PIB no Brasil e Payroll nos EUA. Confira as notícias do mercado financeiro

Tempo de leitura: 5 minutos

Aqui no Blog do Daycoval, toda segunda-feira, você acompanha as principais notícias da semana do mercado financeiro, com comentários da assessora de investimentos do Daycoval Investe, Priscila Gabriela. Confira:

Resumo semanal – cenário internacional

No cenário internacional, o mercado continua avaliando as perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos.

As sinalizações mais duras de autoridades do Federal Reserve durante o simpósio de Jackson Hole aumentaram as apostas de que os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo.

Entre as falas que chamaram atenção, estiveram as declarações de Kevin Warsh, que reforçou a preocupação com a trajetória da inflação. Segundo ele, a desaceleração dos preços ainda não acontece de forma suficientemente sustentável.

Esse tom mais cauteloso contribuiu para a alta dos rendimentos dos Treasuries e para a valorização do dólar, além de aumentar a expectativa de que o Federal Reserve possa manter uma postura mais restritiva na próxima reunião.

Outro ponto importante veio dos dados de inflação. O PCE, um dos principais indicadores acompanhados pelo Fed, avançou 0,2%, acima da projeção de 0,1%.

Já o crescimento da economia americana no segundo trimestre foi mantido em 1,5% em termos anualizados, em linha com o esperado.

Os dados também mostraram um consumo das famílias mais forte, especialmente no setor de serviços, enquanto as importações contribuíram para o resultado.

Em resumo, os números apontam para uma economia americana ainda relativamente resiliente, mas com uma inflação que continua mostrando resistência.

Esse cenário reforça a possibilidade de uma política monetária mais restritiva e mantém o mercado atento aos próximos dados, principalmente os relacionados ao mercado de trabalho.

E é justamente aí que entra a agenda desta semana.

Além do Payroll, serão divulgados o JOLTS, que mostra o número de vagas disponíveis, os dados de emprego da ADP, os pedidos semanais de seguro-desemprego e os índices de atividade PMI industrial e de serviços.

Em conjunto, esses indicadores poderão ajudar o mercado a calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve.

Notícias da semana do mercado financeiro – cenário doméstico

No Brasil, o grande destaque da semana será a divulgação do PIB do segundo trimestre.

O resultado será importante para avaliar o ritmo de crescimento da economia e, principalmente, os efeitos do ambiente de juros elevados sobre a atividade.

Do lado da inflação, a projeção para o IPCA de 2026 está em 5%.

O resultado de agosto trouxe uma queda de 0,40%, favorecida principalmente pelo comportamento dos alimentos, das passagens aéreas e pelo bônus da Usina de Itaipu.

Apesar do resultado positivo, parte dessa deflação tem caráter temporário, especialmente por conta do efeito da energia elétrica. Por isso, existe a expectativa de alguma reversão em setembro.

A bandeira tarifária de energia foi mantida em amarela para setembro, sem alteração relevante nas projeções de inflação.

Nos alimentos, o efeito favorável também pode perder força, com riscos relacionados às condições climáticas e ao fenômeno do El Niño.

Já os serviços continuam sendo um importante ponto de atenção, principalmente aqueles mais relacionados ao comportamento do mercado de trabalho.

Nesse ambiente, a inflação ainda acima da meta e a pressão dos serviços ajudam a manter o cenário de juros elevados.

Para a Selic, a projeção do Daycoval está em 13,75% em 2026, com expectativa de queda para 11% em 2027.

No Boletim Focus, as expectativas para a Selic permaneceram estáveis, em 13,75% para 2026 e 12% para 2027.

Já a projeção de inflação para 2027 teve uma leve alta, passando de 4,25% para 4,28%.

Outro ponto importante é o mercado de trabalho.

Embora continue aquecido, os dados mais recentes começam a mostrar sinais mais claros de desaceleração.

A taxa de desemprego caiu para 5,3% em julho, enquanto a renda real ficou praticamente estável.

Já o Caged mostrou a criação de aproximadamente 58,6 mil empregos formais em julho, bem abaixo das expectativas do mercado, que estavam próximas de 112 mil vagas.

Esse resultado reforça a percepção de uma perda gradual de ritmo no mercado de trabalho.

Além do PIB, os investidores também acompanham nesta semana os dados de produção industrial, PMIs de serviços e composto, fluxo cambial e balança comercial.

Agenda da semana

Segunda-feira — 31/08

A semana começa com a divulgação do Boletim Focus e das Estatísticas Fiscais do Banco Central, que trazem informações importantes sobre dívida pública e resultado primário.

No exterior, o mercado acompanha o PMI de Chicago e indicadores de atividade econômica na China e no Japão.

Terça-feira — 01/09

Na terça, o principal destaque no Brasil será a divulgação do PIB do segundo trimestre.

Também será conhecido o PMI Industrial.

Nos Estados Unidos, a agenda ganha força com os PMIs industriais, o ISM Industrial e o relatório JOLTS, que mostra o número de vagas de trabalho disponíveis e ajuda a medir a demanda por mão de obra na economia americana.

Quarta-feira — 02/09

Na quarta-feira, no Brasil, serão divulgados os dados de produção industrial de julho e de fluxo cambial.

Nos Estados Unidos, o mercado acompanha o relatório de emprego da ADP e o Livro Bege do Federal Reserve, que reúne avaliações sobre atividade econômica, emprego e inflação nas diferentes regiões do país.

Quinta-feira — 03/09

Na quinta-feira, os Estados Unidos divulgam os pedidos semanais de seguro-desemprego, além dos PMIs do setor de serviços e do ISM de serviços.

No Brasil, serão divulgados os PMIs de serviços e composto.

Serão números importantes para avaliar a força da atividade econômica e, principalmente, o comportamento do mercado de trabalho americano antes do Payroll.

Sexta-feira — 04/09

E chegamos ao principal destaque da semana.

Na sexta-feira será divulgado o Payroll de agosto nos Estados Unidos, acompanhado da taxa de desemprego e do salário médio por hora.

No Brasil, também será conhecida a balança comercial de agosto.

O Payroll será especialmente importante porque poderá influenciar diretamente as expectativas do mercado para os próximos passos do Federal Reserve.

Conclusão

Portanto, teremos pela frente uma semana com informações importantes para avaliar tanto o ritmo da economia brasileira quanto, principalmente, as perspectivas para a política monetária americana.

No Brasil, o PIB do segundo trimestre será fundamental para entendermos como a atividade está se comportando diante de um cenário de juros elevados.

Já nos Estados Unidos, a combinação entre os diversos indicadores do mercado de trabalho e o Payroll poderá aumentar ou reduzir as apostas sobre os próximos movimentos do Federal Reserve.

E vale lembrar: mais importante do que olhar para um indicador isoladamente será fazer uma leitura conjunta dos dados.

É essa combinação de informações que poderá orientar a percepção de risco, as expectativas para os juros e o posicionamento dos investidores ao longo das próximas semanas.

 

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