Cotação atual entre 5,70 e 5,80. O que esperar para o dólar em março?

Tempo de leitura: 4 minutos
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Quando o assunto é o mercado cambial, podemos descrever fevereiro de 2025 como um mês de sentimentos mistos. Parte do mercado já desenha suas expectativas para o resto do ano, mas uma fatia significativa dos principais players nacionais e internacionais permanecem aguardando os desdobramentos das políticas do 47º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ações essas que poderiam ser classificadas como pouco ortodoxas do ponto de vista de político, mas amplamente utilizadas pelo governo americano. Mas afinal, como isso pode impactar o dólar em março?

Neste artigo, analisamos os fatores que influenciam a oscilação do dólar e como os eventos globais podem afetar o câmbio ao longo do mês.

Desdobramentos das políticas do presidente americano

Primeiramente, no xadrez geopolítico muito vem sendo feito e mais ainda especulado, com Trump dobrando a aposta em uma política enfática do ponto de vista diplomático. Países como Panamá, Canadá e México tiveram de certa forma sua soberania questionada, mesmo que em um tom somente provocativo. O próprio México teve o nome de seu golfo alterado para “Golfo da América” apenas para demonstrativo do soft power americano.

Assista ao vídeo completo com as análises de Otávio Oliveira, gerente de tesouraria do Banco Daycoval:

O dólar pode cair ainda mais este mês?

Cortes no funcionalismo público americano 

Um outro agente que vem demonstrando um protagonismo maior do que o esperado inicialmente é o do próprio Elon Musk, que além de ter as suas empresas, como Tesla e Space X, está encabeçando todo um departamento dentro do governo Trump, com o objetivo de buscar eficiência, realizando cortes no funcionalismo público americano e cortes a repasses nacionais e internacionais.

Questão migratória

Na questão imigratória, já se inicia um fortalecimento de deportação de ilegais dos EUA. O governo americano já enviou aviões com imigrantes a alguns países da américa latina, como a Colômbia e o Brasil. A própria Colômbia, que havia inicialmente se recusado a receber os imigrantes, recuou ao ser ameaçada de retaliação via tarifas pelos americanos. Resta saber se as vagas de trabalho, muitas vezes informal, antes preenchidas pelos imigrantes serão ocupadas por americanos.

Tax war

Ainda na agenda política, as consequências mais reais e imediatas na economia podem ser já sentidas pelas tarifas que o governo americano vem impondo a diversos países e produtos. A chamada “Tax War” marcou o primeiro mandato de Trump, principalmente com a China.

No segundo mandato, além da própria China, outros países entraram na mira do republicano. Parceiros comerciais próximos, como Canadá e México, tiveram além de tarifas, fronteiras com os EUA reforçadas. O governo americano vem se utilizando desta estratégia como moeda de troca para atingir seus objetivos a nível internacional.

Outros produtos que sofreram taxação foram os siderúrgicos como alumínio e aço. Mais especificamente o aço, há uma posição significativa na balança comercial brasileira na commodity, com a tarifação de 25% imposta há uma previsão de redução significativa da exportação brasileira para os Estados Unidos, uma vez que 60% do aço brasileiro tem como destino o país norte americano.

Pressão para baixar os juros

Trump também pressiona o banco central americano, O FED, para baixar o quanto antes a sua taxa de juros com o intuito de fomentar a economia. Na contramão deste movimento está a expectativa de que tantas ações que visam fomentar a economia localmente nos EUA acabem gerando inflação acima do teto estabelecido. É por isso que há um consenso no mercado, juntamente com falas do próprio presidente FED, Jerome Powel, que disse não ter pressa para apresentar uma queda nos juros americanos.

Sentimento de incerteza no Brasil

As ações que no começo do ano geraram uma forte expectativa para um dólar forte e que por consequência enfraqueceu o real e outras moedas, agora são observadas de lado, enquanto o mercado digere o que já foi feito e antecipa o que virá.

No Brasil, apesar da queda do dólar, ainda há um sentimento de incerteza. Mesmo com desemprego em patamares historicamente baixos, o mercado local há tempos antecipa uma onda inflacionária. Um retrato disso são os títulos indexados em inflação que pagam mais de 7% aa de prêmio. Para conter tais expectativas, vêm se elevando as taxas de juros, o DI, no país.

É muito importante frisar que no Brasil há um forte debate sobre as ferramentas que o banco central, como autoridade monetária, se utiliza para conter a inflação e cumprir o seu mandato. O mercado por inúmeras vezes reiterou que a falta de um ambiente propício ao desenvolvimento econômico, com o tempo, contamina negativamente a economia.

E já é possível sentir estes efeitos com a expectativa de um PIB mais baixo em 2025 do que antes se pensava, além de uma inflação que deve superar novamente o teto estabelecido pela autoridade monetária.

Fato que apenas políticas monetárias não devem ter o efeito desejado, caso não sejam aplicadas juntamente às políticas fiscais. Pois apesar do Brasil ter registrado arrecadação recorde em 2024, ainda paira no ar o sentimento da falta de controle das contas públicas, oque cria um ambiente pouco propício no longo prazo para o desenvolvimento econômico sustentável.

Conclusão

O mercado ainda segue pessimista nesse âmbito, pois independentemente de viés político, os governos federais possuem histórico de descontrole das contas públicas em ano eleitoral. O que está bem perto já em 2026. Mesmo com dados positivos em fevereiro, o dólar que vem caindo desde os patamares altíssimos que ocorreram ao final de 2024, agora permanece de lado após retornar aos patamares entre 5,70 e 5,80 em conjunto com uma posição mais cautelosa do mercado.

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