Este artigo traz a análise de Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval. Reunimos aqui a nossa visão sobre o último mês no Brasil e no exterior e o que esperamos para os próximos. O foco está nos movimentos de juros, na atividade econômica e nas projeções que devem orientar as decisões de investimento.
O período trouxe uma mudança relevante na política monetária norte-americana e uma revisão importante na nossa projeção para a Selic. Para acompanhar a análise completa com o nosso economista-chefe, assista ao vídeo abaixo.
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Cenário internacional
A principal mudança do mês veio dos Estados Unidos. O Federal Reserve, Banco Central norte-americano, elevou a taxa de juros para o intervalo entre 3,75% e 4,00% ao ano.
A decisão veio acompanhada de uma sinalização clara: deve haver pelo menos mais uma alta de juros ainda este ano. Depois disso, a expectativa é de que a taxa se mantenha no mesmo patamar ao longo de 2027.
Além do movimento do Fed, as taxas de juros de mercado dos títulos de mais longo prazo também subiram em escala global. Esse quadro costuma dificultar o cenário para os países emergentes, já que tende a reduzir o apetite por ativos de maior risco e a pressionar as condições financeiras.
No último mês, porém, esse efeito foi pouco perceptível no Brasil. As questões locais acabaram se sobrepondo ao ambiente internacional mais desafiador e ditaram o comportamento dos ativos domésticos.
Cenário doméstico
No Brasil, o que se verifica de forma mais clara é a desaceleração da atividade econômica. Como já vínhamos apontando nas últimas análises, esse movimento ganhou corpo. O mercado de trabalho também passou a mostrar alguma moderação.
Esse conjunto tornou o cenário mais benigno para a redução da taxa de juros ao longo dos últimos meses. Uma atividade menos aquecida e um mercado de trabalho mais moderado tendem a aliviar as pressões sobre os preços à frente.
O cenário inflacionário, por sua vez, ainda é um pouco desafiador. Mesmo assim, a nossa expectativa é de melhora da inflação em 2027, o que reforça o espaço para uma política monetária menos restritiva.
Selic: projeções
Já vínhamos comunicando que a probabilidade de uma redução substancial da taxa de juros no próximo ano era crescente e significativa. Os acontecimentos mais recentes fortaleceram essa leitura.
Os resultados do primeiro turno das eleições levaram à compressão do prêmio de risco e à apreciação do real. Esses fatores reforçam o cenário de redução da Selic, agora de forma continuada, ao longo do final de 2026 e durante todo o ano de 2027.
Com isso, revisamos as nossas projeções:
- Selic ao fim de 2026: 13,25% ao ano, ante 13,75% na projeção anterior.
- Selic ao fim de 2027: 11,25% ao ano, o que representa cerca de 200 pontos-base de cortes em relação ao fim deste ano.
Ainda há muita incerteza em relação a 2027. Mas há uma afirmação que podemos fazer com convicção: a taxa de juros deve seguir em queda ao longo do próximo ano.
Conclusão
Outubro marca uma virada no cenário de juros. No exterior, o Fed voltou a subir a taxa e os juros longos avançaram globalmente, um ambiente que costuma ser mais difícil para os emergentes. No Brasil, porém, os fatores locais prevaleceram. A atividade mais fraca, o mercado de trabalho mais moderado, a perspectiva de melhora da inflação e o alívio no prêmio de risco após o primeiro turno abrem caminho para um ciclo contínuo de cortes da Selic.
Para o investidor, é o momento de revisar o posicionamento da carteira diante de uma trajetória de juros em queda. Com a solidez e a orientação especializada do Banco Daycoval, você ajusta seus investimentos com confiança para cada etapa do novo ciclo.

