
Novembro começa com diversas mudanças nos mercados que podem impactar o dólar. No Brasil, o fiscal volta ao foco, junto com a formação do novo governo após a eleição. Nos Estados Unidos, o resultado das eleições de meio de mandato muda o cenário político em Washington.
Diante desse quadro, a pergunta que orienta as próximas semanas é: o que esperar para o dólar em novembro?
Nesta análise, Otávio Oliveira, Gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, destrincha os fatores que podem influenciar o câmbio ao longo do mês. Para quem acompanha a moeda de perto e usa essa leitura na hora de investir, entender essas forças faz toda a diferença.
Ao longo do texto, você vai ver:
- O que moveu o câmbio em outubro
- Como o cenário político nos EUA pode afetar o petróleo e os juros globais
- Quais pontos o mercado acompanha no Brasil para 2027
- O que esperar para o dólar, o Brent e a Selic
Assista à análise completa em vídeo com Otávio Oliveira:

Sumário
ToggleO que aconteceu com o dólar em outubro
Outubro terminou com a definição das eleições no Brasil. Com o resultado conhecido, o foco do mercado passou a ser o fiscal, associado à composição ministerial para 2027.
A reação foi imediata. No dia seguinte à eleição, os juros futuros chegaram a saltar mais de 300 pontos-base (bps).
O câmbio seguiu o mesmo caminho. O dólar saiu de patamares próximos de R$ 5,00 e chegou a R$ 5,60, recuando gradualmente ao longo dos dias seguintes.
Inflação, dólar e juros voltam à pauta
A atenção à trajetória crescente da inflação, somada à alta do dólar e dos juros, voltou às discussões. O mercado segue apostando nos próximos passos do governo e ajusta posições a cada sinal sobre a condução da política econômica.
O Brent no radar global
No exterior, a volatilidade do Brent continua afetando os mercados globais e os índices de inflação. O Brent é a principal referência internacional para o preço do petróleo, e suas oscilações chegam rapidamente aos custos de energia e transporte no mundo todo.
Os desdobramentos desse movimento influenciam a possibilidade de novas altas de juros nos Estados Unidos, o que mantém o câmbio sensível ao noticiário externo.

Cenário global: eleições nos EUA e petróleo
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos trouxeram uma mudança relevante. Donald Trump e o Partido Republicano sofreram uma grande derrota, e os democratas conquistaram maioria na Câmara e no Senado.
Com o Congresso sob controle da oposição, diversas políticas de Trump podem sofrer reviravoltas já na próxima semana. Entre elas:
- Imposição tarifária: as tarifas sobre importações podem ser revistas ou ter seu alcance reduzido.
- Guerra no Irã: a política externa americana para o conflito pode mudar de direção.
Por que isso pode mexer com o petróleo
Sobre o Irã, uma alteração na política externa americana poderia dar fim ao conflito. Nesse cenário, o preço do petróleo tenderia a recuar para patamares mais baixos.
Petróleo mais barato alivia a pressão sobre a inflação global. Isso pode reduzir a necessidade de novas altas de juros nos EUA, um fator que costuma pesar sobre moedas de países emergentes, como o real.
Em outras palavras, o que acontece em Washington nas próximas semanas pode ter efeito direto sobre o câmbio por aqui.
Brasil: os pontos que o mercado acompanha para 2027
No Brasil, com o fim da eleição, o mercado já projeta diversos cenários para 2027. Os principais pontos acompanhados com cautela são:
- Fiscal: a relação dívida/PIB, que mede o tamanho da dívida pública em relação a tudo o que o país produz, segue como principal termômetro da saúde das contas públicas.
- Composição ministerial: a definição dos próximos ministros, especialmente da área econômica, deve indicar o rumo da política fiscal.
- Dólar e juros: os níveis de câmbio e da curva de juros refletem, em tempo real, a leitura do mercado sobre essas definições.
Quando o rumo fiscal ainda não está definido, o mercado tende a pedir um prêmio maior para carregar risco. Esse movimento aparece rápido no câmbio, como se viu logo após a eleição.
Conclusão: expectativas para o dólar em novembro
Reunindo os fatores globais e domésticos, o cenário para novembro fica mais nítido. Veja os principais pontos:
- Dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,60: faixa provável para o mês, com potencial de alta conforme as definições do governo sobre o fiscal do próximo ano.
- Política externa americana em mudança: uma possível alteração na postura dos EUA pode afetar o preço do Brent.
- Juros no Brasil: a expectativa é de manutenção da taxa atual por mais tempo.
Cada um desses pontos aponta para o mesmo caminho: um mês de câmbio sensível ao noticiário, tanto interno quanto externo. As escolhas do novo governo e os rumos da política americana devem ditar o ritmo da moeda nas próximas semanas.
Acompanhar esses movimentos com uma leitura consistente é o que permite transformar cenários incertos em decisões mais estratégicas.
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