Letra Financeira: o que é, características e como investir

Tempo de leitura: 9 minutos
Letra financeira

Pessoas interessadas em realizar investimentos mais robustos frequentemente encontram uma variedade de termos e opções, muitas vezes sem clareza sobre seu funcionamento e rendimento.

Por isso, neste artigo, vamos explicar o que é a Letra Financeira, suas características, rentabilidade e garantias para que você entenda esse produto financeiro.

Assim, ao compreender como esses títulos funcionam, você poderá avaliar de forma mais informada as melhores opções para proteger e fazer crescer seu patrimônio.

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O que é a Letra Financeira?

A Letra Financeira é um título de renda fixa emitido por instituições financeiras para captar recursos de longo prazo, geralmente superiores a dois anos. 

Seu atrativo principal é oferecer uma rentabilidade superior a outras aplicações de menor prazo ou com liquidez diária. 

E esses títulos beneficiam tanto as instituições financeiras, que obtêm os recursos necessários, quanto os investidores que buscam retornos melhores em aplicações de longo prazo.

Quais são os tipos de Letra Financeira?

As Letras Financeiras (LFs) podem ser classificadas em dois tipos principais, com base na presença ou ausência de cláusula de subordinação:

Letras Financeiras sem cláusula de subordinação

A Letra Financeira sem cláusula de subordinação tem valor mínimo de aplicação de R$ 50.000,00 e prazo de vencimento de no mínimo 24 meses, conforme Resolução CMN 5.007/2022.

Nesse modelo, o investidor tem prioridade no recebimento dos valores em relação aos credores subordinados em caso de intervenção ou liquidação da instituição emissora. O resgate antecipado é vedado por regulamentação, o que significa que o capital permanece investido até o vencimento pactuado.

Letras Financeiras com cláusula de subordinação

A Letra Financeira com cláusula de subordinação tem valor mínimo de aplicação de R$300.000,00 e prazo de vencimento de no mínimo 60 meses, conforme Resolução CMN 5.007/2022.

Nesse modelo, em caso de intervenção ou liquidação da instituição emissora, o pagamento ao investidor ocorre após a quitação de todos os credores com prioridade superior, incluindo os quirografários. Esse risco associado adicional tende a ser compensado por taxas de remuneração mais atrativas em relação às emissões sem subordinação.

Qual é a diferença entre LC e LF?

A tabela abaixo compara os dois produtos. Um ponto de atenção importante: a cobertura do FGC se aplica à Letra de Câmbio (LC), não à Letra Financeira (LF). O artigo original continha essa informação invertida.

CaracterísticasLCLF
EmissorFinanceiras, para captar recursos destinados a crédito ao consumidor e empresasBancos e grandes instituições financeiras, para captação de recursos de longo prazo
PrazoCarência de 24 meses, com maior liquidez em relação à LFMínimo de 24 meses, podendo chegar a 60 meses ou mais nas emissões subordinadas
Cobertura do FGCPode ter cobertura do FGC de até R$ 250 mil por CPF por instituição, dependendo da emissoraNão tem cobertura do FGC
RiscoMenor em relação à LF para investidores com cobertura do FGCMaior, especialmente nas emissões com cláusula de subordinação
Valor mínimoVariável conforme a emissoraR$ 50.000,00 (sem subordinação) ou R$ 300.000,00 (com subordinação)

Como funciona o resgate e a rentabilidade da Letra Financeira?

A Letra Financeira não permite resgate antecipado, total ou parcial, antes do vencimento pactuado. Essa é uma característica regulatória definida pelo Banco Central do Brasil que distingue a LF de outros produtos de renda fixa com liquidez diária ou antes do vencimento.

A remuneração pode ser prefixada, pós-fixada atrelada à Taxa DI ou híbrida, combinando uma taxa prefixada com um índice de preços como o IPCA. É admitido o pagamento periódico de rendimentos em intervalos de no mínimo 180 dias, autorizado pelo Banco Central do Brasil, mas cabe à instituição emissora definir se fará essa distribuição.

Essa estrutura permite ao investidor projetar com clareza o fluxo de rendimentos ao longo do período, já que as condições de remuneração são definidas no momento da emissão e não se alteram durante a vigência do título.

Qual é a tributação da Letra Financeira?

A Letra Financeira segue a mesma tabela regressiva de Imposto de Renda aplicável a outros produtos de renda fixa tributados, como o CDB:

PrazoAlíquota de IR
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Como o prazo mínimo da Letra Financeira é de 24 meses (730 dias corridos), todos os resgates no vencimento se enquadram na alíquota de 15%, a menor da tabela regressiva. Isso representa uma vantagem em relação a produtos com prazos mais curtos, que podem ser tributados em alíquotas superiores.

O IOF não incide sobre a Letra Financeira, pois o produto não permite resgate antes de 30 dias. A tributação de 15% incide apenas sobre os rendimentos, não sobre o valor principal investido.

