorra no início do próximo ano, porém em ritmo mais acelerado, à medida que esses riscos se dissiparem e a convergência inflacionária ganhar tração.

Conclusão

Julho consolida um cenário de transição: as tensões geopolíticas perderam força e o petróleo se acomodou, mas a inflação doméstica ainda pressiona e as expectativas seguem desancoradas. No exterior, um Fed mais duro convive com uma atividade que perde fôlego. Esse conjunto sustenta juros elevados por mais tempo e reforça a importância de uma carteira bem diversificada e acompanhada de perto.

Para o investidor, é um momento que combina oportunidades em renda fixa com a necessidade de leitura atenta dos próximos passos da política monetária. Com a solidez e a orientação especializada do Banco Daycoval, você posiciona seu patrimônio com confiança em cada etapa do ciclo.

Abra sua conta no Banco Daycoval e comece a investir com segurança.

Recomendar Conteúdo:

WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Facebook

Quem leu essa matéria também gostou

Matérias mais lidas

Gostaria de receber novidades?
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Facebook

    Ei, tá curtindo o nosso Blog?

    Inscreva-se para receber as nossas novidades dicas financeiras exclusivas e conteúdo especial na sua caixa de entrada.


    Prometemos não utilizar suas informações de contato para enviar qualquer tipo de SPAM.


    Obrigado por se inscrever!