
Investir em empresas como Apple, Amazon ou Microsoft sem precisar abrir conta fora do Brasil é possível. Os BDRs tornaram essa exposição acessível para o investidor brasileiro, com negociação em reais diretamente na B3.
O BDR é um certificado emitido no Brasil com lastro em ativos estrangeiros. Ao comprá-lo, o investidor não adquire a ação original, mas um instrumento que acompanha o desempenho desse ativo no mercado de origem, com influência direta do câmbio.
Neste artigo, você vai entender o que é BDR, como ele é emitido e negociado, quais são os níveis e tipos disponíveis, como o câmbio e a paridade afetam o retorno e como investir pelo Daycoval Investe.
Boa leitura!
Por aqui, você vai entender:
- O que é BDR e como o certificado é emitido
- Quais ativos podem servir de lastro para um BDR
- Quais são os níveis e tipos de BDRs
- O que é paridade e como o câmbio influencia o retorno
- Como investir em BDRs pelo Daycoval Investe

Sumário
Toggle- O que é BDR?
- Como os BDRs funcionam?
- Quais são os níveis de BDRs?
- Quais são os tipos de BDRs?
- Quais são as vantagens e desvantagens de investir em BDRs?
- O que é paridade no BDR?
- Como o câmbio influencia o BDR?
- Como investir em BDRs?
- Como investir em BDRs pelo Daycoval Investe?
- Conclusão
- FAQ — Perguntas frequentes sobre BDR
O que é BDR?
Brazilian Depositary Receipts (BDRs) são certificados de depósito emitidos no Brasil com lastro em ações, certificados de depósito de ações ou em valores mobiliários representativos de dívida, emitidos no exterior.
Assim, os BDRs permitem que investidores brasileiros tenham acesso a ações de empresas internacionais sem a necessidade de comprar diretamente ações estrangeiras em mercados externos.
Leia também: como investir em ações: aprenda com dicas para iniciantes
Como os BDRs funcionam?
O BDR começa com a aquisição do ativo estrangeiro por uma instituição depositária no Brasil. Essa instituição contrata um custodiante no exterior para manter os ativos originais sob guarda e, com base nessa custódia, emite os certificados que serão negociados na B3.
O fluxo completo funciona assim:
Ativo no exterior → Custódia no exterior → Instituição depositária → BDR emitido no Brasil → Negociação na B3
O investidor brasileiro compra o BDR na B3 como se fosse uma ação local, em reais, pelo home broker. O preço do certificado acompanha o preço do ativo original no mercado estrangeiro, convertido pela taxa de câmbio vigente e pela paridade definida no programa.
Como o BDR é emitido e negociado na B3
A emissão de um BDR exige registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A instituição depositária, que pode ser um banco brasileiro, estrutura o programa conforme as regras da Resolução CVM Nº 182/2023 e define a paridade entre o certificado e o ativo original.
Após o registro, o BDR passa a ser negociado na B3 com um código próprio de quatro letras seguido do número 34 para ações de empresas americanas, como AAPL34 (Apple) e MSFT34 (Microsoft). O investidor compra e vende cotas durante o pregão, exatamente como faz com ações brasileiras.
Quais ativos podem ser o lastro de um BDR?
O lastro de um BDR pode ser composto por diferentes tipos de ativos estrangeiros:
- Ações de empresas estrangeiras: a categoria mais comum, com certificados de grandes empresas americanas, europeias e asiáticas listadas na B3
- Certificados de depósito de ações: instrumentos que representam ações de empresas negociadas em mercados internacionais
- Valores mobiliários representativos de dívida: títulos de dívida emitidos no exterior, como bonds corporativos ou soberanos
- ETFs internacionais: alguns BDRs têm como lastro cotas de ETFs negociados no exterior, como o IVV e o SPY, que replicam o S&P 500
Quais são os níveis de BDRs?
Os BDRs são classificados em três níveis pela CVM, cada um com diferentes exigências regulatórias, público-alvo e forma de negociação. Um ponto importante: apenas o Nível I pode ser patrocinado ou não patrocinado. Os Níveis II e III são sempre patrocinados.
| Critério | Nível I | Nível II | Nível III |
| Patrocínio | Patrocinado ou não patrocinado | Sempre patrocinado | Sempre patrocinado |
| Registro da empresa na CVM | Não obrigatório | Obrigatório | Obrigatório |
| Oferta pública | Permitida quando patrocinado | Permitida | Permitida com captação de recursos |
| Negociação | Balcão organizado ou B3 | B3 | B3 |
| Público investidor | Investidor qualificado (não patrocinado) ou geral (patrocinado) | Geral | Geral |
*Fonte: Resolução CVM Nº 182, de 11 de maio de 2023.
