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Macro Alerta | IPCA-15: queda no preço de combustíveis contribui para inflação baixa em julho

Veja o relatório em PDF aqui

O IPCA-15 de julho variou 0,09% em relação ao mês anterior, acima do esperado por nós (0,02%) e pouco abaixo da expectativa do mercado (0,13%) segundo mediana das expectativas da Bloomberg. Com este resultado o índice acumula alta de 3,28% no acumulado em 12 meses.

Na abertura do indicador vemos que a principal agremiação responsável por este resultado mais contido dos preços foi Transportes (-0,08 p.p.). A queda nos preços de combustíveis reflete os efeitos da variação do câmbio e petróleo sobre o preço de combustíveis dada a política de preços da Petrobras, o item (combustíveis para veículos) avançou 3,30% em maio, para então cair -0,67% em junho e acelerar a queda nesta leitura, atingindo -3,0%, gerando um impacto negativo de 0,17 p.p. que por outro lado foi minimizado pela alta de preços no transporte público de 1,87% gerando um impacto positivo de 0,09 p.p..

A deflação em alimentação no domicílio, que marcou os meses de maio e junho foi resultado da devolução da alta de preços que houve nos meses de março e abril devido a choques de oferta em algumas categorias como: Cereais, leguminosas e oleaginosas; Tubérculos, raízes e legumes; Hortaliças e verduras e Frutas. Neste mês, no entanto, o impacto desta agremiação foi nulo (0,0 p.p.) e os dados do atacado sugerem fim da devolução do choque ao consumidor para os próximos meses.

Fonte: IBGE – Elaboração: Daycoval Asset

As métricas com viés mais qualitativo, continuaram a mostrar retração na margem, a média dos núcleos saiu do patamar de 0,20% em junho para 0,15% em julho. E permanecem ainda em patamar bastante confortável no acumulado em 12 meses (de 3,35% em junho para 3,16% em julho). Já a inflação de Serviços e Serviços subjacentes apresentaram leve alta na margem, mas no acumulado em 12 meses cederam de 3,85% para 3,28% e 4,06% para 3,85%, respectivamente. Esperamos que a inflação de serviços acumulada em 12 meses ceda ao longo dos próximos meses e volte ao patamar próximo de 3,5%.

Em linhas gerais, o IPCA-15 de hoje sinaliza a passagem do choque de preços de alimentos. Além disso, as pressões positivas ficaram centradas em preços administrados que tem comportamento menos atrelado a demanda, como por exemplo combustíveis.  Já as métricas qualitativas continuam com comportamento benigno e devem continuar arrefecendo nos próximos meses.

Com isso não há grandes alterações para o cenário inflacionário corrente e prospectivo durante o ano.  Para o fechado de 2019 mantemos nossa expectativa de 3,9% de taxa de inflação (IPCA).

Neste cenário, de retomada gradual da atividade econômica, baixa inflação e apoiado na mais recente comunicação do Banco Central do Brasil, esperamos que o COPOM inicie um novo ciclo de queda da taxa SELIC em julho levando-a para 5,5% no final de 2019.

Rafael G. Cardoso, economista-chefe

rafael.cardoso@bancodaycoval.com.br

Antônio Castro

antonio.castro@bancodaycoval.com.br

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