Abril acompanhou o movimento de março com uma forte volatilidade no câmbio, muito atrelada aos eventos relacionados ao conflito no Irã e ao preço do petróleo, que segue em evidência como um grande impulsionador da inflação no mundo todo. Mas o que podemos aguardar para o câmbio ao longo deste novo mês?
Para ajudar você a entender esse cenário, Otávio Oliveira, Gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, preparou uma análise completa sobre os principais fatores que devem impactar a moeda americana.
Quer saber mais sobre o assunto antes de continuar a leitura? Assista à análise completa:

Sumário
ToggleContextualização: o que aconteceu em abril
Ao longo de abril, o dólar apresentou um movimento de queda frente ao real. Esse recuo não foi um movimento isolado, mas sim puxado principalmente por um cenário externo de venda de dólar e uma maior tomada de risco em outros mercados. Os investidores olharam com mais apetite para os países emergentes, o que acabou beneficiando o real no Brasil.
Ainda no cenário doméstico, o ciclo de cortes de juros continuou. Tivemos uma queda de mais 25 pontos-base, trazendo a nossa taxa Selic para 14,50% ao ano. Mesmo com esse corte, o Brasil ainda conta com um dos mais altos juros reais do mundo, o que ajuda a atrair capital estrangeiro e afeta diretamente a cotação da moeda.
Cenário global: o que esperar para maio
O mês de maio se inicia com a expectativa de um possível avanço nas conversas entre Irã e Estados Unidos, algo que pode evoluir para um cessar-fogo entre as partes. O mercado financeiro acompanha e precifica cada nova notícia, gerando forte influência nas bolsas de valores, no câmbio e nos juros globais.
Cada vez mais, notamos uma perda da hegemonia do dólar como fonte central de reserva de valor por parte dos investidores. Esse movimento se reflete diretamente no fortalecimento de outras moedas globais frente ao dólar e na consequente queda nos títulos do tesouro americano (treasuries).
Além disso, a combinação de guerra e inflação persistente deve inviabilizar mudanças nos juros americanos a curto prazo. O mercado, inclusive, não descarta a possibilidade de uma alta nos juros dos Estados Unidos, caso a inflação exija medidas mais duras por parte do banco central americano.
Brasil: principais influências em maio
O real manteve uma tendência de queda do dólar em abril. O mês se iniciou com a moeda americana cotada acima de R$ 5,10 e chegou a maio flertando com patamares próximos a R$ 4,90.
Apesar dessa valorização do real, é fundamental entender que nossa moeda se beneficiou de um dólar mais fraco globalmente. Ou seja, a queda da cotação está muito mais ligada a fatores externos do que a fundamentos internos.
Com os movimentos de alta do petróleo, o Comitê de Política Monetária (Copom) segue bastante cauteloso em relação aos próximos cortes de juros por aqui, mesmo já exibindo uma taxa básica de 14,50% ao ano. No âmbito doméstico, o Brasil permanece altamente sensível ao noticiário internacional e à entrada ou saída de fluxo estrangeiro. Internamente, o foco principal recai sobre a pauta fiscal conforme as eleições se aproximam, exigindo atenção redobrada também às novas pesquisas eleitorais.
Conclusão e resumo do cenário
Em abril, vimos a continuidade do enfraquecimento do dólar, impulsionado por um cenário global mais favorável e pela manutenção do fluxo positivo de capital para mercados emergentes.
Para maio, a expectativa repousa fortemente na possível resolução dos conflitos geopolíticos. Se você busca proteger seu patrimônio ou aproveitar oportunidades no câmbio, o foco principal deve estar em três pontos: o preço do petróleo, as negociações de cessar-fogo e os rumos dos juros americanos. Internamente, a atenção deve se voltar para a responsabilidade fiscal e o clima eleitoral.
Para investir com estratégia, previsibilidade e segurança diante dessas oscilações do mercado, é essencial contar com uma instituição sólida.