Diferenças entre os Níveis I, II e III
Nível I é o mais comum e acessível:
- No modelo não patrocinado, a emissão parte de bancos depositários sem envolvimento da empresa estrangeira
- O acesso é restrito a investidores qualificados
- No modelo patrocinado, a empresa participa ativamente e o produto pode ser oferecido ao público geral
Nível II exige maior comprometimento da empresa estrangeira:
- Registro obrigatório dos valores mobiliários na CVM
- A empresa segue as normas brasileiras de divulgação
- Permite oferta pública e negociação na B3 para qualquer investidor
Nível III é o mais exigente:
- Cumpre todos os requisitos do Nível II
- Permite que a empresa estrangeira capte recursos no Brasil por meio de oferta pública de BDRs
- Indicado para empresas que querem se financiar no mercado brasileiro sem listar ações diretamente na B3
Quais são os tipos de BDRs?
Além dos níveis acima citados, podemos entender o que é BDR por meio dos seus tipos. E, na B3, isso é explícito na forma de BDRs patrocinados e não patrocinados.
Basicamente, a principal diferença entre eles está relacionada ao envolvimento da empresa estrangeira na emissão desses instrumentos financeiros no mercado brasileiro.
Vamos entender melhor como isso funciona a seguir. Confira!

BDR patrocinado
No BDR patrocinado, suas emissões ocorrem apenas com o envolvimento e apoio da empresa estrangeira cujas ações subjacentes estão sendo representadas pelos BDRs.
Isso dá a essas empresas uma participação ativa, que se envolve diretamente no processo de emissão e se compromete a seguir as normas brasileiras de divulgação e as respectivas regulamentações da CVM (que é a Comissão de Valores Mobiliários).
Além disso, os BDRs patrocinados podem ser emitidos nos níveis I, II ou III. Para tanto, depende do grau de comprometimento da empresa com as práticas de governança corporativa e também as regulamentações brasileiras.
BDR não patrocinado
Enquanto isso, os BDRs não patrocinados são emitidos sem o envolvimento direto ou mesmo o apoio ativo da empresa estrangeira. Nesse caso, a iniciativa de emissão é tomada por terceiros, como bancos depositários.
As divulgações de informações do emissor não precisam estar de acordo com as normas da CVM.
Segundo o artigo 5º da Resolução da CVM Nº 182, de 11 de maio de 2023. Os programas de BDR são classificados em:
I – BDR nível I, patrocinado ou não patrocinado;
II – BDR nível II, patrocinado; e
III – BDR nível III, patrocinado.
Não há menção a BDR não patrocinados nos níveis 2 e 3.
Vale destacar, por fim, que os BDRs patrocinados têm um maior comprometimento da empresa estrangeira com as práticas de governança e divulgação no mercado brasileiro.
A escolha entre BDRs patrocinados e não patrocinados, portanto, pode depender das preferências e dos critérios do investidor em relação à transparência e comprometimento das empresas estrangeiras.
Afinal, ambos os tipos oferecem aos investidores brasileiros a oportunidade de acessar ações de empresas estrangeiras listadas em outros mercados.
Quais são as vantagens e desvantagens de investir em BDRs?
Como já entendemos o que é BDR e como funciona o Brazilian Depositary Receipt, vamos entender seus principais pontos positivos e negativos? Começando pelas vantagens desse tipo de ativo:
- os BDRs permitem que investidores brasileiros tenham exposição a ações de empresas estrangeiras sem a necessidade de comprar diretamente ações nos mercados internacionais;
- investir em BDRs pode ser uma forma de diversificar a carteira de investimentos, adicionando ativos de mercados externos e reduzindo a dependência do desempenho do mercado doméstico;
- esses ativos são negociados na Bolsa de Valores brasileira (B3), facilitando a compra e venda desses instrumentos para investidores locais;

Por sua vez, BDRs têm certos riscos cambiais. Afinal, eles expõem os investidores às ações que são negociadas em moedas estrangeiras. Com isso, as variações nas taxas de câmbio podem impactar os retornos.
Os investidores ainda enfrentam os riscos associados às empresas estrangeiras subjacentes, incluindo condições de mercado, eventos corporativos e regulamentações específicas do país de origem.
