Mercado Primário: o que é e como investir

Tempo de leitura: 8 minutos
Investidor analisando gráficos do mercado primário e ações em ambiente corporativo

O mercado primário é onde empresas e governos emitem novos títulos e ações para captar recursos diretamente dos investidores. Para quem quer entender como o mercado de capitais funciona de verdade, esse é o ponto de partida.

O que você vai encontrar:

  • O que é mercado primário e como ele funciona
  • A diferença entre mercado primário e secundário
  • Quais ativos são negociados e como participar
  • O que avaliar antes de investir

O que é mercado primário?

Trata-se do ambiente onde ocorre a emissão de novos ativos financeiros. Quando uma empresa decide abrir seu capital e lança ações pela primeira vez na bolsa, ou quando o governo emite títulos públicos para financiar suas atividades, essa operação acontece no mercado primário.

É nesse momento que o dinheiro do investidor vai diretamente para o emissor, seja uma empresa privada, um banco ou o governo federal. O objetivo é sempre o mesmo: captar recursos para financiar projetos, expandir operações ou reestruturar dívidas.

No Brasil, o mercado primário é regulado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela B3, que estabelecem as regras para emissão, registro e distribuição de ativos ao público.

Como funciona o mercado primário?

O funcionamento do mercado primário começa quando uma empresa ou instituição decide captar recursos. O processo envolve três etapas principais:

  1. Estruturação da oferta: a empresa define o tipo de ativo a ser emitido, o volume de recursos a captar e contrata instituições financeiras para coordenar a operação, como bancos de investimento e corretoras habilitadas pela CVM.
  2. Registro e aprovação: a oferta é registrada na CVM, que analisa o prospecto, documento com todas as informações sobre o emissor, os riscos associados e as condições da oferta. Somente após a aprovação regulatória a oferta pode ser distribuída ao mercado.
  3. Período de reserva e precificação: os investidores interessados manifestam intenção de compra durante o período de reserva. Com base na demanda, o preço final do ativo é definido e as ordens são alocadas.

Após a conclusão da oferta, os ativos passam a ser negociados entre investidores no mercado secundário, sem que o emissor participe dessas transações.

Qual a diferença entre mercado primário e secundário?

Essa é uma das perguntas mais buscadas por quem está começando a entender o mercado de capitais. A distinção é simples e fundamental:

Mercado primário e secundário no mercado financeiro

O mercado secundário é onde a maioria dos investidores opera no dia a dia, comprando e vendendo tipos de ações já listadas na bolsa. O mercado primário é o momento anterior a isso, quando o ativo ainda está sendo lançado e o investidor pode participar da oferta original. 

Por que o mercado primário é importante para a economia?

O mercado primário é um dos principais mecanismos de financiamento da economia. Quando uma empresa capta recursos por meio de uma oferta de ações ou debêntures, esse dinheiro vai diretamente para expansão de operações, geração de empregos, desenvolvimento de novos produtos e inovação tecnológica.

No Brasil, a capitalização de mercado das empresas listadas na B3 representava, em 2024, aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme dados do Banco Mundial. Nos Estados Unidos, esse percentual ultrapassa 200% do PIB, o que evidencia o quanto o mercado de capitais brasileiro ainda tem espaço para crescer como fonte de financiamento produtivo.

Além do impacto direto nas empresas, o mercado primário fortalece o mercado de capitais como um todo, amplia a diversidade de setores representados na bolsa e cria novas oportunidades de investimento para pessoas físicas e institucionais.

Quais ativos são negociados no mercado primário?

Três tipos de ativos concentram a maior parte das operações no mercado primário brasileiro.

IPO (Oferta Pública Inicial)

O IPO é o evento que marca a primeira venda de ações de uma empresa ao público e o início da negociação desses papéis na bolsa. Por meio do IPO, uma empresa privada abre seu capital, amplia sua base de sócios e capta recursos para financiar seu crescimento.

O Brasil não registra nenhum IPO na B3 desde 2021, quando 46 empresas abriram capital e movimentaram R$ 65,6 bilhões, conforme dados da própria B3. Desde então, o ambiente de juros elevados manteve o mercado em compasso de espera. Em dezembro de 2025, a B3 informou que 54 companhias já possuem registro de categoria A na CVM e aguardam uma janela mais favorável para estrear na bolsa, segundo declaração de Viviane Basso, diretora de Pós-Negociação da B3, durante o B3 Day 2025.

Follow-on

O follow-on é uma oferta pública realizada por empresa que já tem ações negociadas na bolsa. Diferentemente do IPO, não é a estreia do papel no mercado, mas uma nova emissão de ações para captar recursos adicionais.

O follow-on pode ser primário, quando a empresa emite novas ações e o dinheiro vai para o caixa da companhia, ou secundário, quando acionistas existentes vendem parte de suas posições e os recursos vão para eles, não para a empresa, conforme definição da B3. Para o investidor, participar de um follow-on de uma empresa já conhecida pode ser uma forma de ampliar posição com informações mais completas sobre o negócio do que em um IPO.

Debêntures e títulos de renda fixa

As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas para captar recursos no mercado primário. Ao comprar uma debênture, o investidor empresta dinheiro à empresa e recebe de volta o principal mais juros ao longo do prazo definido na emissão.

Diferentemente das ações, as debêntures são instrumentos de renda fixa ou variável dependendo do indexador escolhido, podendo ser prefixadas, pós-fixadas atreladas ao CDI ou híbridas com IPCA mais taxa fixa. Algumas debêntures são incentivadas, ou seja, isentas de Imposto de Renda para pessoa física, por financiarem projetos de infraestrutura, conforme Lei 12.431/2011.

Como investir no mercado primário?