A Letra Financeira tem garantia do FGC?

Este tipo de título não possui garantia do Fundo Garantidor de Crédito – FGC, diferentemente de outras aplicações como CDB, LCA e LCI. 

Esse Fundo assegura investimentos de até R$250 mil por CPF e instituição financeira, mas não se aplica à LF.

Esse é um ponto que requer atenção, pois demanda que o investidor faça uma análise prévia da situação financeira atual da instituição financeira emissora da LF. 

Sempre com objetivo de evitar riscos de perdas do investimento.

Quais são as vantagens de investir na Letra Financeira?

Investir em Letras Financeiras têm algumas vantagens bem atrativas. Conheça-as, a seguir:

  • Previsibilidade de ganhos: como as LFs são títulos de renda fixa, oferecem ao investidor uma previsão clara de retorno, o que é ideal para quem deseja planejar seus rendimentos futuros com mais segurança;
  • Boa rentabilidade: geralmente, a Letra Financeira pode oferecer rentabilidade mais atrativa a outras modalidades de renda fixa com prazos mais curtos, como o CDB e a LCI. Esse retorno maior está associado ao longo prazo e, em alguns casos, ao risco adicional;
  • Diversificação da carteira: adicionar LFs à carteira de investimentos é uma forma de diversificar as aplicações, diluindo riscos e equilibrando o portfólio entre ativos de curto, médio e longo prazo.

E quais são os riscos de investir em LF?

Investir em Letra Financeira envolve riscos que precisam ser avaliados antes da aplicação:

  • Risco de crédito: a LF não tem cobertura do FGC, o que significa que o investidor depende integralmente da saúde financeira da instituição emissora. Em caso de intervenção ou liquidação, não há garantia de recuperação integral do capital investido
  • Ausência de liquidez antecipada: o resgate antes do vencimento é vedado por regulamentação. O investidor precisa ter certeza de que não precisará do capital durante todo o prazo contratado, que pode ser de 24 a 60 meses ou mais
  • Risco de subordinação: nas emissões com cláusula de subordinação, o pagamento ao investidor ocorre após a quitação de todos os credores com prioridade superior em caso de intervenção. Isso aumenta o risco associado em relação às emissões sem subordinação
  • Risco de mercado: por serem títulos de longo prazo, as LFs estão sujeitas a variações nas condições econômicas ao longo do período, o que pode afetar a atratividade do produto em comparação com alternativas disponíveis no futuro

LF e outros produtos de renda fixa: veja a comparação

Profissionais vendo se letra financeira tem ir

Ao comparar Letras Financeiras com outros produtos de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCs, algumas diferenças-chave emergem:

  • Rentabilidade: LFs tendem a oferecer uma rentabilidade mais atrativa, especialmente se comparadas a produtos com liquidez diária ou prazos mais curtos;
  • Risco: as LFs, especialmente aquelas com cláusula de subordinação, apresentam maior risco em comparação com CDBs e LCIs, que contam com a cobertura do FGC;
  • Prazo: enquanto CDBs e LCIs podem ter prazos mais curtos, as LFs são projetadas para investidores que podem manter seu capital investido por prazos mais longos, geralmente de 2 a 5 anos ou mais.

Para quem é indicado esse investimento?

A Letra Financeira é indicada para investidores que reúnem três características específicas:

  1. Horizonte de longo prazo: o investidor precisa ter certeza de que não precisará do capital pelo prazo mínimo contratado, de 24 meses nas emissões sem subordinação e 60 meses nas emissões com subordinação. A ausência de liquidez antecipada é uma condição regulatória, não uma opção do emissor.
  2. Tolerância ao risco de crédito: como a LF não tem cobertura do FGC, o investidor precisa estar disposto a avaliar a solidez da instituição emissora e aceitar o risco associado à ausência dessa proteção. Esse ponto é especialmente relevante para as emissões com cláusula de subordinação, onde a prioridade de pagamento é mais restrita.
  3. Valor mínimo disponível: o acesso à Letra Financeira exige no mínimo R$50.000,00 para emissões sem subordinação e R$300.000,00 para emissões com subordinação. Não é um produto para quem está começando a investir ou com patrimônio ainda em construção.

Em geral, o produto é mais adequado para investidores com carteira já diversificada, que buscam rentabilidade superior à de produtos mais curtos e têm capacidade financeira para imobilizar o capital pelo prazo contratado.

Como investir nas Letras Financeiras?

Para investir em Letra Financeira, o primeiro passo é identificar instituições que ofereçam o produto com condições transparentes e alinhadas ao seu objetivo financeiro.

