Depois de meses em queda, o dólar se firmou acima dos R$5,15 em junho. Esse movimento, sustentado pelo desenrolar do conflito no Irã e por uma perspectiva de moeda americana mais forte, coloca o câmbio no centro das decisões de investimento para os próximos meses.
Para ajudar você a interpretar esse cenário, Otávio Oliveira, Gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, preparou uma análise completa sobre os fatores que devem direcionar o dólar no segundo semestre. Quer entender mais antes de continuar a leitura? Assista ao vídeo com a análise exclusiva.

Sumário
ToggleO que aconteceu em junho
Ao longo de junho, o dólar interrompeu a sequência de quedas e se ancorou em patamares acima dos R$5,15. As divisas americanas seguiram fortemente influenciadas pelo conflito entre Irã e Estados Unidos, que passou a ensaiar um cessar-fogo mais definitivo.
Esse cenário geopolítico teve um efeito direto sobre os preços. A forte alta do petróleo, provocada pelo conflito, somou-se à elevação dos índices econômicos no mundo todo e gerou pressão inflacionária. Como consequência, o mercado passou a esperar que as expectativas de cortes de juros sejam revistas — um ponto-chave para entender o que vem pela frente.
Cenário global: o que esperar para o 2º semestre
Com a inflação em alta em diversas economias, os bancos centrais reavaliam suas estratégias de juros. O movimento que antes apontava para cortes agora indica não só a manutenção das taxas, mas também a possibilidade de uma alta até o final do ano para conter a pressão sobre os preços.
Nos Estados Unidos, esse debate ganhou protagonismo. Kevin Warsh, novo presidente do Fed após a saída de Jerome Powell — que ficou oito anos à frente do banco central americano —, contrariou as principais expectativas do mercado. Ele ressaltou que, se a inflação persistir, um aumento dos juros americanos é factível.
Em resposta a esse sinal, o mercado já precifica um dólar mais forte no segundo semestre. Juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer tanto os títulos americanos quanto a própria moeda, em detrimento de outras divisas — especialmente as de maior risco associado, como as moedas de países emergentes. Nesse contexto, uma alta do dólar até o final do ano se desenha como cenário provável.
Brasil: principais influências
No mercado doméstico, o guidance de juros do Banco Central segue em ritmo de queda. Na última reunião, o Copom cortou mais 25 pontos-base da taxa básica, que agora opera em 14,25% ao ano. Mesmo com esse corte, o Brasil permanece com o maior juro real do mundo, que registrou 9,67% ao ano só em junho.
Outro fator começa a entrar no radar dos investidores: as eleições. Com a proximidade do fim do período de pré-campanha, os dados sobre intenções de voto devem influenciar os mercados com mais intensidade, afetando o câmbio e os juros futuros nos próximos meses.
Conclusão e resumo do cenário
O segundo semestre de 2026 exige atenção redobrada de quem acompanha o câmbio de perto. Para julho e para os meses seguintes, os principais pontos a observar são:
- Dólar acima dos R$5,15: a moeda se estabelece firmemente nesse patamar, com o que aparenta ser o início do fim do conflito no Irã.
- Revisão de juros pelos bancos centrais: os reflexos da inflação global podem levar não apenas à manutenção das taxas, mas também a uma possível alta, inclusive nos Estados Unidos.
- Dólar mais forte até o final do ano: juros mais altos nos EUA devem fortalecer a moeda americana frente ao real ao longo de 2026.
- Selic ainda em queda no Brasil: há indicativos de novos cortes de juros, ao menos até a próxima reunião do Copom.
Acompanhar o preço do petróleo, as negociações de cessar-fogo, os rumos dos juros americanos e o cenário eleitoral interno será fundamental para tomar decisões estratégicas. Conte com a expertise do time do Banco Daycoval.