E existem, ainda, as atenções com relação aos custos e às taxas praticadas pelo mercado. Isso porque, há custos associados à compra e venda de BDRs, incluindo taxas de corretagem e possíveis taxas de custódia.
Por isso, antes de investir em BDRs, os investidores devem realizar uma análise cuidadosa dos riscos e benefícios, considerando sua situação financeira e objetivos de investimento.
O que é paridade no BDR?
A paridade define a relação entre o BDR e o ativo estrangeiro que serve de lastro. Por exemplo, uma paridade de 1:1 significa que cada certificado representa uma ação da empresa no exterior. Uma paridade de 1:10 significa que cada BDR equivale a um décimo de uma ação estrangeira.
Essa estrutura existe porque ações de grandes empresas americanas podem ter preços elevados em dólar. Com a paridade fracionada, a instituição depositária torna o certificado mais acessível para o investidor brasileiro, permitindo comprar frações do ativo original com valores menores em reais.
A paridade também impacta diretamente o preço do BDR na B3. Quando o ativo estrangeiro sobe 5%, o BDR tende a subir proporcionalmente, descontada a variação cambial e a paridade definida no programa. Por isso, antes de investir, vale conferir a paridade do certificado no prospecto do programa registrado na CVM.
Como o câmbio influencia o BDR?
O retorno de um BDR em reais depende de dois fatores simultâneos: o desempenho do ativo estrangeiro no mercado de origem e a variação do câmbio entre o real e a moeda do ativo, geralmente o dólar.
Se uma ação americana sobe 10% em dólar, mas o real se valoriza 5% frente ao dólar no mesmo período, o retorno do BDR em reais será menor do que os 10% registrados no exterior. O inverso também é verdadeiro: uma desvalorização do real amplifica o retorno em reais, mesmo que o ativo tenha variado pouco em dólar.
Esse risco cambial não é necessariamente negativo. Para o investidor brasileiro, a exposição ao dólar via BDR pode funcionar como proteção em momentos de crise local, quando o real tende a perder valor. Mas exige consciência de que o resultado final combina desempenho do ativo e variação cambial, não apenas um dos dois.
Como investir em BDRs?
O primeiro passo é identificar seu perfil de investidor, ter claro o prazo de aplicação, retorno desejado e ciência da exposição ao risco.
Saiba mais: como juntar R$ 100 mil? Saiba quais estratégias usar!
Em seguida, abra sua conta em um banco de investimentos. Como você deve negociar BDRs na B3, isso se faz necessário. O que vale mencionar, inclusive: avalie as melhores empresas do mercado para fazer isso. Pode facilitar todo o seu trabalho e ainda te deixar em contato com especialistas focados em auxiliar cada investidor com base nos seus respectivos perfis.
Depois, basta escolher os seus BDRs. Lembre-se que uma análise assertiva é essencial. E se você não sabe por onde começar, aproveite para conhecer todas as opções disponíveis de renda variável no Banco Daycoval!
Como investir em BDRs pelo Daycoval Investe?
No Daycoval Investe, o processo para comprar BDRs segue os mesmos passos da compra de ações. Com a conta aberta e recursos transferidos, basta acessar o home broker, digitar o ticker do BDR desejado, como AAPL34 ou MSFT34, definir a quantidade de certificados e enviar a ordem de compra durante o pregão da B3.
A plataforma oferece acesso aos principais BDRs disponíveis no mercado, com diversificação internacional em reais e sem burocracia cambial. Para quem quer comparar BDRs com outras formas de exposição internacional, como ETFs e fundos, o blog do Daycoval reúne conteúdos que ajudam a entender as diferenças antes de decidir.
A abertura de conta é 100% digital, gratuita e leva poucos minutos.

Conclusão
Vimos, ao longo deste post, o que é BDR — sigla para Brazilian Depositary Receipt: trata-se de um instrumento financeiro que permite aos investidores brasileiros o acesso a ações de empresas estrangeiras listadas em outros mercados.
Os BDRs são emitidos no Brasil e negociados na Bolsa de Valores brasileira (B3), existindo dois tipos principais deles: patrocinados, que são emitidos com o envolvimento ativo da empresa estrangeira subjacente, e não patrocinados, sem esse envolvimento direto.
Além disso, esses ativos oferecem vantagens, como a diversificação internacional da carteira, acesso a empresas globais sem a necessidade de lidar diretamente com mercados estrangeiros e a possibilidade de escolher entre diferentes níveis.
