Liquidez nos fundos de investimento: entenda como funciona

Tempo de leitura: 6 minutos

Introdução: quando o dinheiro estará disponível?

Imagine pedir o resgate de um fundo em uma segunda-feira e descobrir que o dinheiro só vai chegar à sua conta depois de mais de um mês.

Para muitos investidores, é nesse momento que a palavra liquidez deixa de ser teoria e passa a pesar no planejamento. Por isso, conhecer as regras de saída de um fundo de investimento é tão relevante quanto conhecer o potencial de retorno dele.

Fernando Tavares, analista de inteligência do Banco Daycoval, preparou uma análise sobre como a liquidez funciona nos fundos de investimento e quais pontos avaliar para que o prazo de resgate trabalhe a favor dos seus objetivos. Neste artigo, reunimos os principais pontos dessa análise.

Você vai entender:

  • O que é liquidez e como funcionam as etapas de resgate de um fundo
  • Quais pontos observar antes de investir
  • Qual é o papel do gestor e como aplicar esse conhecimento na sua carteira

Assista à análise completa em vídeo:

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O que é liquidez nos fundos

Liquidez é a facilidade e o prazo para converter um investimento em dinheiro disponível. Isso não garante que o valor recebido será igual ao investido, porque os ativos podem oscilar.

Nos fundos, essa característica é definida pelas regras de resgate descritas no regulamento.

Mas por que dois fundos aparentemente parecidos podem ter prazos de resgate tão diferentes?

Cotização e liquidação: as duas etapas do resgate

O resgate de um fundo passa por duas etapas:

  • Cotização: é a data em que se define o valor da cota usado para calcular quanto você vai receber.
  • Liquidação: é o dia em que o dinheiro efetivamente cai na sua conta.

Esses prazos aparecem como “D+” seguido de um número. Em um fundo com cotização e pagamento em D+0, o dinheiro pode ser disponibilizado no mesmo dia, desde que o pedido seja feito dentro do horário limite e conforme as regras do fundo.

Já em um fundo com cotização em D+30 e liquidação em D+2, primeiro é preciso aguardar o prazo para calcular o valor do resgate e, depois, o prazo para o pagamento. Vale conferir no regulamento se os prazos são contados em dias úteis ou corridos.

Por que os prazos variam tanto

Essa diferença tem uma razão: o prazo de resgate reflete a liquidez dos ativos que estão na carteira.

Alguns ativos costumam ser negociados com mais facilidade. Outros podem levar mais tempo para serem vendidos, dependendo do volume de negociação e das condições do mercado. E, mesmo quando um ativo pode ser vendido, o preço no momento da venda pode oscilar.

O prazo também protege quem permanece no fundo. Se o gestor fosse obrigado a vender ativos às pressas para pagar resgates, poderia aceitar preços piores, e o prejuízo recairia sobre todos os cotistas.

Pense na liquidez como a saída de um grande teatro. Em alguns, a porta fica ao lado da sua poltrona. Em outros, a saída é organizada por fileiras para que todos deixem o espaço sem tumulto. O prazo de resgate funciona como essa organização: não impede a saída, mas define o ritmo dela.

O que observar antes de investir em um fundo

Com o conceito claro, estes são os pontos que merecem atenção na hora de avaliar a liquidez de um fundo.

Prazo total de resgate

Some o prazo de cotização ao de liquidação. Esse é o tempo real entre o pedido e o dinheiro disponível. Olhar apenas um dos números pode gerar uma expectativa equivocada.

Carência e taxa de saída

Alguns fundos exigem um período mínimo de permanência. Outros permitem o resgate antecipado, mas cobram uma taxa de saída. Essas condições ficam no regulamento e podem mudar bastante a conta final.

Fundo aberto ou fechado

Nos fundos abertos, você pode pedir o resgate conforme as regras previstas para o fundo. Nos fechados, normalmente não há resgate a qualquer momento: valem as condições estabelecidas nos documentos do fundo, como prazos de encerramento ou amortizações.

Se as cotas forem negociadas em bolsa, pode ser possível vendê-las antes, mas isso depende de haver compradores e das condições de mercado.

Coerência entre carteira e prazo

Observe se os ativos do fundo são compatíveis com o prazo de resgate oferecido. Um fundo com papéis de baixa negociação e resgate muito curto merece uma análise mais cuidadosa.

Concentração de cotistas

Quando poucos investidores detêm uma fatia grande do patrimônio, um único pedido de resgate relevante pode pressionar a carteira. Essa informação ajuda a entender a estabilidade da base do fundo.

Impacto tributário no resgate

Em fundos sujeitos à incidência de IOF, resgates feitos antes de 30 dias podem ter cobrança sobre os rendimentos. A incidência de Imposto de Renda também varia conforme a categoria do fundo. Por isso, o valor líquido recebido pode ser diferente do valor bruto do resgate.

O papel do gestor

As regras do regulamento são o ponto de partida, mas quem coloca a liquidez em prática no dia a dia é o gestor.

Cabe a ele equilibrar dois objetivos ao mesmo tempo: buscar retorno com ativos que, muitas vezes, são menos líquidos, e manter recursos suficientes para honrar os resgates dentro do prazo prometido.

