Setembro chegou ao fim às vésperas do 1º turno das eleições no Brasil, com forte volatilidade nos principais ativos e toda a expectativa voltada para o 2º turno.
Somado a isso, a situação dos juros americanos e a continuidade do conflito entre Irã e Estados Unidos seguem em pauta, pressionando o preço do petróleo.
Diante desse quadro, a pergunta que orienta as próximas semanas é: o que esperar para o dólar em outubro?
Nesta análise, Otávio Oliveira, Gerente de Tesouraria do Banco Daycoval, destrincha os fatores que devem influenciar o câmbio ao longo do mês. Para quem acompanha a moeda de perto e usa essa leitura na hora de investir, entender essas forças faz toda a diferença.
Ao longo do texto, você vai ver o que moveu o câmbio em setembro, como o cenário global afeta a moeda, o que acontece no Brasil e o que esperar para outubro.
Assista à análise completa em vídeo com Otávio Oliveira:

Sumário
ToggleO que aconteceu com o dólar em setembro
Setembro trouxe a intensificação da disputa entre os candidatos presidenciáveis em plena campanha eleitoral. Com o empate técnico entre os principais nomes, o mercado reagiu com oscilações a cada nova pesquisa ou pequena alteração nas estatísticas de intenção de voto.
O efeito foi claro: o dólar apresentou alta ao longo do mês, enquanto os juros e a bolsa enfrentaram boa dose de volatilidade. Quando o rumo da política econômica ainda não está definido, o mercado tende a pedir um prêmio maior para carregar risco — e isso aparece rápido no câmbio.
No exterior, o petróleo e os juros americanos seguiram influenciando o preço de diversos ativos pelo mundo, reforçando a pressão sobre a moeda por aqui.

Cenário global: petróleo e juros americanos
Mais uma vez, Irã e Estados Unidos tentaram um acordo para cessar o conflito na região do estreito de Ormuz, mas ainda sem grandes avanços. A falta de resolução voltou a elevar o preço do petróleo para mais de US$ 100 o barril.
No campo dos juros, o novo presidente do FED, Kevin Warsh, elevou as taxas americanas pela primeira vez para combater a crescente inflação nos Estados Unidos.
E não para por aí: os mercados ainda precificam a possibilidade de uma nova escalada dos juros por lá ainda em 2026 — movimento que deve mexer bastante com a economia global.
Quando os juros americanos sobem, o efeito não fica restrito aos EUA: ele influencia juros, bolsas e moedas no mundo todo.
Por que isso pressiona o real
Juros mais altos nos Estados Unidos tornam esse destino mais atraente para o capital global. Parte da liquidez migra para economias desenvolvidas, drenando recursos de mercados emergentes como o Brasil.
O resultado prático é um dólar mais forte por aqui. Caso a nova alta se concretize até o fim do ano, o real tende a se desvalorizar frente à moeda americana. Em outras palavras, o câmbio segue sensível ao que acontece lá fora.
Brasil: as principais influências em setembro
Com a eleição já nos próximos dias, os dois principais candidatos para o 2º turno, Flávio Bolsonaro e Lula, estão em plena campanha. O mercado antecipa essa próxima etapa, e cada variação nas intenções de voto se reflete diretamente no dólar e na curva de juros.
Ainda sobre os juros, o atual governo promoveu diversas medidas às vésperas da eleição que estreitaram o orçamento do próximo ano. Entre elas, o aumento do Bolsa Família, medidas para segurar o preço do combustível na bomba e a ampliação do programa para devedores “Desenrola”. Com isso, os juros futuros voltaram a abrir.
Após um novo corte de juros, o Banco Central ainda pretende realizar mais um corte na próxima reunião — o que deve ocorrer após o segundo turno.
Conclusão: expectativas para o dólar em outubro
Reunindo os fatores globais e domésticos, o cenário para outubro fica mais nítido. Veja os principais pontos:
- Dólar podendo superar R$ 5,20 ou R$ 5,30: patamar provável conforme as análises eleitorais do mercado.
- Juros nos EUA em observação: atenção à possibilidade de uma nova alta das taxas americanas ainda em 2026.
- Brasil: após o corte de juros de setembro, a expectativa é de mais um corte até o final do ano.
Cada um desses pontos aponta para o mesmo caminho: um mês de câmbio sensível ao noticiário, tanto interno quanto externo.
Acompanhar esses movimentos com uma leitura consistente é o que permite transformar cenários incertos em decisões mais estratégicas.
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