
Este artigo traz a análise de Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, sobre os acontecimentos recentes no Brasil e no exterior. Também reúne as projeções que devem orientar as decisões de investimento nos próximos meses.
O período foi marcado por eventos políticos importantes dos dois lados. Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato mudaram a composição do Congresso. No Brasil, o resultado da eleição presidencial surpreendeu e levou a uma revisão relevante do nosso cenário para câmbio, inflação e juros. Para acompanhar a leitura completa com nosso economista-chefe, assista ao vídeo abaixo.
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Sumário
ToggleCenário internacional
Dois temas chamaram a atenção no cenário externo. O primeiro foi a decisão do Banco Central norte-americano, o Fed, de manter a taxa de juros na última reunião.
Na nossa avaliação, essa manutenção não indica o fim do ciclo de alta. Trata-se de uma pausa, que deve ser interrompida em breve. A expectativa é que os juros voltem a subir já na próxima reunião e que novas altas aconteçam também ao longo de 2027.
O segundo destaque foram as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. O resultado alterou a composição do Congresso, e os democratas conquistaram maioria tanto na Câmara quanto no Senado.
As implicações desse novo quadro ainda não estão totalmente claras de forma mais ampla. Para os países emergentes, a América Latina e, em especial, o Brasil, porém, a leitura é positiva em um ponto: podemos esperar mais tranquilidade no front tarifário. Na prática, isso significa menor risco de novas barreiras comerciais e de tarifas adicionais sobre produtos exportados para os Estados Unidos.
Cenário doméstico
No Brasil, o grande destaque foram as eleições presidenciais. O resultado do segundo turno surpreendeu em relação ao que os números do primeiro turno indicavam.
Essa surpresa levou a uma reavaliação das expectativas do mercado. Quando o cenário político muda de forma inesperada, os investidores recalculam riscos e ajustam preços de ativos, como câmbio, juros futuros e bolsa. Desta vez, o principal reflexo apareceu na taxa de câmbio.
Câmbio e inflação
O real passou a operar em um patamar bastante depreciado em comparação ao que se verificava antes das eleições. U
Esse movimento nos levou a revisar a projeção para o IPCA, o índice oficial de inflação do país, especialmente para 2027:
- IPCA de 2027: revisado de 4,2% para acima de 5%.
- Balanço de riscos: ainda com viés altista, ou seja, há mais chances de a inflação surpreender para cima do que para baixo no próximo ano.
Selic e política monetária
A inflação mais alta também mudou a nossa expectativa para a taxa básica de juros. Antes, projetávamos a continuidade do ciclo de cortes da Selic. Agora, com um cenário inflacionário mais desafiador, a leitura é outra.
Nossa expectativa é que o Banco Central não reduza a Selic nas próximas reuniões. Se tudo caminhar como esperado e houver alguma descompressão de risco, os cortes devem ser retomados ao longo de 2027.
A descompressão de risco acontece quando o mercado passa a enxergar menos incerteza sobre o futuro da economia. Isso reduz o chamado prêmio de risco, que é a compensação extra exigida pelos investidores para manter recursos em ativos do país. Esse alívio, por sua vez, depende de alguns fatores:
- Sinalização da política fiscal: os primeiros anúncios do governo sobre receitas, gastos e trajetória da dívida pública.
- Condução da política econômica: a forma como o governo pretende conduzir a economia a partir do próximo ano.
- Reação do mercado: como as expectativas vão responder a essas medidas e anúncios.
Em resumo, a retomada dos cortes de juros em 2027 está diretamente ligada à credibilidade da agenda fiscal que vier a ser apresentada.
Conclusão
Novembro marca uma virada no cenário. No exterior, o Fed fez uma pausa, mas deve voltar a subir os juros. Ao mesmo tempo, a nova composição do Congresso norte-americano reduz a pressão tarifária sobre o Brasil. Por aqui, o resultado das eleições pressionou o câmbio, elevou a projeção de inflação para 2027 e adiou a continuidade dos cortes da Selic.
Esse conjunto sustenta juros elevados por mais tempo e coloca a política fiscal no centro das atenções. Para o investidor, é um momento que combina oportunidades com a necessidade de acompanhar de perto os próximos sinais do governo e do Banco Central. Com a solidez e a orientação especializada do Banco Daycoval, você posiciona seu patrimônio com confiança em cada etapa do ciclo.