No entanto, há desafios, incluindo riscos cambiais, custos associados à negociação e a necessidade de considerar a transparência e os compromissos de governança das empresas subjacentes.
Por isso, antes de investir em BDRs, conduza uma análise cuidadosa, considerando objetivos financeiros pessoais, tolerância ao risco e horizonte de investimento. E consulte nossos especialistas financeiros caso precise de auxílio para tomar decisões informadas e bem fundamentadas!
FAQ — Perguntas frequentes sobre BDR
Qual a diferença entre BDR e ETF?
O BDR é um certificado que representa um ativo estrangeiro específico, como uma ação de empresa. O ETF é um fundo negociado em bolsa que replica um índice composto por vários ativos. Ao comprar um BDR, o investidor tem exposição a uma empresa específica. Ao comprar um ETF, tem exposição a uma cesta de ativos de uma só vez. Ambos são negociados na B3 em reais, mas têm estruturas, custos e objetivos distintos.
Qual a diferença entre ações e BDR?
Ao comprar uma ação brasileira, o investidor adquire diretamente uma fração do capital de uma empresa listada na B3. No BDR, o investidor compra um certificado emitido no Brasil que representa um ativo estrangeiro mantido sob custódia no exterior. A principal diferença está na estrutura: o BDR não é o ativo original, mas um instrumento que acompanha seu desempenho, com influência direta do câmbio e da paridade definida no programa.
BDR paga dividendos?
Quando a empresa estrangeira distribui proventos, o valor é repassado proporcionalmente aos detentores do BDR, convertido em reais pela taxa de câmbio vigente na data do pagamento. A tributação sobre os dividendos recebidos via BDR segue as regras brasileiras, com alíquota de 15% retida na fonte para investidores pessoas físicas.
Qualquer investidor pode comprar BDR?
Depende do tipo e do nível do BDR. Os BDRs patrocinados de Nível I, II e III estão disponíveis para qualquer investidor pessoa física. Já os BDRs não patrocinados, que existem apenas no Nível I, são restritos a investidores qualificados, conforme definição da CVM. Antes de investir, vale verificar a classificação do programa no prospecto registrado na CVM.
BDR tem cobertura do FGC?
Não. O BDR é um ativo de renda variável e não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC cobre apenas produtos de renda fixa emitidos por instituições financeiras, como CDBs, LCIs e LCAs, dentro do limite de R$ 250 mil por CPF por instituição. O risco associado ao investimento em BDRs inclui a variação do ativo estrangeiro, o câmbio e os riscos específicos da empresa ou ativo de lastro.
DISCLAIMER
Este material foi elaborado pelo Banco Daycoval S.A (“Daycoval”). As informações deste material são apenas informativas e não constituem solicitação, oferta ou recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Antes de qualquer decisão de investimento, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se o produto apresentado é indicado para o seu perfil de investidor. Para fins de verificação da adequação do perfil do investidor aos produtos de investimento oferecidos, é utilizado a metodologia de adequação por produto, nos termos das Regras e Procedimentos do Código ANBIMA de Distribuição de Produtos de Investimento. Investimentos em BDRs estão sujeitos, entre outros fatores de risco, às oscilações dos ativos subjacentes negociados no exterior e à variação cambial, que podem impactar positiva ou negativamente o valor dos investimentos e, consequentemente, a rentabilidade do Fundo. O investimento em ações é um investimento de alto risco. Ação é uma fração do capital de uma empresa que é negociada no mercado e é um investimento no qual a rentabilidade não é preestabelecida, varia conforme as cotações de mercado. Os investimentos internacionais envolvem riscos específicos, como variação cambial, mudanças regulatórias, instabilidade política e econômica em diferentes jurisdições, entre outros fatores que podem impactar o desempenho dos ativos. O investidor deve estar ciente de que os investimentos no exterior podem envolver custos adicionais, como taxas de conversão de moeda e tributação específica conforme a legislação vigente de cada país. Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os clientes. O Banco Daycoval não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base neste material, nem por prejuízos decorrentes de seu uso.
A Ouvidoria do Banco Daycoval tem como objetivo atuar de forma independente e imparcial na mediação entre o Banco Daycoval, os clientes e os usuários de seus produtos e serviços e pode ser contatada por meio do telefone: Central de Atendimento 0800 777 0900 ou SAC 0800 775 0500 a disposição nos dias úteis, no horário das 9h às 18h.
