Apesar da tendência de queda observada ao longo de grande parte de maio, fatores que vão além dos indicadores macroeconômicos trouxeram nova volatilidade à moeda americana. O resultado imediato foi um dólar mais alto, que voltou a superar a marca dos R$ 5. Diante desse cenário, surge a grande dúvida: o que podemos esperar para junho?
Para responder a essa pergunta e ajudar você a proteger o seu bolso, Otávio Oliveira, Gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, analisou os principais fatores locais e globais que devem ditar o rumo do câmbio nas próximas semanas.
Quer saber mais sobre esse assunto? Assista ao vídeo completo com o Otávio Oliveira:

Sumário
ToggleO que aconteceu com o mercado em maio
Para entender o futuro, precisamos olhar para os movimentos recentes. A queda inicial da moeda ao longo de maio seguia uma tendência que o mercado já observava há meses. Essa desvalorização sistêmica do dólar no exterior estava diretamente associada às notícias da guerra no Oriente Médio.
No entanto, quando comparamos o dólar com o real, o cenário ganha um contorno local importante. O Brasil possui taxas de juros elevadas que, apesar de estarem em um ciclo de queda, ainda representam o maior juro real do mundo. Esse fator foi fundamental para atrair capital estrangeiro e segurar o preço da moeda por aqui.
Cenário global, petróleo e a pressão sobre os juros
Para junho, o cenário externo exige cautela. Na segunda metade de maio, o mercado até tentou se acomodar em patamares mais aliviados diante de um possível acordo e cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Porém, sem um sucesso aparente nessas negociações, os contratos futuros de petróleo seguem extremamente sensíveis a qualquer notícia geopolítica.
Como consequência, a moeda americana voltou a se apreciar globalmente. Esse aumento do petróleo gera uma crescente pressão inflacionária, que já começa a afetar os índices econômicos no mundo todo. O impacto direto disso é a frustração nas expectativas de cortes de juros globais.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Banco Central americano), que recentemente passou por uma troca de direção de Jerome Powell para Kevin Warsh, já discute até mesmo a possibilidade de um aumento de juros. Tudo isso ocorre em meio a pressões de Donald Trump para que os cortes continuem.
O peso das eleições no cenário brasileiro
Aqui no Brasil, o noticiário político vem ganhando cada vez mais protagonismo frente ao cenário externo. O foco nas eleições domina as atenções, superando até mesmo as tensões da guerra no Irã.
Recentemente, especulações e áudios envolvendo pré-candidatos à presidência movimentaram o mercado de forma intensa. A reação dos investidores foi clara e imediata: alta no dólar, apreciação dos juros futuros e queda na bolsa de valores.
O que esperar do Copom em junho
Todo esse ruído político interno acontece em um momento decisivo de reavaliação para a taxa Selic. Apesar da volatilidade e da pressão do dólar, o mercado financeiro mantém um consenso sólido para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Para junho, a expectativa majoritária é de um novo corte de 0,25 ponto percentual (25 bps) nos juros brasileiros.
Conclusão
Em resumo, o mês de junho segue com os seguintes pontos de atenção:
Alta do dólar reflexo do alongamento do conflito entre Irã e EUA;
Continuidade da volatilidade nos preços do petróleo;
Mudanças nas expectativas de inflação e cortes de juros no exterior;
Aumento do risco político e protagonismo das eleições no Brasil.
Compreender esses movimentos é o primeiro passo para tomar decisões inteligentes e proteger o seu patrimônio da volatilidade.
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