Reeleição de Lula: o que acontece com a Bolsa, os juros e o câmbio?

Tempo de leitura: 6 minutos

Se Lula vencer a eleição de 2026, o que acontece com a Bolsa, os juros e o câmbio? Essa é uma das perguntas que mais aparecem entre os investidores na reta final do segundo turno.

Gabriel Mollo, analista de renda variável da Daycoval Corretora, analisa o cenário de uma possível reeleição do atual presidente e a reação esperada do mercado.

Você vai entender:

  • como o mercado tende a reagir a uma reeleição de Lula;
  • quais empresas podem mostrar mais resiliência nesse cenário;
  • quais pontos merecem atenção na sua carteira.

Prefere acompanhar a análise em vídeo? Assista ao vídeo completo:

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Continuidade econômica e foco no fiscal

Uma reeleição do presidente Lula indica continuidade da orientação econômica atual. Na prática, isso significa maior participação do Estado, manutenção dos programas sociais e estímulos à habitação, à infraestrutura, à indústria e à transição energética.

Para o mercado, a grande questão continua sendo o fiscal. Os investidores vão acompanhar de perto a trajetória das contas públicas, a dinâmica da dívida e a capacidade do governo de apresentar um plano que estabilize o endividamento.

Por que a Bolsa tende a ficar mais seletiva

Se as dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal persistirem, os juros de longo prazo tendem a seguir elevados. Isso mantém o custo de capital alto e limita a expansão dos múltiplos, ou seja, o quanto o mercado aceita pagar pelo lucro de cada empresa.

O resultado é uma Bolsa mais seletiva. Nesse ambiente, quatro critérios ganham peso na escolha dos ativos:

  1. Geração de caixa
  2. Nível de endividamento
  3. Previsibilidade das receitas
  4. Exposição ao dólar

Onde estão as empresas mais resilientes

Com esses filtros, alguns grupos de empresas se destacam no cenário de reeleição de Lula.

Exportadoras

Embraer (EMBJ3), Suzano (SUZB3) e Gerdau (GGBR4) têm receitas relevantes no exterior. Em um cenário de real mais fraco, essa exposição pode melhorar os resultados quando convertidos para reais.

O efeito líquido, porém, depende dos custos em dólar, dos preços internacionais e da demanda global.

Construção de baixa renda

A continuidade das políticas habitacionais tende a sustentar a demanda por imóveis populares. Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) podem mostrar resiliência relativa frente a incorporadoras que dependem do financiamento de média e alta renda.

Aqui, regras dos programas, subsídios, custos de obra e capacidade de execução seguem decisivos.

Defensivas e geradoras de caixa

Caixa Seguridade (CXSE3) e TIM (TIMS3) oferecem dinâmicas operacionais menos ligadas ao ciclo econômico. BB Seguridade (BBSE3), Telefônica Brasil (VIVT3) e Petrobras (PETR4) também entram no radar pela geração de caixa e pela capacidade de remunerar o acionista.

Um alerta sobre Petrobras: decisões de investimento, política de preços e influência do controlador continuam relevantes. Por isso, a empresa não deve ser vista como proteção automática contra o risco fiscal.

Consumo popular e empresas endividadas

Os programas sociais e as políticas de crédito podem sustentar o consumo das famílias de menor renda, o que favorece supermercados e varejo popular.

Já empresas endividadas e negócios que dependem de financiamento tendem a sofrer mais com juros altos.

O efeito no câmbio

No câmbio, a percepção de piora fiscal pode pressionar o real.

Um dólar mais caro encarece importações e mantém as expectativas de inflação elevadas, o que dificulta a queda dos juros. Esse é o lado negativo para o consumo e para empresas com custos dolarizados.

Por outro lado, é justamente nesse ambiente que exportadoras e companhias com receita em moeda forte ganham espaço como amortecedor dentro da carteira.

Riscos e o cenário alternativo

O principal risco: o crescimento da dívida

O principal risco é a ausência de medidas suficientes para conter o crescimento da dívida. Nesse caso, a pressão sobre juros e câmbio se prolonga, e os setores domésticos têm dificuldade para sustentar valorizações.

Um cenário que não pode ser descartado

Existe um cenário alternativo. Uma equipe econômica bem recebida pelo mercado, com medidas fiscais críveis e trajetória mais previsível para as contas públicas, pode reduzir o prêmio de risco do país.

Se isso acontecer, a recuperação dos ativos brasileiros tende a ser mais ampla e pode alcançar inclusive os setores mais sensíveis aos juros. Por isso, a composição do time econômico será um dos primeiros sinais a acompanhar após a eleição.

Nossa visão e recomendação

Na nossa leitura, uma possível reeleição de Lula mantém a política social e os estímulos setoriais como motores da economia. O desempenho da Bolsa, porém, vai depender sobretudo da condução fiscal.

Enquanto não houver melhora consistente das expectativas, exportadoras, empresas com caixa previsível e companhias pouco alavancadas tendem a mostrar mais resiliência.

Nossa recomendação é:

  • manter uma carteira diversificada entre negócios domésticos e exportadores;
  • priorizar balanços sólidos;
  • controlar a exposição a setores muito dependentes de juros baixos.

Assim, você preserva patrimônio e mantém flexibilidade para ajustar posições conforme o cenário ficar mais claro.

Conclusão

No cenário de reeleição de Lula, o mercado deve manter os olhos no fiscal. Seletividade, qualidade de balanço e proteção cambial ganham importância. Ao mesmo tempo, uma sinalização fiscal convincente pode abrir espaço para uma recuperação mais ampla dos ativos brasileiros.

Para posicionar sua carteira em qualquer desfecho, conte com os especialistas do Daycoval.

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DISCLAIMER

Este relatório de análise foi elaborado pelo Daycoval Corretora de Títulos e Valores Mobiliários LTDA. (“Daycoval CTVM”), sociedade regulada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e distribuído também por seu controlador, o Banco Daycoval S.A. (em conjunto, “Grupo Daycoval”), de acordo com todas as exigências na Resolução CVM nº 20/2021, como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar sua própria decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta ou solicitação de compra e/ou venda de quaisquer produtos. 

O signatário deste relatório declara que as recomendações refletem única e exclusivamente suas análises e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente, inclusive em relação ao Grupo Daycoval e que estão sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado, e que sua(s) remuneração(es) é(são) indiretamente influenciada(s) por receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela Daycoval CTVM. O analista Gabriel Augusto Mollo CNPI-T 6558, responsável pelo conteúdo deste relatório e pelo cumprimento da Resolução CVM nº 20/2021. O analista tem o dever do cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC para o Analista de Valores Mobiliários. O Grupo Daycoval não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelo cliente com base no presente relatório.

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Gabriel Mollo atua na área de finanças desde 2007, com experiência como assessor de investimentos, analista de suporte, analista de investimentos e trader. Ao longo da carreira, foi responsável por prospecção e manutenção de clientes, análise fundamentalista e técnica de ativos, execução de operações em bolsa e implementação de novos produtos e serviços. Também ministrou cursos e palestras, treinou colaboradores e contribuiu na implantação de soluções financeiras.

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