No Daycoval Investe, é possível verificar as opções de LF disponíveis, com informações sobre prazo, indexador, percentual de remuneração e condições de emissão. Antes de aplicar, vale confirmar:

  • Se o valor disponível atende ao mínimo exigido: R$ 50.000,00 para emissões sem subordinação
  • Se o prazo contratado é compatível com o horizonte de investimento, sem necessidade do capital antes do vencimento
  • Se a escolha entre emissão com ou sem cláusula de subordinação está alinhada ao perfil de investidor e à tolerância ao risco associado
  • Se a instituição emissora tem solidez financeira reconhecida, dado que a LF não conta com proteção do FGC

A abertura de conta no Daycoval Investe é 100% digital, gratuita e sem tarifas.

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Conclusão

Vimos, neste post, que a Letra Financeira é uma opção robusta para investidores que buscam rentabilidade superior em produtos de renda fixa, com a vantagem de previsibilidade e boa rentabilidade a longo prazo. 

No entanto, é crucial atentar-se aos riscos associados, como a subordinação e a baixa liquidez. 

Avaliar cuidadosamente as características desses títulos e alinhar seu perfil de investidor com as condições oferecidas ajudará a maximizar os benefícios e a proteger seu patrimônio. 

Se estiver considerando esse tipo de investimento, certifique-se de fazer uma escolha informada e estratégica, e conte com o Daycoval para isso!

FAQ — Perguntas frequentes sobre Letra Financeira

Qual é o investimento mínimo em uma Letra Financeira?

A Letra Financeira sem cláusula de subordinação possui valor nominal unitário mínimo de R$50.000. Nas emissões com cláusula de subordinação, o valor mínimo é de R$300.000, conforme as regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional.

Posso resgatar uma Letra Financeira antes do vencimento?

A LF foi criada como instrumento de captação de longo prazo e não possui a mesma disponibilidade de resgate encontrada em aplicações com liquidez diária. A regulamentação prevê condições específicas para recompra, troca e determinadas emissões, por isso o investidor deve consultar as características do título antes da aplicação e considerar que o dinheiro poderá permanecer comprometido pelo período contratado.

Letra Financeira tem cobertura do FGC?

A Letra Financeira não faz parte dos produtos cobertos pela garantia ordinária do Fundo Garantidor de Créditos. Por esse motivo, a análise da instituição emissora ganha maior peso antes da aplicação.

Qual é o prazo mínimo de uma Letra Financeira?

Nas emissões sem cláusula de subordinação, o prazo mínimo é de 24 meses. Letras Financeiras subordinadas possuem condições próprias e podem exigir períodos maiores, conforme a regulamentação aplicável à emissão.

Letra Financeira paga Imposto de Renda?

Para pessoas físicas, os rendimentos seguem a tributação aplicável às aplicações de renda fixa. Como o prazo mínimo da LF comum ultrapassa 720 dias, o vencimento normalmente se enquadra na alíquota de 15% sobre os rendimentos, considerando as regras tributárias vigentes.

Qual é a diferença entre CDB e Letra Financeira?

Os dois são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras, porém apresentam características distintas de prazo, disponibilidade do dinheiro e proteção. O CDB pode contar com cobertura do FGC dentro dos limites estabelecidos e existem emissões com liquidez diária. A LF não possui cobertura do fundo e é voltada à captação de recursos por períodos maiores.

Letra Financeira é um investimento seguro?

A LF apresenta risco de crédito da instituição emissora e não possui cobertura do FGC. O nível de risco depende das características da emissão, da situação financeira do emissor e da eventual presença de cláusula de subordinação. A decisão deve considerar esses fatores em conjunto com o prazo e o perfil do investidor.

Vale a pena investir em Letra Financeira?

A LF pode fazer sentido para quem possui recursos compatíveis com o valor mínimo, consegue manter o dinheiro aplicado pelo período contratado e aceita o risco de crédito do emissor em busca das condições oferecidas pela emissão. A comparação deve considerar a rentabilidade líquida, o prazo e as demais alternativas disponíveis no momento.

DISCLAIMER

Este material foi elaborado pelo Banco Daycoval S.A (“Daycoval”). As informações deste material são apenas informativas e não constituem solicitação, oferta ou recomendação de compra ou venda de ativos financeiros. Antes de qualquer decisão de investimento, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se o produto apresentado é indicado para o seu perfil de investidor. Para fins de verificação da adequação do perfil do investidor aos produtos de investimento oferecidos, é utilizado a metodologia de adequação por produto, nos termos das Regras e Procedimentos do Código ANBIMA de Distribuição de Produtos de Investimento. Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os clientes. O Banco Daycoval não se responsabiliza por decisões de investimento tomadas com base neste material, nem por prejuízos decorrentes de seu uso.

A Ouvidoria do Banco Daycoval tem como objetivo atuar de forma independente e imparcial na mediação entre o Banco Daycoval, os clientes e os usuários de seus produtos e serviços e pode ser contatada por meio do telefone: Central de Atendimento 0800 777 0900 ou SAC 0800 775 0500 a disposição nos dias úteis, no horário das 9h às 18h.

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