Para isso, o gestor acompanha o fluxo de aplicações e saídas, mantém uma reserva em ativos de fácil negociação e simula cenários de estresse.

Veja o que vale observar sobre a gestão:

Política de gestão de liquidez

Para as classes abertas, a regulação da CVM prevê que os prestadores de serviços do fundo adotem políticas, procedimentos e controles para que a liquidez da carteira seja compatível com os prazos de pagamento dos resgates. A norma também prevê que o gestor faça testes de estresse periódicos.

Comportamento em períodos de estresse

Avalie como o fundo atravessou momentos de saídas intensas no mercado. Honrar resgates sem desequilibrar a carteira é um sinal claro de disciplina.

Clareza na comunicação

Em situações excepcionais, os resgates podem ser temporariamente suspensos, conforme as regras do fundo e a regulamentação aplicável. Nesses casos, é importante que os cotistas sejam informados sobre os motivos e os próximos passos.

Como aplicar isso na prática

Para transformar esse conhecimento em decisão, veja um roteiro objetivo:

  • Separe os recursos por prazo de uso. Dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento combina com fundos de liquidez diária e baixa oscilação. Recursos destinados a objetivos de longo prazo podem tolerar prazos maiores.
  • Confira o prazo total antes de aplicar. Some cotização e liquidação e compare com a data em que você pode precisar do dinheiro. Se a conta não fecha, o fundo talvez não seja o mais adequado para aquele objetivo.
  • Avalie se a espera compensa. Alguns fundos com prazos de resgate mais longos investem em estratégias ou ativos diferentes, que podem ter outros níveis de risco e potencial de retorno. Mas um prazo maior não garante rentabilidade superior.
  • Escalone a liquidez da carteira. Distribua os investimentos entre fundos com prazos diferentes. Assim, uma parte do patrimônio está sempre disponível, enquanto outra trabalha em estratégias de prazo mais longo.
  • Revise quando seus planos mudarem. Uma mudança de cidade, a compra de um imóvel ou a aproximação da aposentadoria alteram a sua necessidade de caixa. A estrutura de liquidez da carteira deve acompanhar esses movimentos.

Um lembrete importante: resultados obtidos no passado não são garantia de resultados futuros, e fundos de investimento não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Para ajustar essas escolhas com precisão, contar com uma assessoria especializada faz diferença.

Conclusão: prazos alinhados aos seus objetivos

Liquidez não é um detalhe técnico escondido no regulamento. Ela define quando o seu dinheiro estará disponível e como cada fundo se encaixa no seu planejamento.

Quando você entende os prazos e as regras de saída, investe com mais tranquilidade e evita surpresas no momento em que mais precisa dos recursos.

Para montar uma carteira com prazos alinhados aos seus objetivos, conte com o time de investimentos do Banco Daycoval.

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DISCLAIMER


Este material foi elaborado pelo Banco Daycoval S.A (“Daycoval”). As informações deste material são apenas informativas e não constituem solicitação, oferta ou recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Antes de qualquer decisão de investimento, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se o produto apresentado é indicado para o seu perfil de investidor. Para fins de verificação da adequação do perfil do investidor aos produtos de investimento oferecidos, é utilizado a metodologia de adequação por produto, nos termos das Regras e Procedimentos do Código ANBIMA de Distribuição de Produtos de Investimento. Fundos de investimento não contam com garantia do administrador do fundo, do gestor da carteira ou de qualquer mecanismo de seguro. Leia a lâmina de informações essenciais, se houver, e o regulamento do fundo antes de investir. O investimento em Fundos de Investimento não é garantido pelo Fundo Garantidor de Crédito – FGC. Investimentos em crédito privado apresentam baixa liquidez e podem não contar com um mercado secundário ativo e em caso de venda antecipada o preço de negociação pode oscilar significativamente, dependendo das condições de mercado e da avaliação dos ativos. Títulos de crédito privado não contam com a garantia do FGC. Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os clientes. O Banco Daycoval não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base neste material, nem por prejuízos decorrentes de seu uso. É recomendada a leitura cuidadosa da lâmina de informações essenciais e do regulamento do fundo de investimento pelo investidor antes de aplicar seus recursos.

A Ouvidoria do Banco Daycoval tem como objetivo atuar de forma independente e imparcial na mediação entre o Banco Daycoval, os clientes e os usuários de seus produtos e serviços e pode ser contatada por meio do telefone: Central de Atendimento 0800 777 0900 ou SAC 0800 775 0500 a disposição nos dias úteis, no horário das 9h às 18h.

 

Fernando Tavares
Fernando Tavares
Analista de Inteligência do Banco Daycoval
Fernando Tavares é pós-graduado em Mercado de Capitais pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com experiência em estratégia e inteligência comercial para o mercado financeiro. Trabalha no desenvolvimento de estratégias de ofertas, inteligência de mercado e soluções voltadas ao segmento de investimentos, conectando visão de negócios, comportamento do investidor e planejamento estratégico. Também participou da estruturação de projetos e iniciativas relacionadas ao mercado de capitais e à educação financeira, contribuindo para aproximar investidores de soluções financeiras por meio de uma comunicação clara e estratégica.

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