Agosto marcou oficialmente o início do período eleitoral no Brasil, e o câmbio sentiu o impacto. Os picos no dólar vieram principalmente do noticiário externo e das apostas em torno dos juros americanos. Somando a isso, relatórios de players relevantes recolocaram a questão fiscal e o kit Brasil em evidência. Diante desse quadro, a pergunta que orienta as próximas semanas é direta: o que esperar para o dólar em setembro?
Nesta análise, Otávio Oliveira, Gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, destrincha os fatores que devem influenciar o câmbio ao longo do mês. Para quem acompanha a moeda de perto e usa essa leitura na hora de investir, entender essas forças faz toda a diferença.
Ao longo do texto, você vai ver o que moveu o câmbio em agosto, como o cenário global afeta a moeda, o que acontece no Brasil e o que esperar para setembro.
Assista à análise completa em vídeo com Otávio Oliveira:

Sumário
ToggleO que aconteceu com o dólar em agosto
O mês de agosto teve o foco voltado ao noticiário local, com os desdobramentos das eleições. O mercado passou a avaliar o passo a passo de cada candidato e a construção das respectivas equipes econômicas.
Esse movimento teve um efeito claro: diversas instituições elevaram a cautela com o cenário fiscal brasileiro. Quando o rumo da política econômica ainda não está definido, o mercado tende a pedir um prêmio maior para carregar risco — e isso aparece rápido no câmbio.
A inflação nos EUA entra na conta
No offshore, a história foi outra. A inflação nos Estados Unidos se mostrou mais desafiadora do que o mercado esperava. O resultado prático foi um aumento das apostas institucionais em uma possível alta de juros no mercado americano.
Essa combinação — incerteza doméstica e pressão externa — ajuda a explicar os picos que o dólar registrou ao longo do mês.
Cenário global: os juros americanos no radar
Apesar do conflito entre Irã e Estados Unidos seguir no radar, boa parte dos investidores já volta a atenção para as falas de Kevin Warsh, presidente do banco central americano. Ele reforça o foco no combate à inflação e sinaliza o potencial de uma escalada nos juros.
Esse ponto é central. Quando os juros americanos sobem, o efeito não fica restrito aos EUA: ele influencia juros, bolsas e moedas no mundo todo.
Por que isso pressiona o real
Juros mais altos nos Estados Unidos tornam esse destino mais atraente para o capital global. Foi exatamente esse movimento o responsável por parte dos picos de alta da moeda ao longo de agosto.
E a tendência é de intensificação: caso a alta se concretize até o fim do ano, o real tende a se desvalorizar frente ao dólar. Em outras palavras, o câmbio segue sensível ao que acontece lá fora.
Brasil: as principais influências do momento
No cenário doméstico, o quadro eleitoral ganhou firmemente o foco dos principais agentes do mercado. As expectativas sobre o resultado e seus desdobramentos já entram no preço dos ativos.
Aqui vale uma leitura simples: o mercado não espera o resultado para reagir. Ele antecipa cenários e ajusta posições conforme o quadro se desenha.
A percepção do risco Brasil
A preocupação fiscal, a pressão pela queda dos juros e um desfecho eleitoral ainda indefinido formam uma combinação delicada. Juntos, esses fatores prejudicam a percepção do risco Brasil pelos estrangeiros.
Quanto maior a incerteza sobre o rumo fiscal, mais cautelosos ficam os investidores externos — e essa cautela costuma se refletir diretamente no câmbio.
Expectativas para o dólar em setembro
Reunindo os fatores globais e domésticos, o cenário para setembro fica mais nítido. Veja os principais pontos que o Banco Daycoval acompanha:
- Dólar entre R$ 5,15 e R$ 5,20: faixa provável para o mês, com potencial de alta pelo drive histórico das eleições.
- Revisão do risco Brasil: players estrangeiros devem revisar suas recomendações, com atenção especial ao cenário fiscal.
- Juros em pauta: o mercado mantém forte pressão por corte da taxa básica.
- Carry trade em observação: a estratégia é influenciada pela diminuição do gap de juros e pela pressão cambial diante da possível alta dos juros nos EUA até o fim de 2026.
Como usar essa leitura a seu favor
Cada um desses pontos aponta para o mesmo caminho: um mês de câmbio sensível ao noticiário, tanto interno quanto externo. Acompanhar esses movimentos com uma leitura consistente é o que permite transformar cenários incertos em decisões mais estratégicas.
Conclusão: câmbio sensível pede acompanhamento próximo
Setembro chega com o câmbio no centro das atenções. As eleições pressionam o quadro doméstico, o cenário fiscal segue no radar e a possível alta dos juros nos EUA mantém o real sob pressão. A projeção é de dólar entre R$ 5,15 e R$ 5,20, com viés de alta e forte influência do noticiário.
O ponto principal é claro: quem acompanha esses fatores de perto está mais bem posicionado para agir no momento certo. A leitura consistente do cenário é o que separa a reação apressada da decisão estratégica.
Quer investir com o acompanhamento de quem entende o mercado? Abra sua conta no Banco Daycoval e comece a investir com estratégia.