Participar do mercado primário exige conta em uma instituição habilitada a distribuir ofertas públicas e atenção ao calendário de cada operação. O processo varia conforme o tipo de ativo, mas converge em dois caminhos principais.

Como participar de um IPO?

Com o Brasil aguardando a reabertura da janela de IPOs, entender o processo com antecedência é o melhor preparo para quando as oportunidades surgirem. A participação segue cinco etapas definidas pela CVM e pela B3:

  1. Leitura do prospecto: documento oficial com todas as informações sobre a empresa, os riscos associados, o uso dos recursos captados e as condições da oferta. É a principal fonte para avaliar se o investimento faz sentido para o seu perfil.
  2. Período de reserva: o investidor manifesta intenção de compra e define o valor que deseja alocar dentro da faixa de preço indicativa. Essa etapa ocorre antes da precificação final e tem prazo determinado.
  3. Bookbuilding e precificação: com base nas intenções de compra coletadas, o preço final das ações é definido. Se o preço ficar fora da sua faixa de interesse, é possível cancelar a reserva.
  4. Liquidação: confirmado o preço, o valor reservado é debitado e as ações são alocadas na conta do investidor.
  5. Estreia na B3: as ações passam a ser negociadas no mercado secundário. O preço de abertura pode ser maior ou menor do que o preço do IPO, conforme a demanda do mercado.

Para participar, o investidor precisa ter conta em uma corretora ou banco habilitado a distribuir a oferta, como o Banco Daycoval, e acompanhar o calendário de ofertas registradas na CVM.

O que avaliar antes de investir?

Participar do mercado primário envolve riscos associados específicos que diferem da compra de ações já listadas. Cinco pontos merecem atenção antes de qualquer decisão:

  • Perfil de risco: IPOs e follow-ons são ativos de renda variável, mais adequados para investidores com perfil moderado ou arrojado e horizonte de longo prazo. Antes de investir, vale entender a diferença entre renda fixa ou variável e o que cada uma representa para a sua carteira.
  • Análise da empresa: leia o prospecto com atenção, avalie o modelo de negócio, o histórico financeiro, a governança corporativa e o uso previsto dos recursos captados.
  • Liquidez: ações de IPO podem ter liquidez reduzida nos primeiros meses de negociação, especialmente em empresas menores. Três em cada quatro empresas que abriram capital em 2020 e 2021 registram retorno negativo desde o IPO, conforme estudo da Quantum Finance.
  • Objetivos financeiros: o mercado primário faz mais sentido dentro de uma carteira já estruturada, com reserva de emergência formada e diversificação entre diferentes tipos de ativos.
  • Cenário econômico: taxas de juros, câmbio e perspectivas para o setor da empresa influenciam diretamente o desempenho do ativo após o lançamento. Acompanhar as perspectivas para a renda variável em 2026 ajuda a contextualizar o momento antes de tomar qualquer decisão.

Quais são os riscos e oportunidades do mercado primário?

infográfico com riscos e oportunidades de investir no mercado primário

O mercado primário oferece acesso a ativos antes de estarem disponíveis para o público geral, o que pode representar uma oportunidade de entrada antecipada em empresas com potencial de crescimento

Por outro lado, os riscos associados incluem menor liquidez nos primeiros meses, ausência de histórico de negociação do papel e precificação que pode não refletir o valor real da empresa no curto prazo. A análise criteriosa do prospecto e o alinhamento com o perfil de risco são indispensáveis antes de qualquer participação.

Vale a pena investir no mercado primário?

Depende do perfil e dos objetivos financeiros. Para investidores com horizonte de longo prazo, perfil moderado ou arrojado e carteira já diversificada, o mercado primário pode ampliar o potencial de retorno. Para quem ainda está formando reserva ou tem objetivos de curto prazo, produtos de renda fixa tendem a ser mais adequados ao momento.

Como o Banco Daycoval facilita o acesso ao mercado primário

O Banco Daycoval é uma instituição habilitada a distribuir ofertas públicas, regulada pelo Banco Central e pela CVM. Por meio do Daycoval Investe, o investidor acessa o mercado primário com suporte especializado, desde a leitura do prospecto até a execução da reserva, dentro de uma plataforma com mais de 55 anos de solidez no mercado financeiro brasileiro.

Conclusão

O mercado primário é o ponto de partida do mercado de capitais. É onde empresas captam recursos para crescer e onde investidores podem participar de ofertas antes que os ativos cheguem ao mercado secundário.

Entender como funciona, quais ativos estão disponíveis e o que avaliar antes de investir é o que separa uma decisão bem fundamentada de uma tomada por impulso.

DISCLAIMER

Este material foi elaborado pelo Banco Daycoval S.A (“Daycoval”). As informações deste material são apenas informativas e não constituem solicitação, oferta ou recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os clientes. O Banco Daycoval não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base neste material, nem por prejuízos decorrentes de seu uso.

Investimentos em crédito privado apresentam baixa liquidez e podem não contar com um mercado secundário ativo e em caso de venda antecipada o preço de negociação pode oscilar significativamente, dependendo das condições de mercado e da avaliação dos ativos. Títulos de crédito privado não contam com a garantia do FGC.

O investimento em ações é um investimento de alto risco e é indicado para clientes com perfil de risco arrojado. Ação é uma fração do capital de uma empresa que é negociada no mercado e é um investimento no qual a rentabilidade não é preestabelecida, varia conforme as cotações de mercado.

A Ouvidoria do Banco Daycoval tem como objetivo atuar de forma independente e imparcial na mediação entre o Banco Daycoval, os clientes e os usuários de seus produtos e serviços e pode ser contatada por meio do telefone: Central de Atendimento 0800 777 0900 ou SAC 0800 775 0500 a disposição nos dias úteis, no horário das 9h às 18h.

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